15 de ago de 2016

Duelo com centrão e Cunha será maior teste para Maia


O principal teste da gestão de Rodrigo Maia (DEM-RJ) na presidência da Câmara acontecerá em 12 de setembro, segunda-feira, dia em que marcou a votação da recomendação da cassação do mandato de Eduardo Cunha.

Em entrevista ao SBT, Maia prometeu que fará uma mobilização para ter mais de 400 deputados presentes na Câmara em 12 de setembro. Ele lembrou que a votação do pedido de afastamento da presidente Dilma Rousseff na Câmara aconteceu num domingo, 17 de março. Usou isso como exemplo para falar que seria possível mobilizar mais de 400 deputados.

Partidos do centrão têm feito articulação para esvaziar a votação de setembro a fim de arrastar o tema da cassação de Cunha para depois das eleições municipais.

Maia disse que não entraria para a história como o presidente da Câmara que colocou em pauta a votação de Cunha com quórum baixo. Portanto, será um teste para o atual presidente da Câmara. Se ele não conseguir mobilizar mais de 400 deputados em 12 de setembro, dará à sua gestão a marca de um grande acordão para preservar Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Se esse acordão se confirmar, será um escândalo político: uma confissão do governo e da Câmara de que cederam às pressões de Cunha por medo do que ele poderia revelar. Dilma demorou a enfrentar Eduardo Cunha e deu no que deu. Quando o peemedebista se viu sem saída, tirou o pino da granada. A Justiça não pretende ser tão benevolente com Cunha como têm sido o governo e a Câmara.

* * *

Sinal amarelo

Nos últimos dias, diversos integrantes do governo Temer, sobretudo da área econômica, deram entrevistas para reforçar a importância do ajuste fiscal. Foram recados para pressionar o Congresso, que tem medalha de outro em irresponsabilidade fiscal.

A atual equipe econômica já entendeu que será mais difícil do que imaginava aprovar medidas duras. No Senado, tramita um projeto de reajuste do salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal, o que teria um efeito cascata sobre as contas públicas da União, Estados e municípios. Na Câmara, na semana passada, o governo sofreu uma derrota ao não aprovar regra que impedia reajustes salariais durante dois anos para o funcionalismo público dos Estados.

A campanha para a eleições municipais começará oficialmente amanhã, o que afastará deputados e senadores de Brasília.

Michel Temer chegou ao poder porque Dilma Rousseff não conseguiu dar respostas às crises política e econômica. Se Temer não der essas respostas, que passam justamente pela aprovação de medidas fundamentais na área econômica, seu futuro governo efetivo será enfraquecido. O impeachment de Dilma está prestes a ser votado.

Essas entrevistas de membros do governo cumprem um papel de pressionar o Congresso, preparando terreno para batalhas duras.

Uma delas é aprovar a reforma da Previdência na Câmara ainda neste ano. Essa reforma só deverá ser concluída pelo Senado no ano que vem. Outra batalha será votar na Câmara e no Senado, ainda neste ano, a emenda constitucional que fixa um teto para o crescimento das despesas públicas a fim de que essa regra já tenha efeito a partir de 2017.

Kennedy Alencar
No Entre Fatos

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