14 de ago de 2016

O 2° escalão do governo Temer


Toda semana um ministro do governo Temer fala alguma atrocidade, em geral questionando direitos humanos ou trabalhistas e com isso gerando uma barafunda de críticas na Internet. Mas, para além da crítica superficial, deveriam chamar mais atenção os nomes que têm sido indicados para o 2° escalão dos ministérios. Basicamente são ex lobistas da iniciativa privada e/ou quadros importantes do governo FHC. Fica evidente que Temer entregou os cargos de ministros para a base de partidos aliados, mas os quadros técnicos e de gestão estão com o mercado ou com seus parceiros mais próximos na burocracia estatal. São esses os responsáveis de fato pela formulação das políticas no governo Temer.

No Ministério da Educação estão Maria Helena Guimarães de Castro (secretária executiva) e Maria Inês Fini (INEP). Ambas foram peças fundamentais na gestão do então ministro Paulo Renato de Souza. Maria Helena foi, inclusive, secretária dos governos Serra e Alckmin. Ainda no MEC está Abílio Neves, que voltou a ocupar a direção da CAPES, onde esteve entre 1995 e 2003.

Para o BNDES foi Maria Silvia Bastos Marques, oriunda do Ministério da Fazenda de FHC e ex secretária de Fazenda de Cesar Maia. Depois de participar do processo de privatizações e defender o uso de “moedas podres”, Maria Silvia foi ser presidente da CSN privatizada.

Na Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda está Mansueto Almeida, um dos principais formuladores da política econômica do PSDB.

Para o IBGE foi Paulo Rabelo de Castro, sócio da SR Rating, empresa especializada no uso de dados estatísticos para a confecção de índices de classificação de risco. Agora, será ele próprio a construir os principais dados estatísticos do país.

Na Petrobras está Pedro Parente, ex ministro das Minas e Energia (o “ministro do apagão”) e da Casa Civil do governo FHC.

Para a presidência do Banco Central foi nomeado Ilan Goldfajn, diretor do mesmo banco no governo FHC.

Várias matérias na grande imprensa indicam que Elena Landau (ex diretora do BNDES e assessora do Ministério da Fazenda de FHC) deverá assumir a presidência da Eletrobras.

Mas poucos ministérios refletem tão bem a opção por colocar lobistas em postos chave quanto o recém-criado Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Para a Secretaria de Telecomunicações, o ministro Kassab nomeou André Borges, ex diretor de assuntos regulatórios da NET e da OI. Para a Secretaria de Radiodifusão foi Vanda Bonna Nogueira, cujo escritório de advocacia já teve como clientes Globo, SBT e Record. Já o próximo presidente da Anatel, Juarez Quadros, foi não apenas ministro das Comunicações de FHC como sócio da Orion Consultores que atua justamente na área de telecomunicações.

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