20 de out de 2016

Brevíssimo tratado de coxinologia tóxica


É preciso deixar claro de início que o surto de Coxinoplasia aguda atual do Brasil é um fenômeno atípico, embora já tenha ocorrido algumas vezes no passado. Uma das mais violentas e perniciosas dessas epidemias acossou a burguesia brasileira nas décadas de 40, 50 e 60 e é identificado pela sigla UDN. Em primeiro lugar é preciso saber que Coxinha não é uma espécie, mas um gênero com várias espécies. O coxinha é um protozoário oportunista. Fica latente no seu hospedeiro durante anos. Quando este fica deprimido ou com seu sistema imunológico abatido por um acidente econômico qualquer, o coxinha prolifera e se espalha tornando-se uma ameaça para o hospedeiro enfraquecido.

Abaixo descrevemos algumas das espécies mais abundantes. A taxonomia do gênero todo ainda não está cientificamente estabelecida, embora a atividade de pesquisas sobre sua toxicidade seja intensa.

Para melhor compreensão dos leitores damos um exemplo específico de indivíduos de cada espécie:
  • coxinha Vulgaris. Um espécime de coxinha Vulgaris é o Ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso. Nunca se exalta, nasceu coxinha embora se faça passar por esquerda festiva. Só manifesta sua virulência quando o opositor está, ou parece estar, moribundo. É essencialmente um oportunista. Seu veneno neurotóxico, agindo lentamente e provocando morte vegetal em suas vítimas.
  • coxinha Splendeum é aquele que gosta de um palanque. Seu narcisismo o faz tomar posições extremas. Um exemplo de coxinha Splendeum é o agora amansado deputado Carlos Sampaio. Uma característica dessa espécie é a falta de fôlego. Da mesma forma que sobem, caem. Seu veneno é hemolítico. Causa pústulas no local. O perigo é de gangrena.
  • coxinha Terribilis. Esta espécie transpira ódio. É visceral. Não se contém. Ataca furiosamente a presa, ou melhor, o hospedeiro. Transgride todos os limites da civilidade e da ética. Exemplo de coxinha Terribilis é o Senador Aloysio Nunes. O comportamento do coxinha Terribilis é semelhante ao de um cão hidrófobo, em que os indivíduos saem mordendo por todos os lados, enfurecidos, a baba escorrendo da boca, os olhos vermelhos, injetados. Usam, alguns deles, como armas, panelaços, palavrões, enfim, parecem loucos desvairados.
  • coxinha Elegans. Esta espécie tem um comportamento mais suave. É narcisista. Finge civilidade. Morde delicadamente. Mas a infecção resultante é muito difícil de debelar. Tende a se tornar permanente. O hospedeiro morre de tédio e de profunda depressão. Exemplo marcante de coxinha Elegans é o futuro Prefeito de São Paulo João Doria, que, como ninguém, sabe usar aquele suéter de grife nos ombros. Almofadinha, porém, peçonhento.

Rogério Cerqueira Leite
No Esquerda Caviar

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