24 de dez de 2016

A escandalosa troca de favores entre Temer e as revistas


Raras vezes, se é que alguma, o Brasil foi regido como agora por homens tão sem noção de decência pública.

É simplesmente humilhante para a sociedade.

Fomos obrigados a tolerar, primeiro, Eduardo Cunha, com o gangsterismo despudorado com o qual ele armou o golpe contra Dilma na presidência da Câmara.

Logo em seguida veio Temer, o homem das 43 citações na primeira delação da Odebrecht.

E o pior é que continuamos a viver como se isto fosse normal: sermos governados por pessoas claramente em conflito com a lei e os bons costumes.

Pense.

Em que outro país civilizado Temer teria resistido a acusações tão pesadas?

E antes dele, Eduardo Cunha?

Claro que a retribuição vem — com dinheiro público.

Temer aumentou em 900% as verbas publicitárias destinadas às revistas.

Qual a lógica disso, investir num meio em completa decadência? A resposta só pode ser uma: favorecer os amigos. (Especialmente os da IstoÉ, sua favorita, aquela que lhe deu o título de Homem do Ano.)

Retribuir com dinheiro público. É indecente.

Todos lembram. A cada migalha — eram migalhas, nem mais e nem menos — que o governo Dilma investia na mídia digital progresista, era um escândalo.

Em seu republicanismo suicida, a administração das verbas publicitárias foi mais um dos erros que o PT cometeu.

Temer está pagando para ser adulado. O PT pagou para apanhar.

Não é justo.

Mas quem disse que a vida é justa?

Paulo Nogueira
No DCM



Editora Três dispensa equipes de jornalistas de revistas e troca por free lancers

Temer agradece o prêmio de Brasileiro do Ano ao herdeiro da Editora Três
Temer agradece o prêmio de Brasileiro do Ano ao herdeiro da Editora Três
Estimulada pelo presentão natalino de Temer, com as tais reformas trabalhistas, a Editora Três resolveu tornar mais alegres as festas de fim de ano dos profissionais que trabalham nas revistas Menu, Planeta e Motor Show (escapou a Dinheiro Rural, a mensal mais rentável do quarteto).

A proposta é continuar editando as publicações, possivelmente com os mesmos profissionais, mas sem 13º, férias e o reajuste salarial negociado com o sindicato dos jornalistas anualmente, que eram pagos no regime de Pessoa Jurídica, em que quase todos estavam enquadrados.

Não por acaso, em seu discurso de agradecimento ao título de Brasileiro do Ano, concedido pela Editora, Temer afirmou que quando queria se informar sobre economia, recorria a uma das revistas da casa, a Istoé Dinheiro.

Quebrada, mergulhada em dívidas, com o pagamento de salários cronicamente atrasados e em um processo de recuperação judicial que se arrasta desde 2007, a empresa, através de suas publicações, tem o desplante de cagar regras para a economia do país.

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