27 de jul de 2016

63,3% são contra a privatização da Petrobrás


Dois de cada três brasileiros ou brasileiras são contrárias a privatização da maior empresa nacional, segundo enquete recém divulgada pelo Paraná Pesquisas. Ou seja, se a venda da nossa estatal do petróleo participasse do Brasileirão Série A, o aproveitamento do entreguista Temer — 31,1% aceitariam doar a companhia — estaria na zona de rebaixamento, ocupando o 19º lugar, acima apenas do América-MG.

Os mais céticos irão questionar, com razão, os números do instituto de pesquisa paranaense depois da lambança que o Grupo Folha arrumou com sua última consulta (uma fraude absurda desmascarada por uma tabelinha perfeita entre o Tijolaço e o The Intercept) que fez qualquer cidadão ou cidadã duvidar o quão verossímil é uma representação quantitativa de vontades.

Todavia, tão rápida quanto uma chama a consumir um conjunto de pneus no chão, a resposta do mundo material a essa investigação legítima sobre a veracidade ou não da análise apresentada veio das ruas: manifestações de petroleiros e petroleiras que, em conjunto com outros movimentos sociais, uniram combustível e comburente à fonte de calor eterna da resistência de classe.

De Norte a Sul do Brasil, os sindicatos de trabalhadores e trabalhadoras do setor petróleo deram uma amostra do que o governo golpista de Michel Temer irá enfrentar ao contrariar a vontade popular de ter o petróleo a serviço da soberania nacional e da população brasileira. Além de estradas foram fechadas em pontos importantes como Macaé, a capital nacional do petróleo, e na movimentada BR-101, na Bahia, foram feitas, também, fortes mobilizações nas principais unidades da Petrobrás em diversos outros estados da federação. 

Ademais, vale ressaltar que as entidades sindicais não participaram sozinha dessa empreitada contra o entreguismo do trio Temer/Serra/Parente, contando com a luta dos estudantes e dos movimentos da via campesina como o MST e o CONTAG. Proporcionando, assim, uma amostra clara que o desmonte da Petrobrás é um assunto de todo o povo brasileiro e que não ficará imune as investidas perversas de uma direita que se assanha em alienar os recursos naturais tupiniquins desde que os portugueses tomaram nossas terras dos nativos indígenas.

Seja na refinaria, na fábrica de fertilizantes, em unidades de tratamento de óleo e gás ou termoelétricas. Seja nas plataformas em alto mar, nos centros de pesquisa, navios transportadores e postos de gasolina. Seja em qualquer lugar que tenha o valor agregado, da prestadora de serviço especializado ao mercado local aquecido: onde houver a cadeira produtiva do petróleo no país, em forma de emprego ou tecnologia, há de arder uma chama de resistência que entreguista nenhum conseguirá apagar.

Tadeu Porto é diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (SindipetroNF)

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