2 de jul de 2016

Cunha recebia 80% da propina paga em esquema na Caixa, diz delator

Delação de Fábio Cleto embasou pedido de prisão de doleiro ligado a Cunha.
Em nota, peemedebista negou ter recebido 'qualquer vantagem indevida'.

Fábio Cleto, ex-vice-presidente da Caixa e delator da Lava Jato
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
O ex-dirigente da Caixa Fábio Cleto, um dos delatores da Operação Lava Jato, afirmou em depoimento ao Ministério Público Federal (MPF) que o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ficava com 80% da propina paga em suposto esquema para a liberação de recursos do Fundo de Investimentos do FGTS (FI-FGTS), administrado pela Caixa Econômica Federal.

A informação foi citada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em documento enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) no qual pediu a prisão do doleiro Lúcio Funaro, alvo da Operação Sépsis, uma nova etapa da Operação Lava Jato. Preso na ação, ele é apontado por delatores da Lava Jato e pela Procuradoria-Geral da República como operador de propina no esquema ligado a Cunha.

Por meio de nota divulgada pela assessoria Cunha negou ter combinado ou recebido qualquer vantagem indevida. "Desconheço o conteúdo da delação, porém quero desmentir com veemência os supostos fatos divulgados e desafio a provarem", afirmou o presidente afastado da Câmara (leia a nota na íntegra ao final da reportagem).

Na delação, Cleto afirmou que a propina paga representava 1% do valor dos contratos com recursos do Fundo de Investimentos do FGTS. A divisão deste valor era a seguinte, de acordo com o ex-dirigente da Caixa:

- 80% eram repassados a Cunha;
- 12% ficavam com Lúcio Funaro;
- 4% ficavam com Fábio Cleto;
- 4% eram repassados ao empresário Alexandre Margotto.

Segundo o delator, Lúcio Funaro usava as empresas de Margotto para movimentar valores.

"[Cleto disse] Que era Funaro o responsável por repassar a Margotto os valores que lhe eram devidos; [...] Que sabe que Funaro se utilizava das contas e empresas de Margotto para movimentar valores", diz termo da delação.

Por meio de nota oficial, a Caixa informou que não houve prejuízo ao FI-FGTS e que vai continuar ajudando nas investigações.

Por telefone, o advogado Daniel Gerber, que defende Lúcio Funaro, disse que ainda não tem conhecimento sobre os detalhes da operação pois não teve acesso aos documentos. “A única coisa que posso afirmar é que meu cliente (Lucio Funaro) é inocente e vamos provar que o delator Fabio Cleto mentiu em suas acusações”, disse.

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