5 de out de 2016

Alckmin atropela Serra e Aécio no PSDB

Justiceira de Esquerda
O PSDB bem que poderia estar festejando o resultado das eleições municipais. Afinal, graças à ajuda da mídia chapa-branca e dos “justiceiros” da Lava-Jato, a sigla foi a maior vitoriosa do pleito de domingo (2). Foi o partido que mais votos obteve nas disputas para as prefeituras (17.612.608, contra 14.877.621 do segundo colocado, o PMDB), o que mais cresceu em número de prefeitos (pulando de 686 para 796 governantes locais) e o que ainda ganhou no primeiro turno a maior prefeitura do país, com a surpreendente vitória do picareta João Doria, um novato no ninho tucano. Mas, apesar destes êxitos, a legenda já está em guerra. O PSDB não é um partido, mas sim um ninho... de cobras!

O governador Geraldo Alckmin foi o maior vitorioso no interior da legenda. Além da capital paulista, ele conquistou outras importantes cidades de São Paulo — o maior colégio eleitoral do Brasil. Com isso, o “picolé de chuchu” — que parecia estar derretendo e até já insinuava que poderia deixar o PSDB — mostrou força e se cacifou como o principal presidenciável da legenda para 2018. De imediato, o “diplomata” José Serra, eterno candidato da sigla, esperneou. Agora é ele quem ameaça abandonar o partido. Outro atropelado é o cambaleante Aécio Neves, que deve estar procurando o bafômetro. Ambos perderam espaço na sigla e já disparam as suas bicadas sangrentas.

Duas matérias da Folha confirmam a guerra interna. Na segunda-feira (3), a coluna Painel registrou: “Com a capital e o Estado na mão, Alckmin tenta minar a influência de Aécio no PSDB”. Segundo a venenosa matéria, “para além do simbolismo da vitória, a eleição de João Doria dá a Geraldo Alckmin condições práticas para que ele pavimente sua candidatura à Presidência em 2018. Para cruzar as fronteiras paulistas, o tucano passa a contar com as máquinas da prefeitura e do governo. O primeiro passo será afastar a influência de Aécio Neves do comando do PSDB, em abril. Depois, ele tem dois blefes para forçar a sua escolha: pedir prévias e acenar com a saída do partido caso as portas tucanas se fechem”.

Já o colunista Bernardo Mello Franco, um dos poucos jornalistas críticos que ainda restam na Folha, deu mais detalhes sobre as bicadas no ninho. “A eleição de João Doria dará impulso ao plano nada secreto de Geraldo Alckmin: voltar a disputar a Presidência em 2018. O governador fez uma aposta de risco. Lançou um candidato novato e o empurrou goela abaixo de outros caciques do PSDB, como José Serra e FHC. Deu certo: desacreditado no início da campanha, o dublê de empresário e apresentador de TV disparou nas pesquisas e venceu no primeiro turno. Alckmin não poupou esforços para emplacar o afilhado. Primeiro, acionou a máquina para atropelar o desafeto Andrea Matarazzo na prévia tucana. Depois, loteou secretarias para atrair aliados e aumentar o tempo de Doria na TV”.

“O candidato honrou a condição de poste. Há 11 dias, quando assumiu a liderança no Datafolha, jurou fidelidade ao projeto do padrinho. ‘Se Deus quiser, com nossa força e nossa vitória, [Alckmin] vai ser conduzido, sim, à Presidência em 2018’, disse. A vitória de Doria é um revés para outros dois tucanos que acalentam o plano de concorrer ao Planalto: Serra e Aécio Neves. O ministro das Relações Exteriores, que boicotou o novo prefeito, sai derrotado em seu reduto eleitoral. O senador vê o rival se fortalecer, mas pode reduzir o prejuízo se João Leite se eleger em Belo Horizonte. Quando Doria tomar posse, Alckmin passará a exercer um domínio incontestável sobre o PSDB paulista. Em 2014, ele se reelegeu governador no primeiro turno. Agora mandará no Palácio dos Bandeirantes e no Edifício Matarazzo, sede da prefeitura”.

“Por uma ironia da história, a criatura conquistou um feito que o criador jamais alcançou. Alckmin se candidatou a prefeito em 2000 e 2008, mas nunca chegou ao segundo turno. Na última tentativa, foi torpedeado por Serra, que governava o Estado e patrocinou a reeleição de Gilberto Kassab pelo DEM. Isolado, Alckmin acabou em terceiro lugar. A eleição de Doria consolida uma troca de comando no tucanato paulista. A velha guarda social-democrata, representada por Serra e FHC, perde espaço para um novo conservadorismo simbolizado por Alckmin e seu pupilo. A transição também marca uma mudança de estilo".

"O governador nunca escondeu que se sentia esnobado pela velha elite do partido – em conversas reservadas, ele sempre foi descrito com adjetivos como ‘jeca’ e ‘interiorano’. Num desabafo recente, Alckmin disse que o PSDB deixaria de decidir seus rumos ‘com vinho importado’. Neste domingo, ele levou Doria à missa. À noite, os dois festejaram ao som do ‘Tema da vitória’ que embalava os pódios de Ayrton Senna. Se estivessem presentes, Serra e FHC pediriam fones de ouvido. Vitorioso, o governador agora terá que zelar pelo sucesso do novo prefeito. Se Doria se revelar um fiasco nos próximos dois anos, o sonho presidencial pode voltar a escorrer pelo ralo".

Altamiro Borges

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