8 de jun de 2016

Temer sabe, de fato, lidar com bandidos


 
Duas semanas após tomar de assalto o Palácio do Planalto, o Judas Michel Temer mostrou-se irritado com as críticas ao seu governo interino. Segundo o noticiário, durante uma reunião com os deputados golpistas, em 24 de maio, ele deu um "tapa na mesa", jurou que sabe governar e disse que "já tratou com bandidos". Nesta semana, depois de uma enxurrada de denúncias de corrupção contra vários dos seus ministros, Michel Temer mostrou que, de fato, sabe lidar com os mafiosos, Ele manteve no seu governo todos os metidos em escândalos. Até a mídia chapa-branca, que apostava em mudanças para tentar embelezar a imagem do "golpe dos corruptos", ficou desconcertada com a postura do interino.

A reunião que manteve a boquinha dos ministros ocorreu nesta segunda-feira (6). Segundo o Jornal do Brasil, "o presidente interino decidiu manter nos cargos o ministro de Turismo, Henrique Eduardo Alves, e o advogado-geral da União, Fábio Osório, apesar das polêmicas envolvendo os dois nomes. A decisão foi tomada após reunião no Palácio do Jaburu com os ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, e da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima... Além destes dois nomes, há ainda as polêmicas envolvendo a secretária de Mulheres, Fátima Pelaes, suspeita de integrar uma 'articulação criminosa'. Com relação a ela, o presidente interino ainda não tomou uma decisão definitiva".

Diante da surpreendente decisão, a Folha tucana publicou um editorial complacente, questionando de leve a atitude do presidente ilegítimo. "Verdade que o país patina numa crise econômica cuja solução depende de certa estabilidade política. Esta, contudo, precisa ser conquistada pelo esclarecimento de todas as suspeitas e pela punição dos responsáveis". Já um de seus colunistas, Bernardo Mello Franco — que tem destoado da linha editorial do jornal —, foi mais debochado na crítica à postura do golpista. 

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Freio na guilhotina

Bernardo Mello Franco - 07/06/2016

O governo interino começou a semana com mais cabeças a prêmio. Segunda de manhã (6), os candidatos à degola eram três: o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves; a secretária da Mulher, Fátima Pelaes; e o advogado-geral da União, Fábio Medina Osório.

Alves voltou à mira da Lava Jato com a divulgação de um documento em que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o acusa de receber verbas do "esquema criminoso montado na Petrobras".

Pelaes foi atingida por uma investigação sobre desvio de emendas parlamentares. Osório não sofreu acusações, mas virou alvo de intrigas no Planalto e no Jaburu.

Brasília amanheceu à espera de que Michel Temer demitisse ao menos um dos três auxiliares. Apesar da expectativa, o dia terminou sem demissões. O presidente interino preferiu guardar a lâmina e não depositou nenhuma cabeça na bandeja.

Foi uma mudança de atitude em relação às últimas duas semanas, quando os ministros Romero Jucá e Fabiano Silveira perderam os cargos ao aparecer em grampos da Lava Jato. Desta vez, Michel Temer arquivou a promessa de ser "implacável" e preservou o emprego dos subordinados.

O presidente foi aconselhado a aliviar por dois motivos. Por um lado, a série de demissões reforçava a ideia de que ele não é capaz de garantir a estabilidade que faltou a Dilma Rousseff. Por outro, os partidos estavam começando a se insurgir contra a fritura de seus indicados.

Como o governo está cheio de políticos sob suspeita, seria questão de tempo que Temer ficasse sem muita companhia no palácio. Na dúvida, ele parece ter seguido a dica de Noel Rosa no samba "Positivismo": "Também faleceu por ter pescoço / O autor da guilhotina de Paris".

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A lista dos mafiosos

Antes da reunião, todos os veículos que apoiaram o impeachment de Dilma com a falsa roupagem do moralismo davam como certa a exoneração de algum ministro. As apostas variavam entre um a três — que se juntariam a outros dois que já foram decapitados: Romero Jucá, o “homem-forte” de Michel Temer, e Fabiano Silveira, o tal ministro da Transparência — baita ironia! Os três novos que apareciam na lista de tiro eram o advogado-geral da União (AGU), Fábio Medina Osório; o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, e a secretária de Políticas das Mulheres, Fátima Pelas, a única "representante do mundo feminino" que topou ingressar na equipe apodrecida do Judas.

No caso do primeiro, a revista Época, da famiglia Marinho, apostou alto: "Fábio Medina tem sofrido críticas de integrantes do próprio governo e há quem fale que poderá ser o próximo a deixar o cargo... Entre as condutas criticadas estão medidas tomadas contra o ex-AGU, José Eduardo Cardozo, e a sua atuação no caso da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), cujo presidente no período Dilma voltará ao cargo após decisão do Supremo Tribunal Federal". Outro episódio complicou a vida do advogado-geral. Em um de seus primeiros atos no governo, ele exigiu que um avião da FAB o transportasse a Curitiba para participar de uma homenagem ao juiz Sergio Moro. A AGU não tem prerrogativa para o uso de aeronaves da Aeronáutica, mas ele insistiu e viajou com dois assessores e um procurador.

Já no caso do segundo, o conhecido oportunista Henrique Eduardo Alves, as denúncias são bem mais graves. No final de abril, a Procuradoria-Geral da República informou sigilosamente ao STF que o "sinistro" — um dos homens de confiança do presidente interino — atuou para obter recursos desviados da Petrobras em troca de favores para a empreiteira OAS. Segundo a denúncia, o esquema criminoso abasteceu a campanha do peemedebista ao governo potiguar, em 2014. "Verificou-se não apenas a participação de Henrique Eduardo Alves nesses favores, como também o recebimento de parcela das vantagens indevidas, também disfarçada de 'doações oficiais", afirma o despacho do Rodrigo Janot.

Por último, com relação a até então desconhecida Fátima Pelaes, a sua indicação para a Secretaria de Política de Mulheres serviu para destampar seus podres. Documento do Ministério Público apontou a ex-deputada do PMDB do Amapá como integrante de uma "articulação criminosa". Ela teria desviado R$ 4 milhões em emendas parlamentares num esquema mafioso descoberto pela Operação Voucher, em 2011. Na época, ela foi citada no escândalo ligado a ONG fantasma "Ibrasi", que havia celebrado convênios com o Ministério do Turismo dois anos antes. O inquérito aberto em 2013 encontra-se na Justiça Federal do Amapá e os sigilos fiscal, bancário e telefônico de Fátima Pelaes foram quebrados.

Estes e outros casos suspeitos, que ainda virão à tona, confirmam que Michel Temer realmente sabe lidar com bandidos! Para desespero dos "midiotas", que serviram de massa de manobra dos golpistas, o “golpe dos corruptos”, feito para “estancar a sangria” das investigações da Lava-Jato, produziu um governo de mafiosos!

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