16 de jul de 2016

Cinquenta por cento dos leitores da Folha têm QI abaixo da média

É espantoso que a Folha se exponha a tamanho ridículo. Manipular conclusões estatísticas com a sutileza de Alexandre Frota… ou de Moraes.

Imagine a seguinte situação, a Folha faz uma pesquisa com a pergunta: o que é melhor para o país, Temer continuar ou sair?

Em princípio haveria apenas duas opções, “continuar” e “sair”. Se 50% responderem sair, a Folha traria a manchete:

“Metade da população quer Temer fique”

Não, não é uma piada, foi isso mesmo que a Folha fez.

O truque? Manteve a opção “continuar” e subdividiu a opção “sair”.


Para quem quiser se aprofundar no assunto, indico o livro de Darrell Huff – “Como mentir com a estatística”. O livro é de 1954, mas como a Folha nos mostra, continua atual.

Lá o leitor vai encontrar outros truques, por exemplo, correlacionar como causa e efeito duas coisas que não necessariamente mantém tal relação.

Pela Folha, por exemplo, a temperatura influencia no índice de confiança dos brasileiros. Que se sentem mais seguros com a chegada do frio.

“Segundo nova pesquisa Datafolha realizada nos dias 14 e 15 de julho, em pleno inverno, os brasileiros estão mais confiantes em relação à queda da inflação, à diminuição do risco de ficar desempregados e ao aumento do poder de compra. Na comparação com fevereiro, alto verão, o Índice Datafolha de Confiança (IDC) registrou melhora em cinco dos sete indicadores que compõem o índice geral”.

Troque “alto verão” por Dilma Rousseff e “pleno inverno” por Michel Temer e você verá como o livro de Huff é um guia para se entender a Folha de São Paulo.

Eu apostaria que a confiança aumentou porque os jornais não mais tocaram no assunto crise em suas manchetes.

Pela Folha, ficamos sabendo que Michel Temer, vice-presidente no exercício da presidência há apenas 2 meses e a salvo de críticas tem o mesmo nível de aprovação que a presidente Dilma Rousseff após 6 anos de governo e desde 2013 sob forte bombardeio midiático negativo.

Uma péssima notícia para Temer com apenas 14% de aprovação. Dilma tinha 13% quando sofreu o golpe que a afastou temporariamente do exercício da presidência.

Mas a Folha trata de relativizar tal desastre. Como?

Apela para o índice de “regular”. Ora, 42% dos entrevistados consideram o governo Temer como regular. E “somente” 31% o consideram ruim ou péssimo.

A resposta regular deve ser vista sempre com muito cuidado. Pode simplesmente significar desconhecimento. Resposta que o entrevistado prefere dar para não dizer tão somente “não sei”.

Aliás, nada desprezíveis 13% disseram não saber opinar.

Além disso, 35% dos entrevistados não sabiam sequer que Temer era o presidente. Não se deixem enganar são 35% e não 33% os que desconhecem Temer. Mais um truquezinho da Folha.

Datafolha Temer 2 jul16

Qual a validade de perguntar a aprovação ou desaprovação de um desconhecido? E se você souber que além de desconhecido o índice dos que o conheciam o achavam bom e ótimo caiu 2 pontos percentuais desde a última pesquisa?

Essa é a conclusão que a Folha tenta escamotear: Michel Temer, não sei quem é. Mas que sabe não gosta dele.

PS.: esta Oficina executa trabalhos de reparo e manutenção de curvas normais.

Sérgio Saraiva
No Oficina de Concertos Gerais e Poesia

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