13 de set de 2016

Lewandowski, a gestão de um homem justo


Nesses tempos de retórica inflamada, em que os fracos se deslumbram e os fortes se acovardam, o Ministro Ricardo Lewandowski deixa a presidência do STF (Supremo Tribunal Federal) com a imagem com que entrou: a de um homem gentil, justo e corajoso. E seu último ato denota isso, ao proporcionar a uma presidente caída o pequeno mimo de preservar seus direitos políticos após a retirada de seus direitos de presidente eleita.

O que ele, Lewandowski, teria a ganhar com isso? Apenas campanhas desmoralizadoras de uma imprensa cada vez mais vil, rancorosa e vingativa.

Aliás, incorreu no mesmo risco da atitude tomada na AP 470, onde bastou o fato de votar contra a manada em temas menores, para que a imprensa atiçasse os pitbulls contra ele. Foi alvo de escrachos em aeroportos, ataques pela rede. E não recuou. E nem se permitiu momentos retóricos. Lewandowski é dotado da fortaleza interna das pessoas de caráter.

Se havia alguma esperança de resistência contra o golpe, e contra os abusos da Lava Jato, ela residia em Lewandowski. Discretamente, articulou um grupo de Ministros legalistas, aguardando o momento para intervir. Compunham o grupo informal ele próprio, Teori Zavascki, Marco Aurélio de Mello, Luís Roberto Barroso, Luiz Edson Fachin e até Celso de Mello e Rosa Weber, que estaria vencendo a timidez inicial e crescendo.

O golpe agiu rapidamente. Barroso foi anulado com uma mera campanha difamatória conduzida por um blog de Curitiba próximo à Lava Jato, e repercutida por blogueiros de Veja especializados em assassinatos de reputação. Facchin foi anulado com a ameaça de escandalização de algumas ações que patrocinou como advogado. O sóbrio e sólido Teori, ameaçado por escrachos em sua casa e ameaças a seu filho. Todos eles submetidos a um cerco tão grande, a um clima tão exasperantemente repressor, que alguns deles guardavam celulares nas gavetas com receio de grampos que poderiam ser feitos até através de celulares desligados.

Apenas Lewandowski e Marco Aurélio, o notável Marco  Aurélio,  resistiram, enquanto Carmen Lúcia distribuía frases vazias e Celso de Mello selfies inconsequentes.

Lewandowski deixa o cargo exibindo a coragem dos grandes homens, não apenas a de investir contra ameaças presentes, mas contra  ameaças da história, de no futuro ser vítima das versões maldosas plantadas no presente por jornalistas sem escrúpulos.

Imagem pública é um ativo público. Deve ser usada para o bem público. Grandes personalidades, “iluministas” que se acovardam quando sua imagem corre risco, tratando-a como um bem privado, particular, submetendo-a ao crivo da mídia, são caráteres menores.

A régua midiática para os elogios a um Luís Roberto Barroso é a mesma que enaltece os versos de Ayres Britto e o brilho de sacristia de Carmen Lúcia, aquela que, em seu momento de maior projeção, bradou do alto da muralha midiática: “O Judiciário tem que ser um poder unido”. E nada mais disse, deixando o público imerso em indagações sobre a profundidade das palavras proferidas.

Deus nos livre da supina vaidade dos que se dizem simples.

Luís Nassif
No GGN

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