21 de out de 2016

“Barraco” no MP. Ou como a fogueira das vaidades não é só do Savonarola


O Doutor Sérgio Moro ficou incomodado em ser comparado ao dominicano Jerônimo Savonarola, que acabou servindo aos Bórgia por  desestabilizar o domínio dos Médici na Florença  medieval. Irritou profundamente o magistrado  o fato de que Savonarola, depois de servir aos propósitos do poder papal, foi mandado para a fogueira.

Savonarola, entretanto, é conhecido por outra fogueira, a das Vaidades. É um episódio em que ele mandou reunir e atear fogo a tudo aquilo que pudesse que  tentar uma pessoa a pecar, na visão dele, claro. Isso incluía instrumentos musicais, obras de arte e livros, muitos livros.

Há outra fogueira das vaidades consumindo o Ministério Público, quando se vê hoje, no Valor, os promotores do MP de São Paulo (aqueles que estão processando a Folha por tê-los chamado de “Três Patetas) acusando  a juíza da 4ª Vara Criminal de São Paulo, Maria Priscilla Veiga de Oliveira,  de fazer “acordo” com o juiz Sergio Moro e mandar para Curitiba as acusações sobre o apartamento que não de Lula, mas tem de ser do Lula.

Os promotores Cássio Conserino e Fernando Henrique de Moraes Araújo, dois dos três, disseram que a juíza passou “por cima da lei” e deu “margem para nulidades absolutas”. Segundo o jornal, eles atacaram a fabulosa exposição de powerpoint de seus congêneres curitibanos.

— “Aqui tem Ministério Público! Aqui tem promotores de Justiça que fizeram uma denúncia com convicção. Não denunciamos com base em achismo”, bradam eles numa petição.

Reparem: 1) “Aqui tem ministério público”, lá não? 2) ” denúncia com convicção“, provas nem tanto e 3) em Curitiba denuncia-se “com base em achismo”?

A fogueira dos promotores é bem diferente da de Savonarola. Nela, em lugar de queimarem-se o que seriam vaidades, são as vaidades que ardem, flamejantes, diante de todos.

E queimam, inapelavelmente, todo o equilíbrio e a dignidade que deveriam marcar a Justiça.

Fernando Brito
No Tijolaço

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