5 de jun de 2016

Jarbas Passarinho e a História


Um homem viveu 96 anos. Exerceu algum cargo no regime democrático de 1946 e depois uma multidão de cargos importantes na ditadura. Deve ter amado, odiado, sido injusto e talvez justo.

Mas, disso tudo, o que fica é uma frase:

"Às favas, senhor presidente, neste momento, todos os escrúpulos de consciência", que ele dirigiu ao ditador Costa e Silva, quando o ministério debatia a edição do Ato Institucional 5, em 1968, "o golpe dentro do golpe".

O que indica que devemos ter cuidado com o que fazemos.Às vezes, uma vida se resume numa frase péssima.

Mas isso não teria acontecido se ele não tivesse comandado a repressão, sobretudo em relação aos estudantes e às universidades. Certamente, muitos jornalistas de hoje estudaram nos tempos do Decreto Lei 477 e do ministro Passarinho. Foi a memória que lhes ficou.

Pensar no lugar que a História lhe reserva seria interessante, para alguns políticos.

Renato Janine Ribeiro
No Esquerda Caviar

Leia também: “Às favas, senhor presidente, com os escrúpulos de consciência”

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