28 de mai de 2016

Em novos áudios Machado e Sarney comentam a Ditadura do Judiciário e a parcialidade do PIG


Em trechos de gravações com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, o ex-presidente da República José Sarney se queixa das decisões tomadas pelo juiz Sérgio Moro em investigações contra corrupção — que chamou de "ditadura da Justiça" — e comenta sobre o afastamento de Dilma Rousseff, que, segundo Sarney, vai resistir "até a última bala" no processo de impeachment. Os trechos foram divulgados ontem (26) pelo Jornal Nacional, da TV Globo. Segundo o telejornal, as conversas foram gravadas em março. Machado fez acordo de delação premiada e se tornou colaborador da Justiça.

Na conversa gravada, Sarney e Machado criticam os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), a mídia e a comunidade jurídica por não se manifestarem contra as ações de Sérgio Moro, que é responsável por autorizar as ações da Operação Lava Jato.

De acordo com o telejornal, Sarney diz que "Moro está perseguindo por besteira". Machado responde que "esse homem tomou conta do Brasil. Inclusive, o Supremo fez porque é pedido dele. Como é que o Toffoli e o Gilmar fazem uma p*** dessa? Se os dois tivessem votado contra não dava. Nomeou uns ministros de m*** com aquele modelo". "Não teve um jurista que se manifestasse. E a mídia tá parcial assim. Eu nunca vi uma coisa tão parcial. Gente, eu vivi a revolução. Não tinha esse terror que tem hoje, não. A ditatura da toga tá f***", acrescentou o ex-presidente da Transpetro.

José Sarney disse que "a ditadura da Justiça tá implantada, é a pior de todas". Em seguida, Machado respondeu: "E eles vão querer tomar o poder. Pra poder acabar o trabalho" 

Eduardo Cunha e eleições

Na conversa, Sarney afirma que quem deveria assumir a presidência é Eduardo Cunha, antes da realização de eleições. O deputado, que era o terceiro na linha sucessória, acabou afastado da presidência da Câmara pelo Supremo Tribunal Federal (STF) algumas semanas depois da gravação da conversa. No caso de um novo pleito presidencial, ambos avaliam que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) não sairia "de jeito nenhum" vitorioso, e dizem acreditar na força de um juiz como candidato. Dois meses antes de Dilma ser afastada pelo Senado, quando a conversa foi gravada, Machado e Sarney dizem que a presidenta deve "sair de qualquer jeito", e especulam que o vice-presidente Michel Temer, hoje presidente interino, deve cair em seguida.

No áudio, Machado pergunta a Sarney se Michel Temer não assumisse a presidência do país quem seria o nome. Sarney responde que deverá ser eleição e assumirá um "Joaquim Barbosa desses da vida". Machado responde que será "um Moro. O Aécio pensa que vai ser ele, não vai ser não". Sobre a possibilidade de Aécio Neves assumir, Sarney diz "que não vai ser ele, de jeito nenhum".

Então, Machado questiona quem assumiria a presidência. Sarney diz que será Eduardo Cunha. Machado reforça: "Ele não vai abrir mão de assumir, não".

"No Supremo não tem. Não tem ninguém que tenha competência pra tirá-lo. Só se cassarem o mandato dele. Fora daí, não tem. Como é que o Supremo vai tirar o presidente da Casa?", acrescenta Sarney, conforme a reportagem.

Dilma Rousseff

Na conversa gravada, tanto Machado quanto Sarney reclamam da insistência de Dilma em permanecer no cargo. Segundo o ex-presidente, ela irá resistir "até a última bala". Para ele, Lula estaria em depressão.

"Ela não sai. Resiste. Diz que até a última bala", diz Sarney.

Em outro trecho, Machado pergunta se "acabou o Lula".  Sarney responde que sim e diz que "Lula, coitado, ele está numa depressão tão grande." Machado afirma que "não houve nenhuma solidariedade da parte dela"

O ex-presidente Sarney diz ainda que  os empresárioe e políticos não devem arcar sozinhos com os problemas envolvendo a Petrobras. "Tudo isso foi...é o governo, meu Deus! Esse negócio da Petrobras são os empresários que vão pagar, os políticos! E o governo que fez isso tudo?" 

Respostas

A Agência Brasil não conseguiu contato com a assessoria de Sarney.

Ao Jornal da Globo, Sarney deu resposta semelhante a da nota divulgada na quarta-feira (25), quando se queixou do vazamento de conversas particulares suas com Machado, afirmando que sua relação com o ex-presidente da Transpetro é de amizade. "As conversas que tive com ele nos últimos tempos foram sempre marcadas, de minha parte, pelo sentimento de solidariedade, característica de minha personalidade. Nesse sentido, muitas vezes procurei dizer palavras que, em seu momento de aflição e nervosismo, levantassem sua confiança e a esperança de superar as acusações que enfrentava", disse Sarney.

As conversas entre Machado e membros da cúpula do PMDB começaram a vir à tona na última segunda-feira (23), quando o jornal Folha de S. Paulo publicou trechos de áudios em poder da Procuradoria-Geral da República (PGR) em que, segundo a reportagem, o ministro do Planejamento Romero Jucá teria sugerido a formação de um "pacto" para conter a Lava Jato. Jucá anunciou que iria se licenciar do cargo e foi exonerado no dia seguinte.

Na sequência, a divulgação pela imprensa de trechos inéditos de conversas gravadas por Machado com o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o ex-presidente José Sarney indicam a preocupação com os desdobramentos da Lava Jato por parte dos políticos, que estariam articulando para restringir as consequências da operação.

Ontem (26), em nota divulgada pela presidência do Senado, Renan disse que "não tomou nenhuma iniciativa" ou fez gestões para "dificultar ou obstruir" as investigações da Operação Lava Jato. Segundo o texto, as investigações da Lava Jato são "intocáveis".

Felipe Pontes
Na Agência Brasil





Em um novo trecho das conversas gravadas pelo ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, com políticos do PMDB, o ex-presidente José Sarney diz que Lula teria se arrependido da escolha de Dilma para sucedê-lo na presidência da República./

A conversa foi gravada por Sérgio Machado na casa do ex-presidente José Sarney. Nesse diálogo inédito, eles falavam sobre a presidente afastada Dilma Rousseff e sobre o ex-presidente Lula. O nome de Lula não é citado diretamente, mas para os investigadores fica claro que a conversa é sobre ele.

Machado: Agora, tudo por omissão da Dona Dilma.

Sarney: Ele chorando. O que eu ia contar era isso. Ele me disse que o único arrependimento que ele tem é ter eleito a Dilma. Único erro que ele cometeu. Foi o mais grave de todos.

Em gravação citada pela Folha de S.Paulo entre machado e o presidente do senado Renan Calheiros, o assunto também é Lula, mas a conversa é sobre envolvimento do ex-presidente no esquema do mensalão do PT.

Segundo a Folha, Renan Calheiros afirma que Lula havia saído, Ou seja, não processado no mensalão porque os pagamentos ao marqueteiro Duda Mendonça no exterior não foram investigados a fundo quando vieram a público.

Renan: O problema do Lu...por que que o Lula saiu [não foi acusado no processo do mensalão]? Porque o Duda [Mendonça, marqueteiro] fez a delação, na época nem tinha [a lei], o Duda fez a delação, e disse que recebeu o dinheiro fora e ninguém nunca investigou quem pagou, né? Este é que foi o segredo.

Duda Mendonça foi o marqueteiro da campanha vitoriosa de Lula em 2002. Ele acabou absolvido no julgamento do mensalão.

Em outro trecho, também publicado pela Folha, Renan e Machado se referem ao tríplex e ao sitio que os investigadores afirmam que são de propriedade do ex-presidente. Lula nega ser o dono. Os dois citam uma quantia em dinheiro que Lula teria sem mencionar a origem. Reportagem da revista Veja mostrou que a empresa de palestras de Lula teria faturamento semelhante à quantia citada por Machado.

Machado:Botou na real. Aí [inaudível] umas besteiras, como a Marisa diz, besteira. Ele tem R$ 30 milhões em caixa. Como é que não comprou um apartamento, uma p*** [inaudível]. P***, umas m***, um sítio m***, um apartamento m***.

Nas gravações que fez de conversas com integrantes da cúipula do PMDB, Sérgio Machado, mostrou que ajudou aliados. Os diálogos não permitem dizer que tipo de ajuda foi essa. Um deles, segundo os investigadores, foi Gabriel Chalita. Na gravação, machado afirma que contribuiu para o Michel Temer, e faz referência a campanha de alguém que ele chama apenas de menino. Os investigadores identificam esse menino como Challita, que concorreu pelo PMDB à prefeitura de São Paulo, em 2012. Os diálogos não revelam de que forma foi a contribuição.

Machado: O Michel, presidente...lhe dizer...eu contribuí pro Michel.

Sarney: Hum.

Machado:Eu contribuí pro Michel...não quero nem que o senhor comente com o Renan... eu contribuí pro michel pra candidatura do menino...falei com ele até num lugar inapropriado que foi na base aérea...

Sarney, em seguida, aparenta preocupação com a revelação e quer saber se uma ajuda que ele próprio recebeu de Machado é do conhecimento de mais alguém.

Sarney:Mas alguém sabe que você me ajudou?

Machado: Não, sabe não. Ninguém sabe, presidente.

Além das gravações, Sérgio Machado já deu vários depoimentos aos investigadores, que estão agora analisando todas essas informações trazidas pelo ex-presidente da Transpetro. A delação premiada dele foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal e, a partir de agora, começa uma nova etapa da apuração. Os senadores Renan Calheiros, Romero Jucá e o ex-presidente José Sarney podem ser chamados a dar explicações.

O presidente da República em exercício, Michel Temer, negou que tenha pedido doação a Sérgio Machado para a campanha de Gabriel Chalita. Na nota enviada por sua assessoria, Temer diz também que não foi candidato nas eleições municipais de 2012, e não recebeu nenhuma contribuição. O presidente em exercício afirma ainda que nunca se encontrou em lugar inapropriado com Sérgio Machado.

O ex-secretário de Educação da prefeitura de São Paulo, Gabriel Chalita, afirmou, também por nota, que não conhece Sérgio Machado, e que todos os recursos recebidos na campanha dele foram legais, fiscalizados e aprovados pelo Tribunal Regional Eleitoral.

A assessoria de imprensa do Instituto Lula enviou uma nota em que diz que o ex-presidente Lula já teve seu sigilos bancários e fiscais quebrados, analisados e divulgados, e que cabe aos autores das frases e das gravações comentarem suas declarações privadas divulgadas ilegalmente.

A presidente afastada Dilma Rousseff disse que que não vai comentar as declarações de José Sarney e de Sérgio Machado.

O presidente do Senado, Renan Calheiros, também não vai comentar.

O advogado de José Sarney, Antônio Castro de Almeida Castro, disse que o ex-presidente não vai responder fragmentos do que está sendo vazado e que pediu cópia da delação de Sérgio Machado ao STF para poder responder de forma contextualizada.

Antonio Carlos de Almeida Castro também é advogado de Duda Mendonça e, sobre o cliente, disse que a afirmação de que Lula não foi processado no mensalão por causa da delação do publicitário não tem sentido. Almeida Castro disse que Duda não protegeu ninguém, foi processado criminalmente no mensalão e foi absolvido pelo pleno do Supremo.

A defesa do ex-presidente da Transpetro disse que Sérgio Machado não pode se manifestar, porque a delação ainda está sob sigilo.



Em diálogo gravado, e de posse da Procuradoria-Geral da República, o ex-presidente José Sarney (1985/1990) criticou pesadamente a Justiça. “A ditadura da Justiça tá implantada”, disse Sarney, em meio a conversa com citações ao juiz federal Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, e ao Supremo Tribunal Federal.

Sarney conversa com o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, alvo da Lava Jato. Em dezembro de 2015, a Polícia Federal deflagrou a Operação Catilinárias e fez buscas na residência de Machado. Acuado, o executivo decidiu gravar conversas com expoentes do PMDB, como o ex-ministro do governo interino Michel Temer, Romero Jucá, e o presidente do Congresso, Renan Calheiros.

O diálogo entre Sarney e Sérgio Machado ocorreu em março.

Em dado momento eles atacam o Judiciário, conforme revelou a repórter Camila Bonfim, da TV Globo, que teve acesso com exclusividade aos áudios.

Sobraram hostilidades também para a imprensa.

“Sérgio Machado: Não teve um jurista que se manifestasse. E a mídia tá parcial assim. Eu nunca vi uma coisa tão parcial. Gente, eu vivi a revolução. Não tinha esse terror que tem hoje, não. A ditadura da toga tá foda.

José Sarney: A ditadura da Justiça tá implantada, é a pior de todas!

Sérgio Machado: E eles vão querer tomar o poder. Prá poder acabar o trabalho.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários com links NÃO serão aceitos.

Os comentários são de total responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente a opinião do blog

Comentários anônimos NÃO serão publicados, como também não serão tolerados spams, insultos, discriminação, difamação ou ataques pessoais a quem quer que seja.

É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O blog poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.