9 de ago de 2016

Israel criará força-tarefa para expulsar e impedir entrada de ativistas do movimento BDS em seu território


Governo acusa membros de organizações em campanha global de Boicote, Desinvestimento e Sanções ao país de 'agitar' população contra autoridades

O governo de Israel anunciou no domingo (07/08) que o país criará uma força-tarefa para expulsar e evitar a entrada, em seu território, de ativistas de movimentos que integrem a campanha global BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções a Israel).

A equipe será coordenada pelos ministérios do Interior e de Segurança Pública que, em comunicado conjunto, acusaram os ativistas da campanha de “agitar residentes locais contra forças de segurança e perturbar suas atividades”.

“Ativistas não deveriam ser autorizados a entrar em Israel”, disse o ministro de Segurança Pública, Gilad Erdan. “Nossa equipe legal logo apresentará conclusões adicionais e tomaremos medidas adicionais contra organizações e ativistas do boicote. Boicotar Israel tem que vir com um preço”, completou.

“A batalha de organizações de boicote contra Israel começa com as pessoas que vêm sabotar dentro de Israel”, disse o ministro de Interior, Aryeh Deri. “É nossa tarefa fazer o possível para enfraquecer o boicote”, acrescentou.

O governo de Israel afirma que há dezenas de organizações que promovem o boicote contra o país atuando dentro do território israelense.

Lançada em 2005, a campanha pelo BDS surgiu a partir de um grupo de palestinos que lançaram um chamado para que países implantassem, contra Israel, um boicote semelhante ao realizado contra o regime de apartheid na África do Sul. O movimento deveria durar até que Israel reconhecesse os direitos fundamentais do povo palestino.

O apelo originou a campanha BDS, que sugere não apenas boicotes a Israel e empresas cúmplices de violações das leis internacionais, mas também boicotes acadêmicos e culturais de instituições israelenses coniventes com a ocupação ilegal dos territórios palestinos.

Em Israel, estrangeiros ligados ao movimento participam de manifestações contra o governo e de diversos trabalhos voluntários. Muitos deles chegam com o visto de turista, mas permanecem no país por mais tempo.

No domingo, Erdan pediu também que a população israelense colabore com o governo e denuncie os ativistas envolvidos nas campanhas de boicote.

“Se você tem informação sobre alguém que pretende ser um turista mas de fato é um ativista do boicote visitando Israel, deixe-nos saber que agiremos para expulsá-lo de Israel”, disse o ministro de Segurança Pública por meio de mensagem postada no Facebook.


Segundo a imprensa israelense, os nomes de organizações (ainda não divulgados) já teriam sido listados pelo governo.

Abdulrahman Abunahe, porta-voz da campanha BDS, classificou a decisão do governo israelense como "antidemocrática”. “Deportar ativistas para silenciá-los e minar seu apoio pelos direitos humanos da população palestina não é somente antidemocrático; é outro incidente de Israel atirando contra o próprio pé”, declarou em comunicado divulgado no site da organização.

Os esforços de Israel contra a campanha, de acordo com o ativista, são "um forte indicativo do quão desesperado e irracional o regime de ocupação de Israel, colonialista e de apartheid, se tornou em suas fúteis tentativas de dificultar o crescimento impressionante do movimento BDS ao redor do mundo”.

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