3 de out de 2016

Washington Cinel, o empresário polêmico por trás de Doria


Não foi uma simples derrota do PT, a de Fernando Haddad não indo sequer para o segundo turno das eleições municipais. Foi a derrota do mais relevante gestor da cidade desde Prestes Maia, o prefeito que jogou São Paulo no século 21 enfrentando tabus, dando o primeiro corte da civilização do automóvel.

Assume um empresário jejuno em política, João Dória Jr., que se tornou especialista em grandes negócios através de sua empresa de eventos e lobby, a LIDE – Liderança Empresarial..

A vitória de Dória se deveu ao bom uso do tempo de televisão, por um tarimbado animador de eventos, , e o maior tempo entre os candidatos. O segundo fator foi a abundância de recursos para a campanha.

Nenhum dos demais candidatos tinha os recursos financeiros que Doria dispôs. Conhecido por sua fama de sovino, esses recursos não vieram dele, mas de uma rede capitaneada por Washington Cinel, figura controvertida, dono da Gocil, empresa terceirizadora de serviços que se tornou parceira permanente de Doria.

Trata-se de uma parceria milionária. Cinel tornou-se presidente da LIDE Segurança, o braço da LIDE de Dória voltado para o setor, passando a cuidar da terceirização de serviços dos clientes de Dória. Por conta dessa parceria, tonaram-se carne e unha.

Foi Washington quem bancou o grande evento que recepcionou o juiz Sérgio Moro. O juiz saiu engrandecido, aparecendo em fotos ao lado de Doria, Cinel e do deputado Fernando Capez, envolvido no caso conhecido como “a máfia da merenda”.

Graças a esse relacionamento com Doria, na gestão Alckmin a Gocil conseguiu os melhores contratos de terceirização do estado, tornando-se o grande fornecedor de mão de obra para companhias estaduais, especialmente o Metrô. Cinel substituiu Antônio Dias Felipe, compadre de Mário Covas e que, no seu governo, dominava a terceirização do Estado através de sua empresa, a Tejofran, que chegou a ter 40 mil funcionários trabalhando para o estado.

Quem opera os contratos da Gocil no Estado é seu executivo Helder Peçanha, a partir do QG da Gocil na Vila Olímpia, um prédio enorme, novo, todo negro de 11 andares, com a segurança maior que o Forte Apache, o Comando do Exercito em Brasília.

Cinel reservou para si uma sala imensa no ultimo andar onde oferece lautos almoços servidos por garçons de luxo. Os comensais são geralmente autoridades-clientes.

O crescimento extraordinário da fortuna de Cinel não tem explicação plausível por capacidade empresarial. Ele comprou a casa do maior industrial do Brasil, José Ermírio de Moraes e depois adquiriu casas vizinhas. Hoje sua propriedade vai da Rua Costa Rica até a rua Groenlândia, compondo um triângulo curioso: mora em frente da casa de Paulo Maluf e ao lado da casa de J. Hawila.

Além de sua monumental casa em São Paulo, uma das 10 maiores do Brasil, Cinel tem muitas fazendas na região de Bauru, sua terra, em Mato Grosso, casa de praia em Tabatinga e uma mega mansão em Miami, onde passa seis meses por ano, além de sociedade em muitos outros negócios.

Sua coleção de obras de arte, móveis antigos e antiguidades raras é toda comprada em Londres, para onde manda seus agentes arrematarem em leilões do Sotheby e Christie, sem jamais ter sido incomodado pela Coaf (Conselho de Controle das Atividades Financeiras) ou outros órgãos de fiscalização financeira.

Cinel deve a Doria o incremento de suas ligações com o Estado, são sócios ligados por objetivos comuns, a grande habilidade de Cinel e se fazer desapercebido, mesmo enfrentando problemas imensos com o fisco e sabendo-se que suas empresas não resistem a um pente fino. Por problemas fiscais durante algum tempo chegou a ficar sem documentação em São Paulo, precisando usar a de uma filial no Paraná para fechar os contratos com a área pública.

Sua imagem no setor de segurança não é boa. Costuma avançar com ferocidade sobre clientes de outras empresas.

Recentemente perdeu seu maior cliente privado, Casas Bahia, mas nem se abalou porque o Estado lhe garante o faturamento e recebe em dia.

No momento de um apogeu da Lava Jato é surreal como esses novos-velhos "esquemões" brotem nas barbas de investigadores que parecem saber de tudo.

Luís Nassif
No GGN

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