15 de jun de 2016

Filme que mostra como seria a volta de Hitler é um alerta sobre populismo de direita

Foto: Reprodução/Er ist wieder da

Em tempos onde um deputado federal de extrema-direita homenageia um ex-torturador do regime militar, nada melhor do que refletir sobre o populismo fascista assistindo o filme alemão “Er Ist Wieder Da” (Ele Está De Volta), que mostra como seria a volta de Adolf Hitler na Alemanha dos dias atuais.

Alguns especialistas afirmam que, historicamente, o populismo político é um fenômeno latino-americano, se referindo aos casos de Getúlio Vargas no Brasil e de outros ditadores como Peron na Argentina. Estão errados.

A experiência populista na Europa vingou na outra face da ideologia política: a extrema-direita. Com a crise econômica e as medidas de austeridade, essa classe política parece se reerguer com mais facilidade em países como Alemanha, França e Itália, além do preocupante leste-europeu. Para piorar, a onda de refugiados do Oriente Médio para o continente também tem dado mais fôlego para o crescimento desse setor.

Marine Le Pen, uma das favoritas para a presidência da França nos próximos anos, é um reflexo desses acontecimentos. Filha do fundador do até então inexpressivo partido de extrema-direita Frente Nacional, hoje ela é um dos nomes mais promissores da política europeia, defendendo o rompimento do país com a UE, atacando as medidas de austeridade provocadas pelos grandes bancos. Seu partido, com base na classe média e até mesmo nas mais pobres da França, adicionam um ponto diferencial nos “motivos da crise” no país: a imigração e a falta dos bons costumes.

Isso não é muito diferente do que temos visto recentemente no Brasil.

O caso do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC) é um belo exemplo. Com a crise política em seu momento mais crítico desde o impeachment do ex-presidente Fernando Collor em 1992, a população brasileira parece estar procurando um “novo herói”, alguém capaz de promover uma limpeza política através de valores morais e cristãos.

Não por acaso, assistimos ao verdadeiro show de horror na Câmara dos Deputados no último domingo (17), enquanto votavam pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

“Deus” e “família” estiveram presentes em praticamente todos os discursos dos congressistas, exibido em tempo real na TV aberta para milhões de pessoas. Eles sabem que o momento é esse: mostrar para a família brasileira quem os realmente representa. Seguiram o roteiro. Bolsonaro foi além. O ex-militar resolveu dedicar seu voto ao torturador General Ustra, conhecido por ser um dos responsáveis pelo desaparecimento (ou morte) de dezenas de pessoas durante os 21 anos de ditadura militar no Brasil.

O populismo de extrema-direita voltou com tudo no século XXI. E um filme alemão soube representar bem esse cenário.

O filme “Ele Está de Volta” foi baseado no livro com o mesmo nome, scrito pelo alemão Timur Vermes e publicado pela editora Eichborn Verlag em 2012.

De forma bem irônica e agressiva, o enredo mostra como seria se o ditador Adolf Hitler voltasse para a Alemanha dos dias de hoje. O filme mostra cenas reais de diálogos entre o ator e a população alemã. Entre várias selfies, o ator que interpreta o ditador nazista é abordado diversas vezes por apoiadores que, sem o menor pudor, declaram que o país precisa novamente de uma experiência nacionalista para trazer de volta “os bons costumes perdidos”.

A ideia do filme é bem simples, porém de grande impacto. O personagem de Hitler consegue um programa de televisão, e através dele, critica a classe política por sua “corrupção” e descaso com os trabalhadores e famílias alemãs. Claro, ninguém sabe que se trata realmente de Hitler voltando do mundo dos mortos  —  o que torna o enredo ainda mais impactante.

Resumindo, o filme serviu de alerta para a sociedade alemã em tempos de crise como o país vive hoje. O crescimento de partidos de extrema-direita e de grupos de “ativistas” fascistas é realidade em todo o continente. Vendem soluções faceis, buscam um alvo para responsabilizar por toda a crise, e pregam por valores cristãos para conseguir atingir seu público com maior facilidade. Mas na realidade, o que vendem é pura violência e fascismo.




Foto: Tânia Rego/Agência Brasil
Para nós brasileiros, o filme também serve de alerta.

A crise de representatividade política não pode permitir que a sociedade busque em “heróis” a solução para todos os problemas do país.

O caso de Jair Bolsonaro é bem específico e claro. Utiliza de valores cristãos para defender seu discurso de ódio contra minorias, como é o caso da comunidade LGBT. Vangloria tempos sombrios do país, como a ditadura militar, defendendo a tortura e o assassinato de centenas de pessoas que morreram durante esse período.

Bolsonaro, assim como praticamente todos os líderes populistas da extrema-direita, conseguiu atingir seu objetivo na política institucional após fracassar no terreno que desejava. No caso, a sua carreira militar.

Relativizar ou ignorar o nível de gravidade de seu discurso, levando em consideração seu objetivo político de um dia governar o país, é a mesma coisa que tolerar a institucionalização do fascismo no Brasil. Apesar de ainda não ser visto como um dos favoritos para as eleições de 2018, vivemos tempos tão graves na política e na economia que já não se sabe qual caminho a sociedade irá escolher tomar nos próximos 2 anos.

O filme alemão serve para assistir, refletir e pensar muito bem.

Recentemente o NETFLIX incluiu o filme em seu catálogo, devidamente legendado.

Francisco Toledo, co-fundador e fotojornalista da Agência Democratize

2 comentários:

  1. O nazismo é um irmão do comunismo. Os simpatizantes da esquerda odeiam o nazismo devido a traição de Hitler junto a Stalin.

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    1. Qual sua fonte de informação andreys1504? De onde vc inventou que o nazismo é irmão do comunismo? Esclareça isso.

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