4 de jul de 2016

Quem é o Grizzo, da Argeplan e amigo do Temer? Perguntem ao Moro…


Depois da sensacional revelação de hoje do Paulo Henrique Amorim, em seu Conversa Afiada, de que a origem do conglomerado empresarial do coronel reformado da PM paulista João Baptista de Lima, apontado pelo delator José Antunes Sobrinho, sócio da Engevix, como intermediário na arrecadação de recursos ilícitos em um dos contratos da Eletronuclear, como “pessoa de total confiança de Michel Temer” que teria favorecido a contratação da empresa Argeplan para as obras de Angra 3 era uma modestíssima empresa de paisagismo, de apenas 500 reais de capital social, o Tijolaço  foi atrás da história do famoso Lima, já que a nossa investigativa imprensa não vai.

E acabou encontrando outra incrível coincidência, como você verá adiante.

Lima, como se sabe, é o citado como “sócio de Temer” numa caixinha de propinas do porto de Santos, que apareceu numa ação de pensão alimentícia movida pela ex-mulher de outro propineiro.

Amorim mostra que ele tinha sociedade numa pequena empresa de paisagismo, a PDA – Projetos e Direção de Arquitetônica e, com ela, criou a PDA – Participações e Administração, uma holding empresarial (veja aqui a certidão da Junta Comercial de SP), com capital de R$100 mil, em 31 de outubro de 2011.

Um mês e meio antes, em 15 de setembro, Lima havia se tornado sócio da Argeplan, uma empresa voltada originalmente para projetos de arquitetura, o que pode ser comprovado pela reprodução de uma das páginas de sua ficha cadastral na Jucesp (veja aqui).

argeplan2 

Tanto a  Argeplan não se voltava para a área de construções que não tinha, como manda a lei, um diretor-técnico para isto. Só passou a ter quando para esta função foi indicado o senhor Geraldo Grizzo, como você pode verificar na reprodução do registro da Junta Comercial ao lado.

E o que tem o senhor Grizzo?

Uma história bem interessante.

É o presidente do PMDB de Jaú, em São Paulo, e no jornal Correio de Jahu diz ter intimidade com Temer:

Grizzo, que esteve com Temer há pouco mais de um mês, pretende agendar audiência no Planalto de que participarão Agostini e o vice-prefeito Sigefredo Griso (PMDB). A intenção é destrancar a principal vitrine do governo federal em Jaú – as obras de mais de R$ 40 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Talvez tenha mesmo, porque foi um modesto doador (R$ 1,5 mil) da campanha de Temer a deputado federal, em 2006.

Mas não é só isso.

Grizzo esteve metido em boas confusões.

Na Operação Curaçao da Polícia Federal, seu nome apareceu como um “laranja” de US$ 24 milhões.

É o que escreveu ninguém menos do que o Dr. Sérgio Fernando Moro, o mesmo da Operação Lava Jato:

34) conta aberta no FCIB em nome de Geraldo Grizzo (fls. 90-92 do apenso I e apenso XII): – movimentação de USO 24.299.138,00 em cerca de 1.205 transações; – ramo de atividades do titular da conta identificado no cadastro do FCIB “business services”, e endereço do controlador da conta em Jáu/SP, especificamente na Rua Anselmo Walvekens, 162, e em São Paulo/SP, especificamente na Av. Brigadeiro Faria Lima, 2961; – documentos da conta com as assinaturas de Geraldo Grizzo; Pelo que se depreende da documentação, a conta era controlada por Geraldo Grizzo, que a controlava a partir de São Paulo.  

Em 2014, um laudo da Polícia Federal, no STJ negando que fossem dele as assinaturas e que seu nome fora usado – não se sabe por que infeliz coincidência, claro –  como “laranja” serviu para o arquivamento do processo contra Grizzo.

Grizzo também teve sorte no processo em que o juiz  2ª Vara Cível de Jaú, Leonardo Labriola Ferreira Menino, o condenou, em 2011, a ressarcir os cofres da Prefeitura da cidade, entre 1989 e 1992, por conta do superfaturamento de uma empresa que ganhou todas as 34 licitações de recapeamento asfáltico do município.  Em 2013, o Tribunal de Justiça de São Paulo absolveu todos os condenados.

O Dr. Grizzo, havendo repórteres, seria um personagem interessante para eles.

Fernando Brito
No Tijolaço

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