12 de ago de 2016

A associação entre a mídia e a Lava Jato para assassinar reputações


Noticia a Folha que a Polícia Federal pediu o arquivamento do inquérito que investigava o senador Humberto Costa, do PT. Trecho da matéria:
(…) a delegada da PF Graziela Machado da Costa Silva e Silva afirma que o pedido de arquivamento se deu por falta de provas que comprovem “configuração de solicitação e/ou recebimento de vantagem indevida”.

“Sendo assim, esgotadas as diligências vislumbradas por esta autoridade policial, não foi possível apontar os indícios suficientes de autoria e materialidade a corroborar as assertivas do colaborador Paulo Roberto Costa”, justificou.
A abertura de investigações virou uma espécie de arma política, a qual foi muito usada na Lava Jato.

O escopo da Lava Jato é praticamente infinito — e seria maior ainda caso o STF não tivesse afastado a competência de Sergio Moro em alguns casos, como o da Eletronuclear —.

Pode-se investigar, portanto, praticamente qualquer pessoa, sem precisar de provas ou indícios mínimos.

Qualquer um que tenha encontrado uma vez na vida Paulo Roberto Costa, por exemplo, pode ser investigado.

Aberta a investigação, você já sabe como a coisa funciona. Se for do interesse dos barões da mídia o investigado ganha destaque nos portais de notícias e nos jornais e o tom da manchete e da matéria deixa nas entrelinhas que a pessoa é culpada por antecipação.

No tribunal da mídia não há direito de defesa: a condenação é sumária.

Para políticos, que vivem da sua imagem perante a sociedade, um ataque à reputação pode ser fatal para a vida pública. O fato de ele ser absolvido posteriormente não faz diferença alguma quando os jornais já destruíram sua reputação.

No caso de Humberto Costa, por exemplo, a notícia da abertura da investigação é de março de 2015.

Março foi o mês das primeiras marchas da família com Deus pela liberdade versão 2016.

Abertura de investigações contra petistas foi tudo o que a mídia precisou para insuflar, com manchetes garrafais, o seu exército coxinha a ir para as ruas para dar sustentação ao discurso de que “o povo quer o impeachment”.

O início de uma investigação é algo grave e deveria ser tratado pelo Estado e pela imprensa com todo o cuidado, ainda mais quando envolve pessoa pública.

No Brasil do oligopólio midiático conservador a investigação vira um factoide político usado para criar e manter o clima de golpe.

Se mais de um ano depois a PF conclui que não há provas contra o investigado, que diferença faz? O governo foi derrubado e a abertura da investigação já cumpriu seu papel como arma política.

Temos, portanto, um poder discricionário absoluto do consórcio sistema de justiça/mídia, os quais não tem preocupação nenhuma com a reputação do investigado.

Abrem-se e fecham-se investigações com objetivos políticos, segundo os critérios pessoais dos investigadores.

A mídia concentrada, por sua vez, também utiliza critérios puramente pessoais/políticos para dar destaque, ou não, a investigados inimigos ou aliados.

Para os adversários, capas, manchetes garrafais, colunistas repercutindo por dias a fio.

Para os amigos, notinhas de rodapé, espaço enorme para a defesa (o que seria louvável caso fosse concedido a todos) e repercussão zero.

A simbiose entre o sistema de justiça e a mídia conservadora fere de morte a democracia e o próprio conceito de justiça.

Pedro Breier, correspondente policial do Cafezinho
No Bem Blogado

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