18 de jul de 2016

A Folha e as regras do jogo

Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma – Joseph Pulitzer.

No final de junho, Lauro Jardim antecipou os resultados da pesquisa CNI-IBOPE sobre avaliação de Temer ainda durante a fase de coleta de dados. Traria um aumento do índice de “regular” e consequente redução do índice de “ruim e péssimo”. O blog Tijolaço repercutiu a informação denunciando-a como um escândalo. Veio a pesquisa e os índices de Temer haviam piorado. Quinze dias depois, a pesquisa da Folha traz os resultados que Lauro havia dito que a pesquisa IBOPE traria. Duas pesquisas, duas amostras diferentes, uma coincidência incômoda.

No entanto, a impropriedade na interpretação dada pela Folha aos resultados da pesquisa é gritante e mesmo a forma dos dados pode ser no mínimo questionável.

A divulgação dos resultados em manchete tratou-se antes de uma declaração de apoio da Folha ao governo interino de Michel Temer.

O apoio aberto a Temer é uma radical mudança de posição da Folha que mês e meio atrás dizia em editorial ”Nem Dilma, nem Temer”.

Que o apoio se dá ao nível da direção do jornal basta uma leitura do caderno “Opinião” de hoje para que não restem dúvidas. Os empregados já estão alinhados com a orientação do proprietário.

Os motivos que levaram o jornal a tal guinada a própria Folha não teve o cuidado de explicitar aos seus leitores. Motivos para a mídia mainstream fazer oposição a Dilma não faltaram. Mas e para apoiar Temer, quais seriam?

Esperemos que a mudança de opinião da Folha em relação a Temer não tenha se dado em um daqueles encontros de fins de semana entre o presidente interino e senhores ilustres que adentram o Palácio em horas noturnas e pelas portas laterais.

Houve um acordo, quais os termos do acordo?

Quem deseja alguma luz sobre isso basta ler o editorial da Folha de 18 de julho de 2016 — ”A próxima reforma”. Trata de patrões bonzinhos enfrentando sindicalistas malvados e da necessária proteção a ser dada aos primeiros.

Esta Oficina defende que é direito da Folha se posicionar em apoio ao governo Temer e fazer oposição a Dilma e ao PT. Por mais ilegítimo que o governo Temer seja, por mais que o impeachment de Dilma seja um golpe. Paga o preço de ambas as posições a cada exemplar do jornal que é comprado ou deixado de lado nas bancas.

Só não pode brigar com os fatos ou faltar em deixar claras as razões de seu apoio, da sua oposição e das suas mudanças de posição.

São as regras do jogo jornalístico.

Sérgio Saraiva
No Oficina de Concertos Gerais e Poesia

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