13 de jun de 2016

A divertida imprensa porcina

Qualquer apoio ao governo Temer é como rolar com porco na lama, acaba-se todo sujo, mas o porco se diverte. Que o digam a nossa grande imprensa e a sua credibilidade.


Diante de um quadro de recessão, o governo envia ao Congresso uma proposta de revisão do orçamento federal aumentando o déficit fiscal em 70%. Propõe, com esse déficit, implementar medidas anticíclicas que façam crescer a economia? Não, dá um aumento generalizado ao funcionalismo público dos três poderes — Judiciário incluído generosamente e promove um “trem da alegria” com a criação de 14 mil novos cargos.

O nome disso é farra.

Para bancar tal gastança, o que propõe o governo? Cortar na saúde, na educação e nas aposentadorias. E claro, manter os juros em 14,5% ao ano, de modo a dar garantias ao rentismo. Investimentos internacionais serão buscados alienando-se as reservas petrolíferas e com a venda do que puder ser vendido do patrimônio da União.

O nome disso é espoliação.

Mas, na imprensa, é chamado de racionalidade administrativa.

O governo nomeia ministros e secretários que são denunciados pelo Procurador Geral da República por improbidade administrativa e o advogado geral da União é suspeito te ter tentado obter vantagens indevidas. Mas o presidente interino dá um soco na mesa e diz que de bandido ele entende e fica tudo por isso mesmo.

Temer com um soco na mesa tem poder apenas para machucar a mão. Logo, se nada sai nos jornais, é apoio a governo corrupto. Quem se lembra da guerra feita ao ministro Orlando Silva por conta de duas tapiocas e a ministra Erenice Guerra fica em dúvida se ainda existe jornalismo no Brasil. Porcos e lama com certeza e em quantidade. Juízes ainda os há… em Berlin.

O presidente da Câmara está afastado do cargo pelo STF por corrupção, mas continua dando as cartas no governo. Nomeando aliados. O governo ainda no interinato intervém na empresa pública de comunicação revogando mandato de diretor e ,em outras áreas da administração pública, substitui quadros da categoria de Paul Singer — aliás, colunista da Folha, por aliados de inexpressiva competência, mas a palavra aparelhamento não é mencionada pela imprensa.

Um general cerca a residência da presidente afastada, o governo interino lhe restringe movimentos e transporte e até alimentação. E tampouco a palavra retaliação é mencionada. Lembrando que o tal presidente afastado Câmara, capa preta do atual governo, mantém todos os suas prerrogativas de cargo.

É altamente provável que o próprio presidente interino venha a ser envolvido nas delações e denúncias da Lava Jato, o que torna Temer um homem-bomba no governo. E expõe o comando do Executivo a toda sorte de chantagens. Parece aos nossos jornais assunto menor.

Palavras como golpe ou protestos, quando utilizadas pela imprensa, trata-se da imprensa estrangeira. A qual é criticada aqui pelo jornalismo nacional. Tratar-se-ia, mesóclises votaram a ser de bom tom, de imprensa venal, vendida. Aqui, como durante a ditadura, todos estão felizes e esperançosos.

Sem dúvida, as redações dos nossos jornais devem ter se tornado lugares muito divertidos de trabalhar. Já, lê-los passou a exigir o uso luvas e aventais de borracha, além dos óculos de segurança de sempre.

PS: esta Oficina recomenda a adoção de “A Revolução dos Bichos” como novo manual de redação.

Sérgio Saraiva
No Oficina de Concertos Gerais e Poesia

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