7 de jun de 2016

O esforço da grande mídia e do governo para silenciar os blogs


Os blogs políticos independentes, que não fazem parte de portais corporativos, são um mistério.

De que se alimentam, como vivem, onde moram?

O novo governo Temer, mesmo diante de problemas econômicos e sociais de terrível gravidade que o Brasil enfrenta, tem encontrado tempo, desde o primeiro dia, para adotar ações políticas contra os blogs.

Como convém a qualquer ditadura, é preciso silenciar a crítica!

E com o apoio cafajeste da grande mídia e de seus satélites na blogosfera conservadora, que vem publicando freneticamente editoriais e reportagens contra os famigerados blogs políticos de esquerda.

O foco deles, naturalmente, nem são todos os blogs, mas meia dúzia de blogs com mais audiência, que se especializaram em fazer a desconstrução da narrativa golpista da mídia.

É incrível a truculência reunida contra um punhado de blogueiros.

Gilmar Mendes, Ali Kamel, Lava Jato, governo Temer, Globo, Estadão, Veja, Folha, Antagonista: todos unidos contra meia dúzia de blogueiros.

Os valores apresentados como "denúncia exclusiva" do Antagonista atestam mais a sua pobreza do que qualquer outra coisa.

Para o Cafezinho, então, o valor (R$ 124 mil para todo 2016) chega a ser ridículo, se cotejado com a audiência do blog e com o que a mídia tradicional recebe (além de não terem sido pagos, o que dá essa história toda o aspecto de pastelão).

Quanto maior a audiência do blog, maior o seu custo, porque evidentemente é preciso fazer alguns investimentos para se manter altos índices de visitação: contratar um programador, ter um bom servidor, uma ou duas pessoas para gerir conteúdo, pagar um desenhista, um repórter freelance, etc.

Não se passou 24 horas para que o governo Temer, reagindo ao Antagonista, determinasse o "bloqueio" de valores que ainda não foram pagos aos blogs.

A informação do Estadão contradiz a denúncia do Antagonista: os tais valores mostrados com "exclusividade", se já eram pequenos, sequer serão pagos.

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A grande mídia e Temer parecem não ter consciência de quanto esse tipo de abordagem é fascista e atrasada. Nos EUA, blogs e jornais tem — invariavelmente — um posicionamento político transparente e aberto ao público. Ninguém é discriminado por conta disso.

Durante os governos Lula e Dilma, a grande mídia, "simpática ao PSDB", continuou a receber normalmente suas verbas de publicidade, na ordem dos bilhões e bilhões.

Blogs políticos de oposição recebiam recursos normalmente. Não havia discriminação. Lembro de alguns episódios até divertidos, como esse da imagem abaixo:

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Em 13 anos de governo, Globo, Veja, Folha, Estadão, e todos os seus respectivos blogueiros ultra-agressivos contra o PT, recebiam enormes somas de dinheiro.

Em três semanas de governo Temer, ele não apenas determina que não haverá mais contratos de publicidade entre o governo e blogs políticos, portais e revistas progressistas, como decide bloquear o pagamento de valores já contratados?

Coisa de ditadorzinho de republica bananeira!

Evidentemente, é uma postura ilegal.

Em primeiro lugar, os tais "R$ 8 milhões" da reportagem do Estadão é um número para fazer efeito, que junta sabe-se lá quantos sites e blogs.

Em segundo lugar, só por aí — pela exiguidade dos valores — se vê como a blogosfera jamais recebeu, mesmo nos governos Dilma ou Lula, tratamento especial do governo.

É evidente que eles vão conseguir, efetivamente, prejudicar os blogs.

Se o governo apenas se limitasse a cortar verbas de publicidade, tudo bem, mas os ataques políticos na mídia chapa-branca dificultam também que os blogs consigam recursos na publicidade privada, por causa da abordagem criminalizante que se faz do perfil político dos blogs.

Naturalmente, o anunciante privado ficará temeroso em anunciar em blogs e sofrer "retaliação" de uma mídia que, aparentemente, não tem compromisso nenhum com um aspecto vital da democracia: oferecer à população uma gama ideologicamente colorida de serviços de informação.

No caso do Cafezinho, esse esforço para nos sufocar talvez nos obrigue a reduzir custos, mas sobreviveremos.

Nós criticamos a mídia corporativa não por ser "simpática ao PSDB", como ela sempre foi, mas porque ela é historicamente golpista, defendeu a ditadura militar e hoje defende o golpe do impeachment. Criticamos porque é uma mídia ultraconservadora e acreditamos que, numa democracia, a existência de blogs que fazem o contraponto político e ideológico ao conservadorismo deveria ser saudada, porque é da diversidade que nasce a criatividade, e da criatividade nasce o empreendedorismo e a riqueza das nações!

Na matéria do Estadão, lemos o seguinte:

ScreenHunter_131 Jun. 07 11.12

É uma comédia, né.

Não tenho nada contra o Observatório da Imprensa ou o Congresso em Foco, sites muito bons, e que espero que continuem recebendo publicidade institucional.

O problema é chamar — implicitamente — Globo, Veja, Estadão, Folha, de veículos "apartidários", e mencionar "debates de relevância pública". Quem define o tipo de debate que tem "relevância pública"? Bem, talvez um governo democraticamente eleito poderia, muito delicadamente, definir o que são debates de relevância pública, e mesmo assim haveria quem, com certa justiça, contestasse esse direito.

Agora, um governo como esse aí, nascido de um golpe, que legitimidade tem para definir algo assim?

Os debates no Cafezinho não tem relevância pública apenas porque tem um viés progressista? Que raios de democracia é essa?

Se o governo Temer não quer anunciar em blogs políticos, tudo bem, é a vida. Seria até hipocrisia minha pretender receber publicidade de uma administração golpista como essa.

O Cafezinho nunca viveu de banners oficiais, embora eu não veja problema nenhum se fosse este o caso, desde que oferecesse a audiência requerida pelo anunciante.

No entanto, a informação do Estadão — que sintomaticamente não ouviu o "outro lado" — de que a publicidade estatal é a principal fonte de renda dos blogs não é correta no meu caso. A principal fonte de renda do Cafezinho são assinaturas dos leitores e adsense do Google.

Miguel do Rosário
No Cafezinho

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