30 de jun de 2016

Mansão para abrigar seguranças de Temer viola lei em SP e custa R$ 23 mil de aluguel


O presidente interino Michel Temer faz cortesia com o chapéu alheio de forma contumaz.

Ele prometeu austeridade ao mercado, mas promoveu um “pacote de bondades” de mais de R$ 100 bilhões para consolidar o golpe e comprar dois anos de governo.

Fala em extinguir a TV Brasil e cortou as transmissões ao vivo da NBR, medidas que parecem preservar as finanças mas, na verdade, têm o objetivo de agradar aos barões da mídia e evitar — como notou o colunista Janio de Freitas — que algum protesto contra o interino seja transmitido pela emissora estatal, que acompanha todas as aparições públicas do mandatário.

Assessores de Temer cogitaram propor o aumento da idade mínima da aposentadoria para 70 anos — acima da expectativa de vida de alguns estados brasileiros — enquanto o interino se aposentou aos 55 como procurador do Estado de São Paulo, com salário bruto que hoje está acima dos R$ 30 mil.

Foi vingança contra Dilma Rousseff o corte de gastos de alimentação do Palácio do Alvorada, embora os desavisados tenham considerado outra medida de austeridade do interino.

O que eles não sabem é que o vice mantém em São Paulo uma mansão para acolher seus seguranças alugada por R$ 23 mil mensais. O casarão tem quatro suítes com banheiras, vagas para dez automóveis, piscina e jardins.

Fica na rua Umburanas, alto dos Pinheiros, vizinha à residência do agora presidente interino em São Paulo. O locador da casa é Orlando Corraini Filho.

Dados oficiais revelam os gastos com energia elétrica, água e jardinagem do alojamento, que tem o nome pomposo de Escritório de Representação da Secretaria de Segurança Presidencial do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República.

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O mais grave é que a ocupação do imóvel viola a lei do Zoneamento de São Paulo, já que se trata de um bairro estritamente residencial.

Moradores do bairro denunciaram à Associação dos Amigos do Alto dos Pinheiros, a SAAP, que levou o caso à Prefeitura de São Paulo.

Foi lavrado um ato de infração da Lei Municipal 13.885/04, por enquanto sem maiores consequências.

O caso foi tratado pela Veja-SP quando Temer ainda não era o queridinho da mídia.

“Estamos falando de uma área estritamente residencial. Quem deveria dar o exemplo está agindo contra a lei. É uma queda de braço e nós estamos do lado mais frágil. Outros moradores já tentaram abrir negócios no bairro. Nós denunciamos e o local é fechado. Mas quando se trata de questões políticas é impossível encontrar uma solução. Dá uma sensação de impotência”, disse à revista a então presidente da SAAP, Maria Helena Bueno.

Temer chegou a pedir desculpas aos vizinhos pelo incômodo, mas não fez nada que, na prática, prejudicasse seus próprios interesses.

Garganta Profunda é jornalista investigativo com duas décadas de experiência contratado pelos leitores do Viomundo

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