6 de jul de 2016

A Morte e A Morte da Democracia Brasileira — 3ª parte‏

O GOL DE GOLBERY:

GOLPE DA DITADURA OU DITADURA DO GOLPE?


Nos capítulos anteriores vimos que a democracia brasileira nasceu 56 anos após a implantação da República por golpe de estado contra a Monarquia. 41 anos de ditadura feudal ou coronelista mantida pelo voto de cabresto + 15 anos de ditadura Vargas. Viveu apenas 19 aninhos e foi assinada por um golpe civil-militar em 1964, para renascer em... Terá mesmo sido em 1985 como registrou Latuff?

General e geopolítico da instalação da ditadura militar, Golbery do Couto e Silva afastou-se do governo com o golpe à Castelo Branco para promoção de Costa e Silva à presidência, mas não por acaso foi contratado como presidente da norte-americana Dow Chemical no Brasil.

Golbery era o principal teórico da doutrina de segurança nacional elaborada pela ESG – Escola Superior de Guerra. E para o que entendia como segurança da pátria, criou o SNI – Serviço Nacional de Informações.

Que pátria?

Ou qual segurança? Como um estrategista em “segurança da pátria” pode presidir uma grande empresa estrangeira interessada no mais estratégico e valorizado patrimônio econômico de uma pátria? A que pátria defendiam Golbery e demais golpistas em 1964?

Companheiro de farda, patente e golpismo udenista, o General Juracy Magalhães explicava que “O que é bom para os Estados Unidos, é bom para o Brasil”, mas para quem foi boa a dívida brasileira de 100 bilhões de dólares ao final da ditadura instaurada pelo golpe de 64?

Talvez se compreenda melhor a qual pátria Golbery assegurava, sabendo que a partir de 1944 sua formação militar se deu no Fort Leavenworth War School, instituição dos EUA que em função da Segunda Guerra Mundial se tornou educadora das principais lideranças dos golpes que a partir dos anos 50 ocorreram pelo mundo, sobretudo na América Latina.

E todas com o mesmo mote pelo qual se apoiou a ascensão e evolução do exército de Hitler: conter a expansão da União Soviética quando ainda se restringia apenas às fronteiras da era apenas as fronteiras da Rússia. O próprio presidente Franklin Delano Roosevelt teve muita dificuldade para convencer seus compatriotas políticos e capitalistas a combater o nazismo e o jornalista estadunidense Michel Moore conta que a família Bush continuou financiando o inimigo, mesmo depois de seu país haver guerra à Alemanha.

Se nem os capitalistas dos Estados Unidos têm pátria, permanece a questão: qual pátria asseguraram os golpistas de 64?

Stálin expandiu as fronteiras do comunismo soviético por todo o leste europeu durante a guerra para desalojar as forças nazistas, mas na mesma guerra e pelos mesmos motivos bem mais se expandiram as fronteiras do capitalismo ianque. A única diferença é que no pós-guerra, os soviéticos se limitaram a manter o leste europeu e o domínio dos EUA se ampliou por todo o resto do mundo, através de mais guerras e golpes de estado.

Não foi a União Soviética que levou o comunismo para a China em 1949. Os chineses transformaram o segundo maior território nacional do mundo na primeira nação comunista não integrada ao bloco soviético por resolução revolucionária.. Apesar de vizinha a Rússia, a China se fez e se mantem comunista e independente até hoje.

Para os EUA a China foi à primeira confirmação de que se o capitalismo não exterminar o comunismo, será engolido por comunistas brotados dentro do próprio capitalismo. No entanto, depois da China a expansão internacional do comunismo tem se dado mais por interferência dos EUA do que pela União Soviética.

O primeiro exemplo de nação que os EUA incentivaram a se assumir como comunista, foi a Coreia do Norte.

Em 1945, na Conferência de Potsdam, EUA e URSS acordaram um ataque simultâneo à ocupação japonesa na Coreia. Soviéticos pelo norte, ianques pelo sul, estabeleceram o paralelo 38º como fronteira de ocupação de ambos os exércitos. E ali mesmo resolveram que somente se manteriam na Coreia até 1948, tempo previsto para que a normalidade coreana se restabelecesse e desenvolvesse um governo próprio, autônomo e independente.

Os soviéticos cumpriram o acordado e nunca mais voltaram nem mesmo para auxiliar os norte-coreanos contra os ataques do general Douglas MacArthur quando, em 1950, os EUA resolveram unificar o país sob seu exclusivo domínio.

Ainda se refazendo da invasão japonesa num dos mais cruéis episódios às vésperas e durante a II Guerra, seguido da revolução civil que implantou o comunismo no ano anterior, a China também se limitou a enviar suprimentos aos coreanos. Sem qualquer resistência à altura do poder de seu exército, MacArhur tomou Pyongyang, a capital norte-coreana. O entusiasmo da vitória levou o general a acreditar haver chegado o momento de tirar Mao Tse Tung do poder e invadiu a fronteira chinesa.

Só então o exército comunista chinês reagiu e com apoio de suprimentos soviéticos reagiu e participação dos norte coreanos, nos dois anos seguintes empurraram os norte-americanos para o paralelo 38º que eles mesmos acordaram como limite de ocupação.

Nunca mais as Coreias se uniram, mas enquanto a do norte avança a passos largos pela era atômica, a Coreia do Sul, como também Twain e Japão, cada vez mais estreitam laços comerciais com a China que continua comunista.

Desde o século XVIII até os índios dos Estados Unidos sabem bem qual é a grande ameaça expansionista do mundo que não respeita sequer o que ela própria propõe. Mas a partir dos anos 50 se construiu no imaginário popular o pavor de um comunista a espreita em cada esquina, pronto para atacar na calada da noite. Usam a intolerância e tirania de Stálin como característica inerente a todo comunista, como se os ditadores que os EUA impõem ao mundo para representar seus interesses fossem exemplos de candura.

Embora o ditador cubano Fulgêncio Batista não fosse menos tirânico, sem dúvida Stálin não foi tão corrupto nem promoveu tanta miséria em seu próprio país. O próprio Congresso dos EUA acusava Batista de corrupção e associação à Máfia para promoção do tráfico de drogas e manutenção de empresas de prostituição.

“Enquanto a América dormia...” era o título de antiga matéria da vetusta “Seleções do Reader’s Digest”, um dos veículos de propaganda ideológica do doentio “american way of life”. Mas claro que a revista não contava que a primeira providência de Fidel Castro após consolidar a deposição de Batista, foi viajar aos EUA para solicitar o apoio do presidente e general Dwigth Eisenhower para a reconstrução político/econômica de Cuba.

Ao contrário das pretensões de Fidel, Eisenhower financia e apoia ataques terroristas de partidários de Batista e do ditador da República Dominicana, Rafael Trujillo, também apontado como dos mais sanguinários e corruptos tiranos da história do continente latino-americano.

Derrotados, os terroristas são julgados, condenados e executados como traidores da pátria e do povo cubano. Alguns praticavam escravagismo, muitos exploravam o lenocínio e sistematicamente cometiam estupros. Quase todos, autores de múltiplos homicídios. Delinquentes e criminosos políticos e sociais transformados em mártires pela imprensa ocidental. E por condená-los à morte como sempre se fez no próprio EUA, aos libertadores de Cuba acusaram de assassinos.

A expansão dos EUA sobre as Antilhas se deu muito antes da Grande Guerra mundial, já no processo de independência daqueles países. Em 1901 impõem à primeira Constituição de Cuba a Emenda Platt que previa aos Estados Unidos o direito de intervenção no país sempre que o desejasse. Ou seja, como as demais ilhas do Caribe, Cuba deixou de ser colônia espanhola para se tornar colônia norte-americana.

Para manter essa situação Eisenhower iniciou os preparativos para a Invasão da Baía dos Porcos, executada 3 meses após a pose de seu sucessor John Fitzgerald Kennedy, em 1961.

Assessores daquele governo relatam que JFK foi pressionado a autorizar a execução do projeto de Eisenhower, mas conseguiu proibir a participação das forças aéreas dos EUA que teve de treinar cubanos para atacarem o próprio povo e país. A derrota da frota naval e aérea para a ex-colônia caribenha encheu os norte-americanos de ódio e desprestígio enquanto a Fidel e ao mundo ficou claro que o Tio Sam não dormiria até retomar o domínio sobre a Ilha, validando a decisão de procurar o apoio soviético através de negociação da produção açucareira em troca de mísseis nucleares que intimidaram novas pretensões de ataque militar.

Portanto a Crise dos Mísseis, tão valorizada pela imprensa ocidental como ameaça a eclosão de uma guerra nuclear mundial, não foi provocada por uma ousadia do bloco soviético para expandir-se à América Latina, e sim pela expansão do imperialismo ianque que no XIX promoveu o mais longo genocídio da história da humanidade ao toque da corneta da Cavalaria do Exército dos Estados Unidos em ataque às indefesas tribos nativas.

Mas a aliança de Fidel com a União Soviética não indispôs apenas os Estados Unidos que acuado pelos mísseis nucleares acabou aceitando acordo de não interferência. Comunista e um dos principais comandantes da revolução, com Che Guevara não houve acordo e após calorosa discussão com os irmãos Castro, sobretudo com Raul Castro segundo testemunhas oitivas, deixou a Ilha para não mais voltar.

Segundos companheiros e contemporâneos, se Che Guevara não fosse assassinado na Bolívia o seria pela CIA ou sua correspondente soviética NKVD, pois desde conferências comunistas internacionais realizadas na África, Guevara acusava a domínio imperialista da União Soviética e sabia que cobraria alto preço pela proteção contra a ganância dos Estados Unidos que mais uma vez não respeitou o acordo de não interferência em Cuba e manteve atentados terroristas como o que em 1976 matou 73 passageiros da companhia Cubana de Aviación, em maioria integrantes de uma equipe esportiva juvenil. Segundo o Guinnes Book, Fidel Castro é o recordista mundial como sobrevivente de atentados à vida. 638, todos promovidos pela CIA.

O fim da União Soviética comprovou que Guevara tinha razão, pois tudo o que ele próprio desenvolvera como Ministro da Indústria e presidente do Banco Nacional de Cuba, estimulando a produção agropecuária, foi transferido para a Rússia. Por outro lado, se Fidel não aceitasse a aliança da Rússia assumindo o regime comunista, sua Ilha tornaria a ser o prostíbulo e covil de corruptos e mafiosos que Eisenhower tanto desejou manter a qualquer custo. Mas com o fim do comunismo na Rússia de fato a fome rondou a Ilha para gáudio da imprensa ocidental que mais uma vez omitiu a responsabilidade do criminoso bloqueio econômico imposto pelo imperialismo dos EUA.

Resistindo à fome imposta pela permanente ameaça da vizinha potência capitalista, mesmo sem qualquer apoio externo, por si a consciência do povo cubano impediu a expansão do imperialismo sobre a Ilha e hoje é exemplo mundial em medicina e sistema de ensino, contribuindo com programas internacionais de alfabetização e atendimento público de saúde inclusive de nações capitalistas, como as do Reino Unido. E por fim, após 60 anos, o próprio Estados Unidos negocia o reatamento de reações diplomáticas com o mais pró soviético dos lideres da Revolução de 59: Raul Castro.

Apesar de desmoralizar-se na Coreia e em Cuba, mais tarde também no Vietnã, entre as décadas de 60 até o final do século a prepotência opressiva do capitalismo internacional liderado pelo governo dos Estados Unidos obteve a aliança de militares, políticos e corruptos em geral da América Latina. Foi então que o general Golbery do Couto e Silva atuou nas sombras como arquiteto do governo imposto em 1964.

Entre as hostes militares do golpismo, Couto e Silva era um intelectual e Costa e Silva um boçal. Para a percepção civil não havia muita distância entre um e outro, mas os gaúchos não se bicavam e Golbery se afastou acumulando ao cargo de general do exército brasileiro o de executivo da Dow Chemical, até ser chamado pelo general Ernesto Geisel quando o primeiro Democrata depois de Kennedy é eleito à presidência dos EUA. Antes mesmo da posse, Jimmy Carter avisara que não toleraria as sanguinárias ditaduras latino-americanas.

A primeira-dama Rosalyn Carter visitou Recife em 1977 e em seu relatório de viagem ao Departamento de Estado do governo do marido reproduziu as denúncias de torturas a presos políticos. Em razão desses crimes contra os direitos humanos Carter suspendeu cinco acordos militares com o Brasil e no ano seguinte ele próprio veio dar um recado a Geisel através de discurso público: “Hoje estamos todos unidos num esforço global em prol da causa da liberdade humana e do Estado de Direito”.

Puxão de orelha mais evidente só se Carter arrancasse as duas de Geisel, mas a imprensa brasileira recorreu ao velho jogo do “faz de conta que não entendi”. O jornal O Estado de São Paulo, por exemplo, ainda hoje chega a relembrar o episódio afirmando que “Sob os olhos atentos da mídia, o presidente norte-americano Jimmy Carter chegava ao Brasil, em 29 de março de 1978... a expectativa de que Carter demonstrasse uma posição firme frente às violações aos direitos humanos, cometidas pelo regime militar, foi frustrada.”

Apesar dos olhos atentos, o raciocínio da imprensa brasileira sempre foi míope, pois mesmo que a família Mesquita, uma das oligarquias do monopólio da mídia implantado pela ditadura, tenha de fato se arrependido de haver apoiado o golpe de 64, não haveria como Carter mandar invadir o continente para depor as ditaduras implantadas pelos Republicanos desde Lyndon Johnson que, apesar de Democrata, perdera as prévias de seu partido à própria sucessão para Robert Kennedy.

Bob Kennedy que rompera com Johnson em razão do envio de tropas ao Vietnam, contrariando as intenções do irmão assassinado (pela CIA, segundo informações extraoficiais baseadas em conclusões lógicas). Com a morte de Kennedy e a ascensão de seu vice, além do golpe militar no Brasil também se precipitou a guerra que JFK pretendeu evitar.

Indubitavelmente Bob Kennedy seria o sucessor de Johnson, mas é igualmente assassinado em 1968, alguns dias depois de ele mesmo anunciar o assassinato de Marthin Luther King. Portanto, os métodos de expansão da ideologia capitalista não podem ser acusados de promoção de golpes e assassinatos apenas em relações externas.

O Republicano Richard Nixon venceu as eleições e naquele mesmo ano de 1968 o AI-5 lança a pá de cal sobre o cadáver da democracia brasileira.

Difícil comprovar a influência das sucessões presidenciais nos Estados Unidos sobre os países da América Latina e, talvez por isso mesmo, Golbery foi bastante previdente ao projetar o retorno do pluripartidarismo brasileiro para evitar futura concretização de efetiva liberdade democrática.

Entre diversas outras providência negou a Leonel Brizola a legenda da qual foi um dos fundadores e inequivocamente maior liderança. O general repassou a mais tradicional representação partidária trabalhista, o PTB, à Ivete Vargas.

Ivete era filha de uma sobrinha de Getúlio Vargas, pelo que conseguiu projeção no diretório de São Paulo nos anos 50, mesmo sem manter maiores relações com o tio-avô. Agraciada por Golbery fez do partido uma legenda de aluguel, comportamento mantido ainda hoje, sem qualquer relação com as origens trabalhistas e nenhuma significativa liderança popular.

Obrigado a criar novo partido, o PDT – Partido Democrático Trabalhista, Brizola manteve-se fiel ao nacionalismo getulista e a nova legenda prosseguiu representando os interesses dos trabalhadores até sua morte em 2004. Apesar de dissenções internas e participação até de integrantes da União Ruralista (latifundiários de extrema direita), alguns do partido ainda relutam em preservar os ideais de Getúlio e Jango que, mesmo também sendo fazendeiro, pretendia a Reforma Agrária.

Se Golbery desmantelou a sigla PTB, por outro lado não pode evitar a criação do PT – Partido dos Trabalhadores. No entanto o PT não era motivo de preocupação para o general porque então ninguém considerava que um operário alcançaria alguma significação e respeito político. Luís Ignácio Lula da Silva era compreendido apenas como um popular com pretensões políticas que, no máximo, viria a ser útil como cabo eleitoral.

Afora Brizola que ironizou os que esperavam de FHC um príncipe, avisando que teriam de engolir um sapo barbudo; todos os experientes políticos brasileiros não reconheciam futuro a Lula, mas 3 décadas depois a mais conceituada universidade de ciências políticas da Europa Ocidental, a Sciences Po de Paris criada em 1872, concede o 16º título de doutor honoris causa de sua secular história ao primeiro latino-americano reconhecido pela instituição: Luís Ignácio Lula da Silva.

Outra aparente bola fora do experiente general foi a de tentar agregar a antiga UDN, que durante a ditadura se transformou em ARENA, na sigla PDS – Partido Democrático Social.

Não deu certo. Logo depois uma dissenção entre as lideranças de Paulo Salim Maluf e Antonio Carlos Magalhães se desdobra em duas siglas, surgindo o PFL – Partido da Frente Liberal, que em 2007, após a fracassada tentativa de golpe ao governo Lula no episódio do Mensalão, quando Jorge Bornhausen afirmou que acabariam com o PT pelos próximos 30 anos, tornou-se DEM – Democratas.

Depois de nova dissenção com ACM, Bornhausen participa da criação do PSD – Partido Social Democrático, sem qualquer relação com o antigo PSD criado em 1945 por getulistas contra os quais fizeram oposição e reiteradamente tentaram golpes como UDN. Mas os desse novo PSD se reivindicam como homenagem à Juscelino Kubistchek, embora muitos, como Jorge Bornhausen, tenham tentado impedir a posse de Juscelino quando eleito no primeiro período de vida da democracia brasileira.

No entanto, nas últimas eleições presidenciais Bornhausen também já deixou o PSD para apoiar Marina Silva pela sigla PSB – Partido Socialista Brasileiro, refundada em 1985 e que teve como principal liderança o mesmo Miguel Arraes torturado e cassado pelo governo da ARENA de Bornhausen.

Depois do PDS a facção malufista da antiga ARENA fundiu-se ao PDC - Partido Democrático Cristão, também recriado em 1985. Mas foi mero abrigo passageiro, pois em 1993 já criaram o PP – Partido Progressista.

Em verdade a sigla PP já fora usada pelo previdente Golbery em 1985, num verdadeiro drible às previsíveis divergências entre os sequiosos jogadores do próprio time. Conhecia-os bastante bem e sabia que sem o controle dos treinadores militares, a ex ARENA e então PDS se diluiria.

Recuperando as bolas foras, Golbery driblou as composições partidárias criando o primeiro PP, com o qual reuniu rescaldos significativos do jogo político: tanto antigos getulistas como Tancredo Neves quanto velhos udenistas como Chagas Freitas que em 64 não ingressou na ARENA por indisposição à Carlos Lacerda. Mas Chagas Freitas foi o único do MDB indicado duas vezes como interventor estadual pela ditatura militar: GB de 1971 a 1975 e RJ de 1979 a 1983.

No entanto o PP de Golbery foi apenas uma finta. Sem qualquer representatividade, em 1981 já era incorporado pelo PMDB – Partido do Movimento Democrático Brasileiro.

Os 21 anos de ditadura evidenciaram a Golbery a insustentabilidade da convergência dos altos interesses entre os da ARENA e amplitude da abertura do MDB às divergências de mesquinhos interesses oportunistas, hoje bem mais vultosos como os de Cunha e Temer.

Depois foi só transferir José Sarney, presidente da ARENA, para o PMDB como vice de Tancredo Neves. Estava feito o gol de Golbery, que de estrategista do golpe da ditadura passou a estratégia da ditadura do golpe para permanente derrota da democracia.

Golaço do general Golbery, o artilheiro da Dow Chemical. Nem era preciso a morte do Tancredo, pois com Tancredo ou sem Tancredo a derrota da democracia estava garantida e outros craques do time virão para dar olé no eleitorado brasileiro.

Aguardem!

Raul Longo



Leia também:

A Morte e A Morte da Democracia Brasileira — 1ª parte (de Getúlio à Jango)

A Morte e A Morte da Democracia Brasileira — 2ª parte

A Morte e A Morte da Democracia Brasileira — 4ª parte‏

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