16 de jul de 2016

Maia tinha acordo com PSDB para barrar CPI do Carf, diz deputado


Em seu terceiro dia como presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM) decidiu cancelar a prorrogação da CPI do Carf, ao rever a decisão de seu antecessor, Waldir Maranhão (PP), que havia concordado em ampliar em 60 dias o período de investigações. Na visão da liderança do PSOL, a medida foi feita para blindar empresários investigados por fraude fiscal.

De acordo com o despacho divulgado na tarde de sexta (15), a CPI terá mais 26 dias para concluir os trabalhos, sendo proibida a realização de oitivas no período — "o que livra os principais potenciais fraudadores da Receita Federal de serem investigados pela CPI", diz nota do PSOL.

Embora ainda precise ser referendada em Plenário, a decisão de Maia — que contraria a deliberação coletiva dos próprios membros da comissão — acontece no momento em que a CPI e a operação Zelotes estão em pleno funcionamento, e uma semana após o conselheiro do Carf João Carlos de Figueiredo Neto, representante da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), ter sido preso na semana passada chantageando o banco Itaú. 

"Rodrigo Maia já deixa sua marca de blindador das grandes empresas ao cancelar a prorrogação da CPI do Carf. Certamente, tem acordo com o PSDB e outros partidos. O PSOL denunciará manobra que visa proteger fraudadores da Receita Federal, que deveriam ser multados em bilhões de reais, muitos dos quais já estão indiciados e até denunciados", afirma o deputado Ivan Valente (PSOL).

O PSOL já havia apresentado na CPI do Carf diversos requerimentos convocando empresários envolvidos em escândalos da Operação Zelotes, inclusive André Gerdau, da Gerdau, e Luiz Carlos Trabuco, do Bradesco. "Outras empresas que estão sendo blindadas com a medida de Maia são Safra, Santander, RBS e algumas montadoras de veículos", diz a nota.

A Zelotes começou investigando fraude fiscal de uma série de empresas grandes, incluindo filiadas da Rede Globo, mas acabou direcionando parte dos seus trabalhos para apurar caso de corrupção envolvendo as empresas do filho do ex-presidente Lula.

No GGN

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