1 de jul de 2016

Vendedor da Petrobras ganha diretoria própria, criada para acomodá-l


Em 19 de maio, imediatamente depois de ser nomeado para a presidência da Petrobras, antes mesmo de assumir o cargo, Pedro Parente disse que não haveria mais indicações políticas na empresa estatal. Na época, o comentário foi amplamente repercutido pela mídia hegemônica.

Na última quarta-feira (29), no entanto, o Conselho de Administração da Petrobras aprovou a criação de uma diretoria nova. O diretor? Nelson Silva, ex-presidente da BG Brasil, aquela que foi comprada pela Shell depois de adquirir 30% de participação em blocos no Campo de Lula, o maior do pré-sal brasileiro.

Silva já entrou na estatal do petróleo ocupando um cargo inédito, criado apenas para acomodá-lo. Em 6 de junho foi escolhido por Parente como “consultor sênior de estratégia”.

Para a Federação Única dos Petroleiros (FUP), “não há mais dúvidas de que Pedro Parente mentiu”. As indicações políticas continuarão, o que muda são apenas os políticos e os indicados. De acordo com os trabalhadores, Silva é “apadrinhado do presidente interino”, Michel Temer.

A Federação lembrou em nota que os conselheiros da Petrobras vinham defendendo a “disciplina de capital” e impondo cortes de custos aos trabalhadores e aos projetos. “Durante meses, o Conselho de Administração discutiu a reestruturação da empresa e, em momento algum, foi sequer ventilada a ideia de uma diretoria de estratégia”.

Os trabalhadores da empresa chegaram a propor que a gerência executiva de Segurança, Meio Ambiente e Saúde, que já tinha estrutura montada, passasse a atuar como diretoria, para que houvesse autonomia na implementação de uma nova política de segurança. “Nem isso foi aprovado, sob a alegação de que iria onerar as contas da empresa”.

“Agora, de uma tacada só, o Conselho de Administração aprova a criação de uma nova diretoria com o propósito mais do que evidente de empoderar o escudeiro de Pedro Parente, dando-lhe total autonomia para cumprir os compromissos que Temer assumiu com os financiadores do golpe: entregar o pré-sal às multinacionais, tirando a Petrobras da função estratégica de operadora única, e doar ao mercado os ativos da companhia”.

Para os trabalhadores, a diretoria foi criada com o objetivo de oferecer uma estrutura completa para Nelson Silva fazer o que faz melhor: vender ativos a toque de caixa. “Experiência é o que não lhe falta. Por onde passou, deixou sua marca registrada: reestruturações e privatizações. Fez isso na Vale do Rio Doce, na Comgás e na BP, onde foi um dos articuladores da fusão com a Shell, que passou a deter participações estratégicas nos principais campos do Pré-Sal, tornando-se, assim, a maior concorrente da Petrobras”.

“E, sem a menor dificuldade, o interino Pedro Parente colocou a raposa para tomar conta do galinheiro. Tudo com a conivência do Conselho de Administração e da Diretoria Executiva, que já vinham atuando a serviço do mercado", afirmou a Federação. Se não houver reação à altura dos trabalhadores e dos setores da sociedade organizada que defendem a soberania nacional, eles vão aniquilar os maiores patrimônios desse país que são o pré-sal e a Petrobras. Essa é a luta que está posta para os petroleiros. E não é de hoje”.

Na época da indicação de Parente, os petroleiros já sabiam o destino que os aguardava. Apoiador do projeto de José Serra para alterar a lei de partilha do pré-sal, ele disse em seu discurso de posse que a legislação“retira a liberdade de escolha da empresa, de somente participar na exploração e produção dos campos que atendam o seu melhor interesse, o que é imperdoável para uma empresa listada em Bolsa”.

A indicação de Silva também tinha objetivos muito claros. “Queremos dar um ritmo mais acelerado às mudanças”, disse Parente. “Para alcançar os resultados que necessitamos nos menores prazos possíveis”.

A pressa é justificável. Afinal de contas, o governo é temporário.

No GGN

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