4 de jul de 2016

Só adiamentos e recuos no País dos interinos

http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/so-adiamentos-e-recuos-no-pais-dos-interinos/2016/07/04/

Após alguns dias fora do ar para participar pela primeira vez da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty, sobre a qual escreverei a seguir), o cenário encontrado não é nada animador.

No País dos interinos (presidente da República, presidente da Câmara, todos os ministros), só temos notícias de adiamentos e recuos, um verdadeiro samba de barata voa, à espera do julgamento final do processo de impeachment, previsto para o final de agosto.

Michel Temer desandou a fazer discursos e dar entrevistas, anunciando mudanças estruturais, como se fosse presidente eleito, mas age e decide com o único objetivo de agradar os parlamentares para ser efetivado no cargo.

Para alcançar o objetivo, resolveu escancarar os cofres do Tesouro Nacional, na contra-mão do prometido ajuste fiscal. Ao mesmo tempo em que promete um teto para os gastos públicos, já deu um generoso reajuste a castas de servidores, especialmente do Judiciário, fez um agrado aos governadores, adiando o pagamento de dívidas com a União, liberou o aumento do Bolsa Família e ameaçou apoiar a criação de mais 14 mil cargos no funcionalismo (neste caso, teve que recuar), jogando para as calendas a reforma da Previdência e a aprovação do teto para as despesas públicas.

Nesta segunda-feira, ficamos sabendo que o governo interino liberou em junho R$ 669 milhões para as emendas parlamentares, 12 vezes mais do que no mesmo período do ano passado, quando senadores e deputados levaram apenas R$ 57 milhões e iniciaram uma rebelião contra a presidente Dilma Rousseff, afinal afastada do cargo em maio último.

Se antes da minha viagem as chamadas medidas de austeridade estavam sendo deixadas para "depois do impeachment", agora já se fala em adiar tudo para "depois das eleições municipais", para evitar atritos com a base aliada.

A uma semana de completar dois meses na interinidade, Temer tenta se equilibrar no Planalto com um olho no Congresso e outro na Lava Jato, abrindo e fechando o cofre, conforme as conveniências. Como no primeiro dia, o presidente em exercício joga todas as suas fichas na credibilidade da equipe econômica, mas o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, já está encontrando dificuldades para explicar tantas contradições ao mercado financeiro, ao empresariado e à grande mídia, que ainda o apoiam, embora já sem o mesmo entusiasmo.

Enquanto isso, o inacreditável Waldir Maranhão continua no comando interino da Câmara, sob a supervisão do afastado Eduardo Cunha, que vai empurrando como pode seu processo de cassação, a esta altura quase inevitável, e os partidos aliados lutam entre si para fazer o sucessor. A nova oposição sumiu do mapa. E tudo caminha a passos lentos e inseguros para a superação da crise econômica, como se estivéssemos todos andando nas ruas de pedras traiçoeiras de Paraty.

Vida que segue.

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