16 de set de 2016

“Show do MP” dificulta decisão de Moro em prender Lula. Ou desgaste imenso, se insistir


A Força Tarefa da Lava Jato viveu seu 17 de abril, a data daquela deplorável sessão da Câmara, presidida  pelo “herói” Eduardo Cunha — aquele que o Ministro Teori Zavascki manteve no cargo até completar a sua “obra”.

Os rapazes do MP de Curitiba produziram o efeito inverso ao que pretendiam.

Quando Reinaldo Azevedo fica contra uma manifestação histérica contra Lula e o PT, é sinal que a coisa passou muito do tom.

Todas as informações que se tem é de que Michel Temer, Rodrigo Janot e alguns ministros do Supremo se assustaram com o discurso “Kim Kataguiri” da Força Tarefa.

O efeito mais palpável, porém, é que já se criou uma impressão de exageros, de acusação essencialmente retórica e, para muitos, até de vergonha, como li no facebook de um ex-promotor: ”vi um espetáculo grotesco, de meninos a falar grosso, como se estivessem a tratar de animais pestilentos. Foi muito difícil assistir espetáculo tão deprimente. Tudo que deveria ser sério no Ministério Público foi tratado de forma leviana, dando-se até esses agentes a expor inteligências pífias, a envergonhar qualquer ser pensante”.

Não se sabe, por não constar da parte publicada da denúncia, se os rapazes de Curitiba pediram a prisão de Lula, como é, pelo que se viu, seu nada oculto desejo.

Mas ficou evidente que, senão sob pena de um imenso desgaste, Sérgio Moro ficou em situação muito mais  difícil, mesmo querendo ardorosamente, mandá-lo prender.

Ou, como as regras do bom senso andam escassas na justiça paranaense, fazê-lo sem revelar escancaradamente a sua natureza política.

Fernando Brito
No Tijolaço

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