12 de jun de 2016

Cunha e Temer. Unidos para sempre, porque não há outro jeito


A leitura dos jornais hoje, Dia dos Namorados e um mês completo da usurpação da Presidência da República por Michel Temer faz com que, até pelos personagens envolvidos, a relação de simbiose entre ele e Eduardo Cunha.



Os dois jornais, entretanto, não vão ao ponto: o sistema de forças que conduziu Michel Temer, pela via do golpe, ao Palácio do Planalto foi exatamente este.

Como o acréscimo de um tucanato (e seus satélites) que não teve o menor pudor em juntar-se á quadrilha comandada por Eduardo Cunha.

Pudores que, também, não ocorreram à mídia.

Só lhes faltou a sinceridade de dizer, com todas as letras, como o fez o deputado Paulinho da Força: “Todo mundo sabe que sem Eduardo Cunha não haveria processo de impeachment, graças ao trabalho dele foi possível tirar o PT do poder”.

Agora, porém, tucanos, DEM e mídia desfecham uma ofensiva para liquidar Eduardo Cunha e assumirem o controle de Michel Temer, já de posse do dote da Presidência que o casamento com Cunha o brindou.

Buscam a traição dentro da traição e não sem certa simpatia do próprio Temer, que adoraria se livrar do companheiro enlameado, ficando com a faixa presidencial que este já lhe deu e com a maioria na Câmara que ele ainda conserva.

Mas nenhum dos é ingênuo e sabe que o amor que os une é o poder, que sempre obtiveram por pressão, cooptação e pela capacidade de servir a seus interesses servido a outros.

Quando se conquista o poder assim, sabe-se que deixar o outro se afogar é o risco de ser  levado por seu abraço de morte.

Porque a fidelidade aí não é a dos amantes, mas a dos cúmplices.

Fernando Brito
No Tijolaço

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