25 de jul de 2016

O tucano Aloysio Nunes some no Caixa-2

É impressionante a capacidade da imprensa venal de abafar as denúncias que envolvem os falsos moralistas do PSDB, DEM e de outras siglas golpistas. Elas até aparecem em pequenas notinhas e logo somem da cobertura. Não são manchete e nem merecem acompanhamento nos dias seguintes. Em meados de julho, a mídia chapa-branca relatou que o tucano Aloysio Nunes, líder do covil de Michel Temer no Senado, foi denunciado pela segunda vez seguida por receber recursos do Caixa-2. Já no final de junho, o noticiário informou que o líder do DEM, o “ético” Agripino Maia, teria que devolver R$ 1 milhão aos cofres públicos. O cambaleante Aécio Neves e José Serra também foram citados em episódios recentes, mas logo sumiram das páginas do jornalões e das telinhas da TV. A manipulação midiática, que consiste em realçar o que interessa e omitir o que não interessa, como já ensinou o mestre Perseu Abramo, só engana mesmo os “midiotas”.

No caso do hidrófobo Aloysio Nunes, a denúncia teve como base a delação premiada do ex-diretor financeiro da UTC, Walmir Pinheiro. Ele relatou à Polícia Federal que a campanha do PSDB ao Senado em 2010 recebeu uma doação ilegal de R$ 200 mil — "em dinheiro vivo". Segundo o delator, o dinheiro foi entregue na sede da empresa em São Paulo para o advogado Marco Moro, que conheceu o tucano por volta de 1970, quando os dois, então perseguidos pela ditadura, estavam exilados na Europa. A mesma denúncia já havia sido feita pelo empresário Ricardo Pessoa, também da UTC, que deu detalhes sobre a doação através do Caixa-2 da campanha. A Folha e o Estadão até publicaram matérias sobre a segunda delação, mas o assunto explosivo já sumiu das suas páginas. Nas emissoras de rádio e tevê, os ácidos "calunistas" nem se dignaram a tratar do tema, blindando Aloysio Nunes.

A "pensão vitalícia" de Agripino Maia

Já o demo Agripino Maia, que adora postar fotos da sua presença nas marchas golpistas pela "ética", teve o seu nome metido em um novo caso suspeito pela enésima vez. No final de junho, o Ministério Público Federal do Rio Grande do Norte solicitou que ele devolva cerca de R$ 1 milhão por recursos recebidos irregularmente nos últimos anos. Presidente nacional do DEM, o senador recebe por mês R$ 64.234,11 dos cofres públicos. O valor é 90,2% acima do teto do funcionalismo, que atualmente é de R$ 33.763, e representa a soma do salário que recebe como congressista com a "pensão especial vitalícia" de ex-governador do Rio Grande do Norte (R$ 30,4 mil), que ele abocanha desde 1986.

Para o procurador Kleber Martins, "mais do que exótica, a mencionada pensão desmoraliza a própria noção de republicanismo, porque condenou o pobre povo potiguar a conceder a José Agripino Maia, por todo o resto de sua vida, um valor mensal equivalente às mais altas remunerações dos servidores estaduais". O pedido de reembolso virou notinha nos principais jornais do país. A Folha até lembrou que o falso moralista do DEM está metido em vários escândalos. "No Supremo Tribunal Federal, Agripino Maia é alvo de um inquérito que apura se o parlamentar negociou o pagamento de propina da empreiteira OAS durante a construção da Arena das Dunas, estádio em Natal usado na Copa do Mundo de 2014. O STF autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do senador". E nada mais!

Aécio e Serra viraram pó

Nos últimos meses, a mídia também noticiou novos casos sinistros envolvendo o vampiro José Serra e o cambaleante Aécio Neves. Numa notinha, Mônica Bergamo informou que "um novo personagem surge nas negociações das delações premiadas das grandes empreiteiras com a Operação Lava Jato: o ex-deputado tucano Márcio Fortes. Ele seria um dos interlocutores do ministro José Serra junto aos empresários... A repercussão que as citações a Serra podem ter preocupa o atual chanceler brasileiro. Além de conversar com mais de um grande advogado paulista sobre o assunto, ele acaba de contratar uma assessoria só para se dedicar ao tema". A denúncia, porém, logo foi abafada pela Folha serrista.

A mesma Mônica Bergamo, em matéria publicada em 14 de junho, levantou outra pauta-bomba sobre o blindado cacique do PSDB. "A OAS citou o senador e chanceler José Serra nas negociações para firmar acordo de delação premiada na Lava Jato. O tucano integra a lista de quase uma centena de políticos sobre os quais a empreiteira promete dar informações detalhadas de contribuições para campanhas eleitorais. Serra pode integrar também a delação da Odebrecht. Ele já aparecia na lista de mais de 200 políticos que foi obtida em operação de busca e apreensão na casa de um dos executivos da empresa. O chanceler sempre foi admirado na Odebrecht por pessoas do calibre de Pedro Novis, que antecedeu Marcelo Odebrecht na presidência da empreiteira. Novis vai depor na Lava Jato". Mas a pauta-bomba novamente foi arquivada e sumiu do noticiário. 

Já o cambaleante Aécio Neves, que também morre de medo da lista de propina da Odebrecht, voltou a ser notícia em outro caso exótico. Segundo matéria do jornal O Tempo, publicada em 10 de junho, a estatal Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais) fez parceria com uma firma do pai do senador, Aécio Ferreira da Cunha (1927-2010), quando o filho ainda era governador. Assinado em março de 2010, dias antes do tucano renunciar ao mandato para concorrer ao Senado, o contrato previa o pagamento de R$ 250 mil para a produção de feijão na fazenda de Cunha em Montezuma, no norte do Estado. A denúncia do jornal mineiro, porém, virou pó na mídia nacional. Não foi manchete nos jornalões, capa nas revistonas e nem motivo de comentários na TV Globo. Haja manipulação!

Altamiro Borges

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