10 de mai de 2016

Puf! O Temer não se sustenta

Como fazer eleição? É o de menos. A eleição está nas ruas

Temer está mais para Carlos Luz do que para Café Filho, que traiu Vargas
Quando o carro sai da estrada, ele sai capotando morro abaixo e quando se choca com uma reentrância do morro, bate, sobe e adquire mais velocidade.

No próximo choque com a encosta, o choque é mais violento e a velocidade se acelera ainda mais.

Até se esborrachar lá embaixo.

Foi o que aconteceu com as instituições.

O que provocou a capotagem foi retirar o pilar que sustenta o carro da Democracia.

É o respeito à soberania popular, o que, no presidencialismo, significa respeitar o mandato do Presidente da República eleito pelo povo em voto livre e secreto.

Não se trata de preservar o mandato de “a” ou “b”, mas o princípio central que organiza as instituições do país.

Se alguém trinca o sistema na sua base, se este princípio é violado, o todo se parte – e se esborracha lá embaixo, em destroços que não se recompõem mais.

As instituições públicas se desgovernaram porque o carro principal capotou e com ele capotaram todos: Justiça, Ministério Público, Executivo, Legislativo.

Estão em pedaços.

O Presidente do Senado desqualifica uma decisão do Presidente da Câmara com o argumento de que foi “uma brincadeira”.

Um ministro do Supremo diz que a decisão do Presidente de uma casa do Legislativo não passa de  “uma operação Tabajara”!

(O Presidente da Câmara não é o energúmeno que o PiG descreveu. Waldir Maranhão foi Reitor da Universidade Estadual do Maranhão. Se fosse mais branco e tivesse um sobrenome ítalo/paulista, ou um germânico/gaúcho não teria sido vítima de discriminação, como foi!)

E tudo agora se faz sem a mínima formalidade, um mínimo de decoro que não arranhasse pelo menos o verniz.

Não há perspectiva.

As instituições foram todas desqualificadas na capotagem.

O Brasil está submetido ao alvedrio, à vontade, aos interesses muitas vezes inconfessáveis dos que, momentaneamente, estão à frente das instituições apodrecidas.

Prevalecem o cinismo e a hipocrisia.

O Eduardo Cunha tem o direito de destituir a Presidenta da República, sem crime de responsabilidade.

Mas, o Flávio Dino não pode conversar com o deputado federal de seu Estado, o Maranhão, no exercício da Presidência da Câmara.

Os dois, Dino e Maranhão, por acaso, no exercício de seus mandatos conferidos pelo voto!

Só tem uma saída!

Eleição!

Como fazer a eleição?

Isso é o que menos importa.

Como?

Alguém acha o caminho.

O importante é que a eleição já está nas ruas.

Com plebiscito, sem plebiscito, com PEC, sem PEC.

Com Dilma, sem Dilma.

Vai ter eleição.

O Temer não tem como formar um ministério.

Tem mais gente que recusou ser ministro do que gente que aceitou ser ministro.

Como chegar ao Palácio para despachar com o Presidente e sentar na mesa com os ministros da Casa?

O Jucá, com o Geddel, com o Eliseu Padilha — que o ACM chamou de Eliseu “Quadrilha” e ele jamais processou o ACM — e o gatinho angorá, que mereceu do FHC, segundo o ACM, uma descrição definitiva: “o Moreira não pode ficar em lugar que tenha cofre”.

E ele jamais processou o FHC — ou o ACM.

E todos esses somados não têm voto de suplente de vereador.

O Temer já demonstrou que não sabe o que faz.

Não tem estatura moral nem política para chefiar a Nação que está destroçada na base da ribanceira.

Temer está mais para Carlos Luz — que foi presidente por três dias — do que para Café Filho, que traiu Vargas e se encontra na lata de lixo da Historia.

A eleição não depende mais de a Dilma assumir a responsabilidade histórica de dar um significado político à derrota, como fez Vargas.

Ela está na chapa do Temer, na verdade.

Dilma também não esteve à altura da crise.

Como diz o Delfim, quando resolveu — sabe-se lá por quê — desapoiá-la: não existe Presidencialismo sem Presidente!

A eleição se fará com ela, sem ela, com PEC, ou com plebiscito.

Não tem alternativa.

A ingovernabilidade é total!

As lideranças políticas sobreviventes  — por onde anda o Lula? —, no Congresso, no Supremo encontrarão uma forma.

A forma é o de menos.

A eleição já está nas ruas.

Paulo Henrique Amorim

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