16 de jun de 2016

O esquema da Transpetro com 18 políticos, e PMDB é o maior beneficiário



Na delação, Machado relembra repasses de mais de R$ 100 milhões ao PMDB, R$ 800 mil ao PT, R$ 550 mil ao DEM, R$ 250 mil ao PP e R$ 100 mil ao PCdoB


Com a retirada do sigilo da delação premiada do ex-presidente da Transpetro, Sergio Machado, novas denúncias e personagens das investigações vieram à luz. Nos depoimentos, Machado fez questão de não apenas arrolar o grupo do PMDB e de seu padrinho político, Renan Calheiros (AL), como também nomes da direita, centro até a esquerda: DEM, PSDB, PSB, PP, PT e PCdoB.

Ainda sem investigações sobre até que ponto os depoimentos de Sérgio Machado trazem provas materiais, o ex-presidente da Transpetro relatou um cenário na política brasileira quase que intrínseco às eleições: contou que o sistema de nomeação de apadrinhados em estatais com o objetivo de arrecadar propinas de grandes contratos e empreiteiras em forma de doações existe desde a Quarta República brasileira, durante o governo militar de Eurico Gaspar Dutra, em 1946.

Machado explicou que o sistema funcionava em três frentes:


Sergio Machado explicou que o esquema de propina nas empresas estatais funcionava, sobretudo, por meio dos aditivos: eles eram "a maior fonte de desvios de recursos públicos", disse. Afirmou que como presidente da Transpetro, desde julho de 2003 até novembro de 2014, arrecadou os recursos ilícitos, "mas nunca envolveu outros dirigentes da estatal, negociando diretamente com as empresas que venciam as licitações".

Também explicou o jogo de coerção usado, dentro das estatais, com as empreiteiras. Apesar de fazerem parte do esquema, por meio do pagamento de propina, em forma de doações, aos políticos, se as empresas não aderissem ou parassem de pagar a propina combinada, "não sofriam represálias durante a vigência do contrato, mas depois não conseguiam novos contratos".

Ainda que sem provas materiais, os principais políticos que recebiam propina de empresas ligadas à Transpetro eram a cúpula do PMDB: Renan Calheiros (AL), Jader Barbalho, Romero Jucá, José Sarney e Edison Lobão. 

Mas, "além destes políticos, o depoente [afirmou que] também repassou propina, via doação oficial, para os seguintes": Cândido Vaccarezza (PT-SP), Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Luis Sérgio (PT-RJ), Edson Santos (PT-RJ), Francisco Dornelles (PP-RJ), Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), Ideli Salvatti (PT-SC); Jorge Bittar (PT-RJ), Garibaldi Alves (PMDB-RN), Valter Alves (PMDB-RN), Valdir Raupp (PMDB-RO), José Agripino Maia (DEM-RN), Felipe Maia (DEM-RN), Sergio Guerra (PSDB-PE), Heráclito Fortes (PSB-PI).

Vaccarezza teria solicitado apoio para a eleição de 2010 e teria recebido R$ 500 mil por meio de doação oficial ao diretório do PT em São Pailo. A quantia seria oriunda de vantagens ilícitas da Camargo Corrêa com a Transpetro. 

Sobre a deputada Jandira Feghali (PCdoB) e o deputado Luis Sérgio (PT), Machado afirma que ambos eram defensores da indústria naval e que ambos o procuraram, o ex-presidente da Transpetro comunicava "de onde viria essa doação" cuja origem "eram vantagens indevidas".

No caso de Jandira, a deputada teria recebido a propina por meio de doação oficial da Queiroz Galvão, em 2010, no valor de R$ 100 mil. E Luiz Sergio, também da mesma empreiteira, teria recebido R$ 200 mil em 2010 e mais R$ 200 mil em 2014. Edson Santos, do PT, teria recebido R$ 142 mil da Queiroz Galvão, para a campanha a deputado federal em 2014. 

Como presidente do PP, Francisco Dorneles também teria solicitado o "apoio" para a eleição de 2010, recebendo R$ 250 mil da Queiroz Galvão, enviado para a direação estadual do PP no Rio de Janeiro.

Henrique Alves (PMDB) chegou a levar algumas empresas de tecnologia e serviços para a Transpetro firmar contratos, mas não obteve avanços, contou Machado. Mas que "o depoente sempre ajudava em época de campanha quando ele ligava pedindo um encontro". 

Ao PMDB, relatou Sérgio Machado, a Transpetro repassou mais de R$ 100 milhões. Desse total, R$ 1,55 milhão foi direcionado a Henrique Alves pela Queiroz Galvão, nos anos de 2008, 2012 e 2014, e pela Galvão Engenharia, em 2010.

Como líder do governo e candidata a governadora de Santa Catarina, Ideli Salvati (PT) teria recebido R$ 500 mil pela Camargo Correa, em 2010. Jorge Bittar, também do PT, também teria conseguido uma quantia em forma de doação oficial de R$ 200 mil, pela Queiroz Galvão, repassado ao diretório estadual do Rio de Janeiro.

Então presidente do PMDB, Valdir Raupp teria recebido R$ 500 mil, pela empresa Lumina Resíduos Industriais, do grupo Odebrecht, em 2012, no diretório nacional do partido. 

O senador Garibaldi Alves (PMDB), também teria recebido R$ 200 mil da construtora Queiroz Galvão, em 2010, e R$ 250 da Camargo Correa, em 2012. Em 2014, enquanto Ministro da Previdência, também teria se encontrado com Machado para pedir a "doação".

Um desses pedidos foi para a candidatura de seu filho, Valter Alves, a deputado federal (PMDB), conseguindo R$ 250 mil da Queiroz Galvão.

Ao citar os encontros com os peemedebistas, Sérgio Machado mencionou, mais de uma vez, que foi repassado ao PMDB mais de R$ 100 milhões em sua gestão na Transpetro. Desse total, R$ 700 mil foram para Garibaldi Alves. 

O ex-executivo contou que, durante o período eleitoral, José Agripino Maia (DEM) também pediu doações da Queiroz Galvão, uma em 2010, para o senador José Agripino, de R$ 300 mil, e outra em 2014, para o filho do senador, o deputado Felipe Maia (DEM), no valor de R$ 250 mil.

Pedido de Temer: R$ 1,5 milhão

Sérgio Machado não poupou o presidente interino Michel Temer. O nome do peemedebista é citado 22 vezes na delação premiada. 

Em dos momentos, Machado afirma o apoio de Michel Temer ao candidato a prefeito de São Paulo, Gabriel Chalita, em 2012. Que como "não estava bem na campanha", Temer foi chamado por Valdir Raupp, para solicitar "propina na forma de doação oficial para Gabriel Chalita".

O ex-presidente da Transpetro detalhou uma conversa que teve com Temer, na Base Aérea de Brasília, em setembro de 2012, sobre os recursos para o candidato a prefeito de São Paulo. Detalhou episódios do encontro, em que acertaram R$ 1,5 milhão de doação, pela Queiroz Galvão, a Chalita, a pedido de Michel Temer.

Esse valor integrava a cota do PMDB nas propinas articuladas pela Transpetro. 


Patrícia Faermann
No GGN

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários com links NÃO serão aceitos.

Os comentários são de total responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente a opinião do blog

Comentários anônimos NÃO serão publicados, como também não serão tolerados spams, insultos, discriminação, difamação ou ataques pessoais a quem quer que seja.

É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O blog poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.