29 de jul de 2016

Estado de exceção envergonha o Brasil no mundo, diz Lula


O ex-presidente Lula disse, em entrevista ao uma rádio africana, republicada pelo Cafezinho na quinta (28), que o Brasil vive um estado de exceção, com o golpe do impeachment em curso e o cerceamento de defesa no âmbito da Lava Jato, uma vez que a mídia se aliou ao Judiciário para condenar previamente os investigados.

Na visão de Lula, esses problemas, principalmente o do ataque à democracia sem crime de responsabilidade fiscal por parte de Dilma Rousseff, estão sendo observados lá e essa situação "envergonha o Brasil no mundo".

O ex-presidente, que recorreu à ONU (Organização das Nações Unidos) também na quinta, alegando que a Lava Jato, na figura de Sergio Moro, está violando direitos humanos, disse também na entrevista que a elite brasileira só sabe o que é democracia quando está no poder. 

"(...) se nós pegarmos a indicação do Sarney pelo colégio eleitoral depois da morte do Tancredo Neves, 1985, nós temos 31 anos de democracia; se a gente pegar dia 5 de outubro de 1988, quando foi aprovada a Constituição, nós temos 28 anos de democracia. É muito novo. E parece que a elite brasileira não sabe viver democraticamente numa sociedade em que ela não governe. Ou seja, ela só acha que democracia é quando ela governa", disse Lula.

"Quando um partido como o PT ia completar 16 anos de governança, com uma mudança extraordinária na qualidade de vida do povo brasileiro, com uma evolução de conquistas da sociedade brasileira, eles resolveram então antecipar e dar um golpe como estão dando agora. Por isso, eu acho que nós estamos vivendo quase que um estado de exceção mesmo. Eu diria uma situação que envergonha o Brasil no mundo, porque o Brasil não está nem respeitando internamente a Constituição nem está respeitando a democracia", completou.

Lula ainda falou da perseguição jurídica que sofre há mais de dois anos, e apontou que mesmo com várias operações em busca de um crime para inviabilizá-lo para a eleição de 2018, nada foi provado até agora. Segundo o petista, a imprensa está nessa empreitada porque — comandada por uma elite de poucas famílias — nunca aceitou que o PT chegasse ao poder.

"E eles agora resolveram, na minha opinião até pra me jogar na lama, tentando todo e qualquer tipo de acusação contra mim, já faz dois anos e pouco que eles estão fazendo isso e até agora não conseguiram nada, mas continuam falando. E a imprensa toda sabe que isso faz parte de um jogo de tentar criar qualquer impedimento para que eu seja candidato à presidência em 2018. De forma que eu estou muito tranquilo. Quem tem que provar que eu cometi erros são eles, não sou eu que tenho que provar minha inocência. Eles que falaram, eles que provem algum erro que eu cometi tanto no governo como fora do governo."

Para Lula, a regulação da mídia, seguindo um modelo europeu de legislação, deve ser pautada pelo PT na próxima disputa presidencial. "Eu sei que tem gente que não quer e quem não quer são os donos. Mas a sociedade brasileira quer. Então nós vamos trabalhar muito pra isso. Pode ficar certo que vai fazer parte do programa do PT na próxima campanha eleitoral à presidência da República."

Estimulado a falar sobre o futuro do PT após o impeachment, Lula disse que espera que Dilma consiga os 28 votos necessários para reverter sua situação no Senado. Mas, se a derrota for consolidada, o partido terá de repensar como fazer oposição — sinalizando que poderá negociar algumas pautas com o governo interino de Michel Temer (PMDB) para evitar retrocessos.

"(...) nós vamos ter que ter paciência e esperar até o dia 28. Se não acontecer, nós vamos ter que aprender a fazer oposição outra vez no Brasil e fazer oposição com muita responsabilidade, muita consequência, porque nós não podemos permitir que haja nenhum retrocesso nas conquistas que o povo brasileiro teve nesses quase 14 anos de governo do PT."

Ouça a entrevista completa abaixo, ou leia aqui.



No GGN

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