7 de ago de 2016

Poucos chefes-de-estado foram à abertura das Olimpíadas


O desprestígio não é do Temer, é do próprio movimento do golpe. Esta é a conclusão que pode-se chegar ao ler a matéria de Jamil Chade, no Estadão. A baixa presença de autoridades, depois da propalada presença confirmada de 45 chefes-de-estado, contrastou com a efetiva marca de 18 chefes presentes e uma miríade de autoridades menores e vices, inclusive o brasileiro.

Segundo apurado por Jamil Chade, autoridades se recusaram a sentar no camorote do vice-presidente Michel Temer, e muitos dos locais VIPs permaneceram vazios. Não foi só o estrondoso vaiar que Temer enfrentou, mas também uma reprovação silenciosa de tantos chefes-de-estado quantos ali estiveram.

Leia a matéria de Jamil Chade no Estadão.

Abertura teve apenas 18 líderes internacionais e saída 'à francesa'

Baixa presença de autoridades contrasta com anúncio anterior do Itamaraty

Jamil Chade

O Itamaraty havia anunciado que 45 chefes-de-estado e de governo estariam na abertura dos Jogos Olímpicos, na noite desta sexta-feira. Mas uma lista obtida pelo Estado revela que o número total foi de apenas 18, sendo que os demais eram apenas vice-primeiros ministros, governadores e autoridades de segundo escalão. 

A reportagem do Estado foi a única a entrar nos camarotes presidenciais e constatou como muitos dos locais VIPs permaneceram vazios, enquanto ministros e autoridades circulavam sem qualquer compromisso. Alguns deles ainda tiveram tempo para abrir freezers para escolher sorvetes ou conversar sobre as apostas de medalhas.

Michel Temer é vaiado ao anunciar a abertura oficial da Olimpíada do Rio

Depois de Londres em 2012 receber mais de 90 chefes-de-estado, de Pequim ter mais de 70, Atenas com 48 e Sidnei com 24, a Rio-2016 acabou sendo prejudicada pelo caráter interino do governo brasileiro, da crise e, segundo o Itamaraty, pela "distância" que representa uma viagem até o País. 

Estavam no Maracanã apenas os líderes máximos de Andorra, Argentina, Bélgica, Eslováquia, Fiji, França, Geórgia, Holanda, Hungria, Itália, Lituânia, Luxemburgo, Mônaco, Paraguai, Portugal, República Tcheca Servia e Suíça. Na lista do governo, o Planalto incluiu ainda os dignitários que, no fundo, eram membros do COI, como os de Luxemburgo e Mônaco, e que tinham obrigação de estar em seu próprio evento. 

Ainda estavam presentes vice-primeiros ministros, vice-presidentes ou príncipes da China, Jordânia, Guiné Equatorial, San Marino ou Uzbequistão. Alguns chefes de diplomacia também estavam na lista, como o americano John Kerry. A lista se contrasta com o que o governo anunciava ainda em maio de que tinha mais de 50 pessoas confirmadas e que esperava chegar a 70 convidados VIP.

Corredores

A ausência era nitidamente notada nos corredores internos do estádio, vazios e com comida, funcionários e seguranças sobrando. A falta de líderes internacionais ainda permitia tempo para que ministros e políticos brasileiros usassem o tempo para conversar, sem ter de recepcionar os estrangeiros. 

Enquanto as delegações desfilavam, o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, conversava numa das mesas com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Em outro canto, o chanceler José Serra falava ao telefone. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, circulava ainda tranquilamente, buscando algo para beber nos balcões vazios dos bares montados no local. 

O governo brasileiro tentou convidar os poucos líderes a ficar no principal camarote, ao lado de Michel Temer, presidente interino. Sem sucesso, o local foi preenchido por diversos ministros do governo e autoridades municipais e do governo do estado. Antes mesmo de terminar o evento e logo depois do desfile da delegação da França, o presidente François Hollande deixou o Maracanã, à francesa.

No GGN

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