1 de jun de 2016

França: a classe operária se levanta


Os protestos têm escalado na França e já duram três meses. Portos e aeroportos pararam. Os enfrentamentos com a polícia têm se tornado cada vez mais frequentes.

A explosão social da classe operária tem como eixo fundamental a luta contra a “Reforma Trabalhista” que o governo “socialista” de François Hollande tenta impor. As greves e paralisações já atingem setores industriais importantíssimos como, por exemplo, a paralisação de 16 das 19 usinas nucleares e o fechamento da grande maioria das refinarias e depósitos de combustível.

As lutas vêm se radicalizando, a exemplo do bloqueio e fechamento do porto de Le Havre na Normandia, atingiu fortemente o deslocamento pela ponte que conecta esse importantíssimo porto às cidades e outras localidades do país.

Quatro sindicatos convocaram, a partir desta terça-feira, dia 31 de maio, uma greve por tempo indeterminado no setor ferroviário. O objetivo é fazer com que essa greve dure, pelo menos, até o dia 10 de julho, data do final da Eurocopa em Paris, o que afetará determinantemente o Campeonato.

A partir da próxima quinta-feira, 02 de junho, começará a greve por tempo indeterminado dos trabalhadores do transporte público, metrô e ônibus, na região parisiense. Essa greve irá se somar as paralisações de pelo menos 24 horas dos portos. Um dia depois, na sexta-feira, terá início a greve de três dias dos pilotos civis. Porém, o sindicato da maioria dos pilotos já havia aprovado greve de larga duração.

Mesmo com essa ampla mobilização, o governo “socialista” diz que não recuará no objetivo de aplicar a Reforma Trabalhista que atinge a jornada de trabalho, hoje de 35 horas semanais, com a possibilidade de aumento para 48 e até 60 horas semanais de trabalho, de acordo com os interesses do patrão.

Por meio do componente número 2 do Código de Trabalho, relacionado com os acordos coletivos trabalhistas, o objetivo é eliminá-los.

Seguindo o modelo aplicado nos Estados Unidos se busca que os acordos realizados por empresa e até mesmo individualmente prevaleçam sobre os acordos da categoria, que no caso da França se trata de categorias nacionais. Esse foi um dos mecanismos que a Administração de Ronald Reagan e a primeira-ministra britânica Margareth Tatcher aplicaram a partir de meados da década de 1980 com o objetivo de desarticular o ascenso operário que avançava em cima do aprofundamento da crise capitalista. Esse modelo foi uma das bases do “neoliberalismo” imposto em escala mundial.

No Gazeta Operária

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