17 de ago de 2016

Os últimos dias de um país que queria ser grande. E que será


Domingo, acaba a Olimpíada, que os ingênuos maldisseram por não verem que nosso país pode e deve receber o mundo com seu melhor, como se pobre não pudesse fazer festa.

Até o outro domingo, termina o período de quase 30 anos de legitimidade democrática que o país, aos trancos e barrancos, viveu desde as eleições de 1989. O direito de escolha que os pretensiosos e os reacionários também não aceitaram nunca, porque pobre, além de não poder fazer festa, também não pode decidir quem governa seu país.

Em poucos dias, o país que, na última década, vinha se afirmando diante do mundo, aparecendo com o tamanho enorme que possui, cai de novo da vida medíocre que nos fazem crer ser uma fatalidade para o Brasil.

Vamos mergulhar — sabe-se lá por quanto tempo — na velha pequenez do “este país não tem jeito mesmo”, que a elite sabuja nos ensina a pensar de nós mesmos.

O acanalhamento da vida volta a ser o normal, a política volta a ser apenas um negócio, o povo apenas um molambo.

Baixamos, desde a segunda eleição de Dilma, a bandeira e, baixada a bandeira, perde-se a batalha.

Os países se formaram por causas e as causas são seus interesses.

Quando os interesses de uma coletividade não se erigem em causas, ela perde seu rumo e capacidade de mobilizar-se.

Os defeitos políticos — boa parte deles inevitáveis e efeitos colaterais do exercício do poder — das forças populares no Brasil, porém, não devem ser superestimados.

Em primeiro lugar, porque eles são próprios da política — ou de qualquer atividade humana. Purismos são, quase sempre, imobilizadores, quando não autoritários. Não se perde a pureza quando não se perde a própria natureza, apenas quando se faz da política apenas escada do ego e da pecúnia.

Em segundo lugar, porque a submissão é apenas  se deixar-se, enquanto a rebeldia é a exploração de caminhos, de veredas, de espinhos, por um mapa que tem norte, mas não tem estradas abertas.

Mas, sobretudo, porque um país como o nosso é objeto de cobiças imensas, proporcionais às suas riquezas e seus potenciais. E estas cobiças formam seus suportes internos, imensos como tudo o mais aqui.

A história deste país está escrita na frase que li, ontem, no facebook de meu sempre professor Nilson Lage: “A luta do Brasil pela independência é a luta de seu povo trabalhador. Dele e dos que sonham com ele.”

Só quando pararmos de sonhar seremos, de fato, pequenos.

Fernando Brito
No Tijolaço

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