20 de dez de 2016

Governador tucano é denunciado por Caixa 2

Empresário disse ter realizado evento de posse de Pedro Taques (PSDB) e que não recebeu pelo serviço
Foto: Renê Dióz / G1
O empresário Alan Malouf, que está preso há quase uma semana, disse, em depoimento ao Ministério Público Estadual (MPE), na última sexta-feira (16), ter ajudado a angariar recursos para a campanha do governador Pedro Taques (PSDB), em 2014, a pedido do próprio Taques, denunciou suposto "caixa 2" e confessou ter participado de uma quadrilha que fraudou processos licitatórios na Secretaria Estadual de Educação (Seduc).

Em nota, o governador Pedro Taques classificou as afirmações do empresário de levianas e absurdas, negou a existência de caixa 2 e disse que todas as movimentações financeiras foram declaradas à Justiça Eleitoral, inclusive as despesas ainda não pagas.

Alan Malouf confessou ter recebido R$ 260 mil, dividido em três ou quatro envelopes deixados na casa e na empresa dele. Ele é apontado como um dos líderes do esquema de desvio de verba da Seduc, a partir de fraudes em licitações para obras de escolas estaduais.

Contudo, Malouf alega ter integrado a organização criminosa por incentivo do empresário Giovani Guizardi, que passou sete meses preso e foi solto no fim de dezembro após acordo de delação premiada. Em depoimento ao MPE, Guizardi declarou exatamente ao contrário, que o esquema na Seduc foi lhe apresentado por Alan Malouf.

No primeiro semestre de 2014, Alan afirmou ter sido procurado por Pedro Taques em sua residência. Na ocasião, Taques, que tinha renunciado ao mandato de senador, comentou com ele sobre o interesse em disputar a eleição ao governo do estado e lhe pediu ajuda para conseguir o apoio de empresários.

Segundo ele, o grupo de apoio de Taques era composto por ele e outros empresários. Terminado o processo eleitoral, com a vitória do candidato, Malouf disse que o governador eleito perguntou se ele tinha interesse em ocupar algum cargo na gestão dele e ele respondeu que não.

Taques também teria pedido a Alan que o ajudasse a quitar os débitos não declarados que ficaram pendentes. "Ficou um débito não declarado e Pedro Taques pediu que o interrogando o ajudasse a quitar esses débitos", diz trecho do depoimento do empresário ao Grupo de Atuação de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Alan negou conhecer o então secretário de Educação Permínio Pinto, que passou cinco meses na prisão e foi solto na noite desta segunda-feira (19), e que não foi responsável pela indicação do mesmo ao cargo na Seduc e que a escolha pelo que sabia era do deputado federal Nilson Leitão e de Pedro Taques. Permínio também é apontado como integrante do núcleo de lideranças do esquema.

Ele afirmou ter acompanhado de perto a transição de governo. Disse que a empresa dele Novo Sabor, do ramo de refeições coletivas, e outras empresas da família dele participaram de alguns processos licitatórios do governo, mas que não venceram. A pedido de Pedro Taques e do secretário-chefe da Casa Civil e primo do governador, Paulo Taques, realizou o evento de posse de Taques, em 1º janeiro de 2015, e que nunca recebeu nada pelo serviço. Em nota, Paulo Taques disse que, junto com o governador, "irá constituir os advogados para atuar no processo e garantir que a verdade prevaleça".

Giovani Guizardi havia feito uma doação de R$ 200 mil para a campanha de Taques e depois solicitou a Alan Malouf que o apresentasse ao então secretário de Educação e, então, foi realizada uma reunião na empresa de Alan para que os dois se conhecessem.

Nesse encontro, Guizardi manifestou ao então secretário interesse em participar do projeto "Escola Legal". Alan Malouf negou ter participado de qualquer negociação a respeito desse projeto.

Deputado estadual Guilherme Maluf (PSDB) foi eleito presidente da ALMT. (Foto: Renê Dióz / G1)
Deputado estadual Guilherme Maluf (PSDB), primo de Alan Malouf, é citado como um dos supostos beneficiados com as propinas arrecadadas com as fraudes
Foto: Renê Dióz / G1
Alan Malouf afirmou que, em outra ocasião, Guizardi lhe disse que tinha encontrado um jeito de arrecadar o dinheiro para pagar as dívidas de campanha de Pedro Taques e lhe contou sobre o esquema existente na Seduc com o envolvimento de empresários do setor da construção civil e de servidores da Seduc.

A princípio, ele disse ter se recusado a fazer parte da organização criminosa e que, numa segunda reunião, Guizardi afirmou que estava conversando com Permínio Pinto e que já estava "rolando" um esquema de retorno de dinheiro e que vislumbrava ali uma oportunidade.

Guizardi lhe disse que o servidor da Seduc Wander Reis, que tinha sido indicado pelo presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Guilherme Maluf, que é primo de Alan Malouf, teria participação no esquema e que tanto ele [Alan Malouf], Permínio Pinto, Guizardi e Maluf seriam beneficiados economicamente com essas fraudes.

Quando Giovani falava no nome de Permínio Pinto sempre fazia questão de ressaltar que Nilson Leitão (PSDB) também se beneficiaria economicamente, porém, Alan Malouf disse não ter saber se de fato o parlamentar foi beneficiado.

Nilson Leitão argumentou, em nota, que nunca participou de nenhuma reunião paraa escolha de secretários, e negou conhecer Giovani Guizardi e o esquema investigado pelo MPE.

Pagamento de propina

De acordo com Alan Malouf, o empresário tratava sobre o esquema diretamente com o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Guilherme Maluf (PSDB), mas que nunca perguntou a Maluf a respeito dessa organização.

Uma vez, a pedido de Guizardi, disse ter entregado R$ 40 mil a Guilherme Maluf. Dessa vez, Guizardi lhe disse que era a parte do Guilherme na Seduc. O presidente da ALMT tinha indicado os servidores da pasta, que permitiam que o esquema fosse concretizado e que sem eles não seria possível. O dinheiro, segundo Alan, foi recebido por Guilherme de forma natural.

Em nota, Guilherme Maluf negou envolvimento com qualquer irregularidade na Secretaria de Estado de Educação e disse lamentar que, "para se safar da prisão, Alan e Giovani Guizardi tenham ligado seu nome a denúncias infundadas, sem absolutamente nenhuma prova concreta". Alegou que sua assessoria jurídica irá tomar as providências cabíveis sobre o caso.

Pollyana Araújo

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