8 de jun de 2016

Depois do vendaval da Lava-jato, o desconhecido

http://insightnet.com.br/segundaopiniao/?p=367

Custou mas foi rompido o dique de proteção ao PSDB empilhado em Curitiba. Quanto mais cresce a papelada que nada revela sobre fenomenais transgressões de Lula e Dilma Rousseff, mais entulhadas ficavam as gavetas com as alusões a Aécio Neves e a Fernando Henrique Cardoso, escalando o pobre do falecido Sergio Guerra como único tucano meliante. Os procuradores não imaginam aonde o descontrole do processo os levará. Nem ninguém. Conversa fora discutir presidencialismo de coalizão, cláusula de barreira e outros penduricalhos. Criminalizadas as coalizões eleitorais desde a AP470, não há partido virgem da contabilidade de dupla entrada na OAS, Camargo Correia e coirmãs. Há um dinheiro amaldiçoado depositado em contas bancárias, circulando nos meios financeiros, envenenando o orçamento de empresas de publicidade, os lucros dos barões da imprensa, os bônus de redatores de jornais e de apresentadores de televisão. Enquanto o alienado presidente interino Michel Temer resolve pagar para ver, mantendo conhecidos mandriões nos ministérios, a bocarra da Lava Jato deglute o chão das instituições.

O sistema partidário está podre, não como inevitabilidade da democracia representativa, mas porque o somatório das degradações individuais ultrapassou de muito os dois terços exigidos para emendas constitucionais. Fizeram da Constituição um habeas corpus preventivo, contando com o silêncio constrangido de poucos. Todos os políticos sabem disso. E se não for amordaçada ou voluntariamente “estancar a sangria”, na feliz expressão do sorridente larápio Romero Jucá, a Lava Jato de um pulo irá da Câmara dos Deputados a seu braço de negócios jurídicos, o Tribunal de Contas da União, tudo com os intermediários, parentes, sócios e laranjas anotados. Daí, com baldeações, a investigação chega ao sistema produtivo estatal e, acorrentada a este, à população da FIESP e assemelhadas, algo tão inconcebível hoje como era o processo de impedimento de Dilma Rousseff quando Aécio Neves o solicitou, em meio à ressaca da derrota. Mas bastaria dar tempo ao tempo e não parasse a Lava Jato. Vai parar, só que o tamanho do desastre nem por artes de quem vai estacionar não está escrito nas estrelas. Deixou de ser um jogo de cartas marcadas. Nem há um salve-se quem puder à disposição.

O grupo presidencial usurpador desconhece o potencial do turbilhão; ignora a própria ignorância. De esperteza extensa, mas visão curta, não lê direito história nem mesmo Maquiavel, que um áulico recitou em exercício de sabujice juvenil. Segundo ele, Maquiavel sugeriu ao Príncipe que fizesse todas as maldades de uma só vez, sendo parcimonioso na distribuição de benesses. O trombadinha estava certíssimo e o conselho encontra-se ao fim do capítulo VIII, que ele não leu. Eis o título do capítulo: “Sobre aqueles que conquistaram a posição de Príncipe por vilania”. Ou leu?

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