18 de dez de 2016

Como decifrar o ‘Delenda Globo’ da carta de Dirceu a Fernando Morais

Ainda vivo e sonhando
Muitos leitores perguntam de onde vem a expressão ‘Delenda Globo’ que Zé Dirceu usou na carta que enviou da prisão para Fernando Morais.

Para simplificar, Dirceu afirmou, com a sutileza possível: “A Globo tem que ser destruída”.

Foi como que uma resposta — fina, quase erudita e bem humorada — a uma sentença que Fernando Morais tem repetido à exaustão: “A Globo é inimiga do Brasil e como tal deve ser tratada.”

Historicamente, é uma frase latina que sobreviveu ao tempo.

Sob o comando do general Aníbal, um dos maiores estrategistas da história, Cartago (hoje Tunísia) foi o maior pesadelo militar sofrido pelo império Romano.

Um inovador comparado pelos historiadores a Alexandre, o Grande, Aníbal usou táticas jamais vistas em sua luta contra Roma, como um exército de elefantes. Com suas tropas, Aníbal ocupou parte da Itália por vinte anos, no início do século 3 AC. Roma jamais enfrentara antes esse tipo de coisa.

Os inovadores elefantes de Aníbal
Os inovadores elefantes de Aníbal
A reação romana contra Aníbal foi fortemente estimulada pelo senador Catão, um colosso de Roma. Catão sempre terminava seus discursos com a frase: “Delenda Cartago“. Cartago tem que ser destruída. Este o significado.

E foi.

O ‘Delenda Globo’, de Dirceu, é muito mais uma brincadeira, um sonho remoto, do que qualquer outra coisa. O Brasil, hoje, como já foi notado, parece uma concessão da Globo.

Quanto teve poder, de resto, Dirceu pouco fez para delendar a Globo. Ou, pelo menos, para reduzir-lhe o poder.

O dinheiro público permaneceu jorrando para a Globo, na forma sobretudo de publicidade federal. 600 milhões de reais ao ano.

Segundo depoimento do senador Requião, Dirceu imaginava que o governo Lula garantiria a simpatia da Globo com as multimilionárias verbas publicitárias.

Foi talvez seu maior erro de cálculo. Na prática, o PT se tornou o primeiro partido no poder a pagar para apanhar da Globo. Em boa parte a Globo financiou seu jornalismo de guerra com recursos oriundos dos dois governos petistas.

O que verdadeiramente há de animador na carta de Dirceu é o tom positivo, de quem continua a combater o bom combate, a despeito de tudo. Ele exorta as lideranças da esquerda a saírem para as ruas na luta pelas diretas, e cobra de Fernando Morais, aos 70 anos, que cuide da saúde. “Vamos precisar de você pelos próximos vinte anos.”

A mensagem real de sua carta, afinal, é esta: “Delenda desesperança”.

A desesperança tem que ser destruída.

Ou suportaremos o que está aí por muito tempo.

Paulo Nogueira
No DCM

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