19 de jul de 2016

‘A mídia social engoliu não apenas o jornalismo, mas tudo’: o risco das redes sociais para as notícias

 'A mídia social engoliu não apenas o jornalismo, mas tudo', disse Emily Bell
‘A mídia social engoliu não apenas o jornalismo, mas tudo’, disse Emily Bell
Editora chefe do Guardian volta a mencionar o risco das redes sociais para as notícias

Recentemente, em um almoço para anunciantes, Katharine Viner falou sobre o perigo representado pelo avanço das redes sociais no território das notícias. Esta semana, ela escreveu um longo artigo em seu jornal voltando ao tema, do qual publicamos alguns trechos.

“Hoje, estamos em meio uma série de batalhas confusas entre forças opostas: entre verdade e falsidade, fato e rumor, gentileza e crueldade, entre os poucos e os muitos, os conectados e os alienados, entre a plataforma aberta da web como seus arquitetos a pensaram e os recintos murados do Facebook e outras redes sociais, entre um público informado e uma massa enganada.

“O que é comum nestas lutas, e o que torna sua resolução uma questão urgente, é que todas envolvem a diminuição do status da verdade. Isto não significa que não há verdades. Significa simplesmente, como este ano tornou muito claro, que quando não existe consenso sobre a verdade e como conseguí-la, o que se segue é o caos.

“Cada vez mais, o que conta como fato é meramente um ponto de vista que alguém acredita verdadeiro, e a tecnologia tornou muito fácil para que estes “fatos” circulem com uma velocidade e alcance inimagináveis no tempo de Gutenberg (ou mesmo há uma década).

“Na era digital, é mais fácil que nunca publicar informação falsa, que é rapidamente partilhada e tomada como verdadeira, como vemos frequentemente em situações de emergência.

“O Facebook, lançado em 2004, tem agora 1.6 bilhão de usuários no mundo. Tornou-se a forma dominante para as pessoas encontrarem notícias na internet — e de fato é dominante de formas que teriam sido impossíveis na era dos jornais. Como escreveu Emily Bell, ‘a mídia social engoliu não apenas o jornalismo, mas tudo. Campanhas políticas, sistemas bancários, histórias pessoais, indústria do lazer, varejo, e mesmo governo e segurança’.

“Bell, diretora do Tow Centre for Digital Journalism na Universidade Columbia,  sublinhou o impacto sísmico da mídia social para o jornalismo. “Nosso ecossistema de notícias mudou mais dramaticamente nos últimos cinco anos que talvez em qualquer  momento nos últimos quinhentos”, ela escreveu em março. “O futuro das notícias está sedo colocado nas mãos dos poucos, que agora controlam o destino dos muitos. Editores de notícias perderam o controle sobre a distribuição de seu jornalismo, que para muitos leitores agora é filtrado através de algoritmos e plataformas opacos e imprevisíveis. Isto significa que empresas de mídia social tornaram-se esmagadoramente dominantes em determinarem o que lemos — e enormemente rentáveis com a monetização do trabalho dos outros”.

Jornais vão automatizar mais vídeos para redes sociais

Como os jornais farão para ter publicidade em vídeo, mais lucrativa, e sucesso  em redes sociais como o  Facebook? Encomendando a produção de muitos deles, ao ponto da automação quase total.

Hoje duas grandes empresas fazem este tipo de serviço: Wochit and Wibbitz, ambas com escritórios em Nova York e Tel Aviv (a primeira também em Londres). Elas têm clientes como Hearst, Gannett, Weather Channel, Time Inc., CBS Interactive, The Huffington Post e Rotten Tomatoes, para os quais produzem conteúdo local.

Ambas trabalham com automação de maneira parecida. Analisam texto e depois automaticamente encontram fotos ou videoclips para acompanhá-los, geralmente de fontes como Associated Press e Getty Images. Isto permite a produção em massa com custos viáveis. O grau de intervenção humana  no processo depende da vontade do cliente.

Os clientes da Wochit fazem cerca de 30 mil vídeos por mês, número que dobrou desde janeiro. A Wibbitz diz ter agora o dobro de clientes que tinha no começo do ano, e o número de vídeos publicados usando o software da empresa aumentou mais de seis vezes no mesmo período, informa o New York Times.

Nova ferramenta do Snapchat vai atrair editores

O Snapchat lançou no começo de julho o Snapchat Memories, que vai pemitir a usuários salvar e partilhar snaps e outras fotos e vídeos que salvaram em seus telefones.

Segundo alguns, o Memories vai tornar o Snapchat mais viciante, mas outros afirmam que vai destruir sua espontaneidade. De qualquer forma, a nova funcionalidade vai provavelmente mudar o modo como as organizações de notícias usam o app.

Com o Memories, usuários podem salvar e editar seus snaps e depois reenviá-los para outros usuários ou acrescentá-los à sua Snapchat Story. Podem também agora fazer upload de fotos e vídeos que fizeram fora do Snapchat. Mas fotos e vídeos em upload como histórias ou snaps têm uma marca de tempo para mostrar quando foram originalmente feitos.

Jennifer Chang, editora da Quartz, diz ao Nieman Lab não saber ainda o que dizer do Memories, mas acha que pode complementar seu trabalho, por exemplo, levando sua audiência a um local, mostrar algo interessante e depois ter a capacidade de retornar ao local para reviver a história.

José Eduardo Mendonça
No DCM

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