3 de nov de 2016

Mineiros internam o cambaleante Aécio

O cambaleante Aécio Neves ficou desnorteado com o resultado da eleição em Belo Horizonte. Diante da surra que o seu candidato, João Leite, levou no segundo turno do pleito na capital mineira, ele tem repetido à imprensa — como um papagaio, ou melhor, tucano — que "não me sinto derrotado". Mas seu discurso não convence ninguém. No interior do PSDB, ele já é visto como carta fora do baralho para a sucessão presidencial de 2018. Geraldo Alckmin, o governador paulista que fez barba e cabelo nas eleições municipais no principal Estado do país, não esconde a sua alegria e já sinaliza que vai rifar o mineiro do comando nacional do partido. A própria mídia tucana, que sempre blindou o cambaleante, já trata o senador Aécio Neves como uma figura política em decadência, que tende ao ostracismo.

A revista Época, por exemplo, já decretou: "Aécio perde na vitória do PSDB". Segundo a matéria, "a derrota de João Leite é mais um fator negativo em um cenário que não tem sorrido para Aécio. Do ponto de vista mineiro, ele perde uma eleição municipal que parecia ganha desde o início, pois Leite era um candidato forte em uma disputa na qual não havia o PT; Alexandre Kalil surgiu como azarão, de um partido minúsculo [PHS], e venceu. Uma derrota assim é mais doída. E Aécio Neves perde novamente em casa: em 2014, ele foi derrotado em Minas por Dilma na disputa presidencial... Na ocasião, o resultado foi decisivo para sua derrota nacional. Apesar de não haver um político mineiro de maior expressão nacional hoje, a liderança de Aécio no Estado não parece ser tão firme".

A reportagem, embora generosa com os tucanos, lembra ainda as sangrentas bicadas no ninho. "Do ponto de vista partidário, a derrota também chega em um momento de fragilidade para Aécio Neves. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, enxerga-se como concorrente de Aécio à vaga de candidato do partido à Presidência da República em 2018... Em contrapartida à derrota de Aécio hoje, o candidato de Alckmin à prefeitura de São Paulo, João Doria, elegeu-se de forma surpreendente no primeiro turno. Alckmin pode sorrir; Aécio, não. Nas negociações internas, Alckmin está 'com moral' para exigir mais espaço no partido e avançar; Aécio tem de defender-se".

No mesmo rumo, mas de forma mais incisiva, a Folha de S.Paulo — que nunca nutriu muita simpatia pelo mineiro — conclui que a derrota do tucano em Belo Horizonte deve encerrar o seu ciclo político. "Aécio Neves (PSDB-MG) fará o único discurso possível diante da terceira derrota consecutiva dentro de sua própria casa, Minas Gerais. Dirá que, como presidente nacional do PSDB, conduziu o partido a uma vitória sem precedentes nas eleições municipais em todas as unidades da federação. É verdade, mas não muda o fato central para o xadrez partidário do qual ele é protagonista ao lado do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). No duelo surdo que os tucanos travam pelo poder na legenda com vistas à eleição presidencial, em 2016, o vitorioso é o paulista".

A política é sempre muito dinâmica. Mas, de fato, parece que neste momento os mineiros decidiram internar o cambaleante Aécio Neves. Os próximos meses, com a disputa sangrenta pelo comando do PSDB, decidirão o futuro do senador mineiro. Ele até poderá curtir mais a vida no Leblon!

Altamiro Borges

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