16 de ago de 2016

Eduardo Cunha e os 260 ladrões

Cunha festeja sua eleição para a presidência da Câmara: o golpe começou aí
Uma das armações do Mensalão foi achar 40 réus, nem um mais, nem um menos.

Era tudo que a mídia queria para usar a expressão Lula e os 40 ladrões.

Pensei nisso ao ler neste final de semana trechos de mais uma delação premiada de Júlio Camargo.

Não havia, a rigor, novidade. Mas a reafirmação de absurdos choca.

Falei dos 40 do Mensalão. No caso da delação de Camargo, são 260. É o número de deputados que Eduardo Cunha disse a ele que mantinha. Por isso Cunha o pressionava para que pagasse uma propina milionária que vinha sendo atrasada.

Chamemos assim, para evocar o Mensalão: Eduardo Cunha e os 260 ladrões. Roubaram 54 milhões de votos, antes de mais nada.

Cunha teria inflado o número para se gabar? É uma possibilidade. Mas é difícil que ele tenha dado um número muito maior do que o real.

De toda forma, foram Cunha e seus ladrões que derrubaram Dilma. A Câmara foi determinante. O resto, a começar pelo Senado, foi perfumaria.

Na altura da sessão infame da Câmara, a história de Camargo já era de amplo, geral e irrestrito conhecimento.

E mesmo assim nada foi feito para poupar o país e a democracia da ação destruidora de Eduardo Cunha e seus 260 ladrões.

No STF, o ministro Teori Zavascki esperou que o processo na Câmara se encerrasse para acatar o pedido de afastamento de Cunha que lhe fora remetido pela procuradoria geral da República não dias, não semanas — mas meses antes.

Todos sabiam fazia tempo não apenas do exército de mercenários de Cunha. Também eram sabidos os métodos de intimidação de Cunha contra delatores.

Camargo neste depoimento mais recente — e de novo: não há novidade aqui — relembrou as ameaças sofridas de emissários de Cunha para que não o delatasse.

Camargo era um homem aterrorizado. Temia que Cunha se vingasse sobre sua família, sobre seus negócios, sobre tudo, enfim.

Avisaram a ele que não adiantava recorrer a ninguém: presidente, polícia federal e o que mais fosse. Cunha o alcançaria.

Tudo isso contar que, em meio a todas as informações vindas das delações, os suíços entregaram documentos que provavam contas secretas de Cunha na Suíça. A papelada chegou ao Brasil pouco tempo depois de, sob juramento, Cunha dizer na CPI da Petrobras que não tinha conta no exterior.

E foi este homem, com seus 260 ladrões, que derrubou Dilma sem que as assim chamadas “instituições” fizessem qualquer coisa para impedir este crime.

Num mundo menos imperfeito, o processo de impeachment orquestrado por Cunha seria sumariamente cancelado.

Mas somos, lamentavelmente, uma sociedade de gigantescas imperfeições, e então somos forçados a engolir Temer, o Odiado, no Palácio do Planalto.

Paulo Nogueira
No DCM

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