2 de ago de 2016

Dilma entrevista pela Fórum

Dilma: “Serei a primeira mulher presidenta que superou um impeachment sem base”

Em entrevista ao vivo e exclusiva para a Fórum, a presidenta Dilma Rousseff falou, entre outras coisas, sobre sua representação na mídia tradicional, criticou o governo interino, os cortes na saúde, bem como editorial do jornal O Globo que pede privatização do ensino superior. Assista a íntegra


A presidenta Dilma Rousseff concedeu, na tarde desta terça-feira (2), no Palácio da Alvorada, uma entrevista exclusiva ao editor da Fórum, Renato Rovai, e à editora da revista em Brasília, Maíra Streit. Entre outros assuntos, a presidenta falou sobre a PEC 241, que prevê a alteração do sistema de vinculação de receitas e despesas com serviços públicos de saúde e educação. “É uma das piores medidas do governo interino. Limita e congela gastos em educação e saúde nos seus valores reais, haverá queda no gasto per capita”, apontou.

Ao comentar o governo ilegítimo e sua baixa representatividade, Dilma foi contundente e definiu a governança de Michel Temer como sendo de “homens, brancos e ricos”. Para a presidenta, afastada do cargo em maio desse ano, o jornal O Globo através de seus editoriais recentes apresenta indicadores de plano de governo que mostraria os reais interesses por trás do golpe parlamentar em curso. “Acho que O Globo tem dado todos os indicadores de plano de governo que o governo provisório quer para o Brasil”, disse.

Sobre a sua imagem na mídia tradicional, Dilma afirmou que não tem dúvidas com relação a influência de alguns veículos de comunicação ao longo do processo.“Tentam construir uma imagem para transmitir que a melhor saída seja me afastar. É o projeto por trás das iniciativas que começam após a reeleição. A participação da mídia foi grande. Ela convocou manifestações, espetacularizou coberturas e tentou mostrar que era contra corrupção”.

Com relação ao presidente interino e seu partido, a presidenta assumiu que errou em “não ter percebido que havia uma transformação no PMDB” e foi além, admitindo ter errado ao compor sua chapa com Michel Temer. Sobre o PT, Dilma aponta que o partido precisará passar por “uma grande mudança”.

Dilma, a menos de um mês para a votação do impeachment no Senado, se mostrou otimista em relação ao futuro. Para a petista, ainda é possível “reverter o jogo” e ela garantiu que não desistirá.

“Serei a primeira mulher presidenta que superou um impeachment sem base legal, sem crime de responsabilidade e uma mulher que  soube reconduzir a democracia”.

A presidenta concluiu enviando um recado aos internautas e àqueles que se colocam contra o golpe. “Tenho a agradecer muito às mulheres, que têm sido especiais nesse processo. Pelo carinho, afeto e compreensão. O nosso lado é o lado certo: da história e da democracia, da defesa dos direitos socais do País. Vamos caminhar sempre mais fortes e mais livres”, finalizou.

Assista:



Matheus Moreira
No Fórum



Quando o que se tem a perder é tudo

Quando a presidenta Dilma chegou na sala do Palácio da Alvorada em que realizaríamos a entrevista ao vivo para o Facebook da Fórum, ao invés de ir direto para o local da transmissão, ela nos chamou para uma conversa informal da qual participaram os ministros Ricardo Berzoini e Carlos Gabas.

Conheço os dois desde os tempos de movimento sindical, quando implementei a Revista dos Bancários, que hoje se tornou a Revista do Brasil. Naquele momento, a conversa acabou passeando pela década de 1990 e começo dos anos 2000. Falamos sobre as disputas na CUT, a construção do PT, a redemocratização do Brasil.

Nada disso, de alguma forma, foi abordado na entrevista ao vivo com a presidenta. Não porque não seja interessante, mas porque o momento político exige outros questionamentos. Ainda vou contar um pouco dessa conversa em outro post. Aliás, conversa que foi gravada pela equipe da diretora Anna Mulayert, que está fazendo um documentário sobre esses dias da presidenta Dilma.

Mas naquele contexto do papo meio off uma frase da presidenta Dilma me tocou. Disse que ela parecia muito tranquila e com um astral muito bom. Ela respondeu: “Quando o que se tem a perder é tudo, não há por que ficar triste”. Ou seja, a presidenta tem a exata dimensão do momento histórico que o Brasil vive. Sabe que sua condenação no Senado é uma imensa derrota de um projeto político que ela ajudou a construir e também uma imensa derrota da esquerda brasileira e latino-americana.

Durante a entrevista, como você vai poder ver no vídeo que esta na página da Fórum, ela tratou de diversos assuntos, mas para este blogueiro o momento mais forte foi o ataque direto à Rede Globo. Pela primeira vez a presidenta disse que a Globo é parte do golpe.

Dilma também fez uma avaliação crítica de algumas decisões que tomou. Entre elas a de ter aceitado Michel Temer como seu vice. E de não ter percebido as mudanças no PMDB no percurso do seu primeiro para o segundo mandato.

Dilma está absolutamente concentrada na resistência. Ela sabe que resistir para ganhar ou para perder é o que lhe resta. Que é o mais importante dessa luta política que travará nesses próximos trinta dias. E que decidirá boa parte da história do Brasil de ao menos uma geração.

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