14 de jul de 2016

Após furacão Cunha, jeitão calmo de Rodrigo Maia

http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/apos-o-furacao-cunha-o-jeitao-calmo-de-maia/2016/07/14/

Conheci o jovem Rodrigo Maia durante a cobertura da campanha municipal de 2012, quando fui entrevistá-lo no Rio para a série produzida pelo R7 sobre os candidatos nas maiores capitais. Tive uma boa impressão dele. Muito atencioso, gentil, marcou nossa gravação para um hotel no centro da cidade, onde estava acompanhado de assessores e da sua candidata a vice, Clarissa Garotinho, como ele filha de político. Era a chamada "chapa dos herdeiros".

A três meses das eleições, vinha na rabeira das pesquisas numa campanha em que o prefeito Eduardo Paes era franco favorito para ser reeleito. Acabou tendo apenas 3% dos votos. Com seu jeitão calmo, pensando antes de falar, não é bom orador, parece mesmo tímido para um político, mas desde cedo se destacou nas articulações de bastidores, a ponto de se tornar presidente nacional do DEM com apenas 37 anos, em 2007, quando o velho PFL de seu pai, o ex-prefeito Cesar Maia, mudou de nome.

Aliado de Eduardo Cunha até outro dia, rompeu com o ex-presidente da Câmara este ano ao ser passado para trás na escolha do líder do governo interino de Michel Temer. No comando do então "centrão", Cunha apoiou outro nome, André Moura (PSC-SE), mas Maia não desistiu de alçar voos mais altos.

Na madrugada desta quinta-feira, Rodrigo Maia foi à forra: derrotou os dois por goleada, com 285 votos contra 170 de Rogério Rosso (PSD), candidato de Cunha e do "centrão", inicialmente apoiado também pelo Palácio do Planalto. Candidato do bloco da antiga oposição (PSDB-DEM-PPS-PSB), foi comendo pelas bordas. Buscou apoios em todos os partidos, inclusive na nova oposição liderada pelo PT e, no final, acabou sendo também o candidato do governo, que comemorou a sua vitória.

É um bom sinal: após o furacão Cunha, que declarou guerra ao Executivo desde o primeiro dia, criando um clima de confronto permanente, vamos ter agora um presidente da Câmara com perfil exatamente oposto ao do que saiu, como já ficou claro nas primeiras declarações tranquilizadoras de Maia após a vitória:

"Fui muito criticado, no início, porque dialogava com a esquerda, mas essa Câmara precisa de diálogo. Quem não quer oposição quer calar a democracia".

Maia tem razão: diálogo e um pouco de paz é tudo o que o Brasil precisa neste momento.

Eduardo Cunha agora é apenas uma alma penada vagando pela Câmara tentando adiar a sua cassação.

Vida que segue.

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