30 de mai de 2016

Devassa ordenada por Temer pode frustrar planos de cortes no funcionalismo

Ao levantar total de cargos comissionados ocupados por indicação de partidos, governo interino descobre que PSDB ocupou mais espaço nos governos de Lula e Dilma que partidos como o PDT, aliado desde sempre

Ocupação de cargos nos poderes da República é especialidade de Aécio, que inchou o governo de Minas entre
2003 e 2010
Em mais um dos seus espasmos revanchistas desde que chegou à presidência de forma indireta e biônica, Michel Temer ordenou ao ministro Vital do Rêgo, do Tribunal de Contas da União (TCU), um levantamento dos cargos ocupados por filiados do PT no funcionalismo federal, incluindo Executivo, Legislativo e Judiciário. Mas deve ter ficado surpreso com a quantidade de servidores indicados por partidos que se alinharam ao golpe contra o governo Dilma.

Por si só, a ordem não passa de mais uma "cortina de fumaça", um fato político criado para desviar o foco do escândalo das gravações que expuseram ao país e ao mundo trechos de conversas entre o ex-ministro do Planejamento Romero Jucá (PMDB-RR) — até então o homem forte do governo Temer — e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado (PMDB), sugerindo o uso do impeachment como forma de tirar Dilma do governo para conter as investigações da Lava Jato, prestes a atingir alguns dos principais "chefões" peemedebistas.

Além disso, ao receber de sua equipe o relatório solicitado pelo interino, Vital provavelmente levou um susto, já que o levantamento mostrou que o PSDB, mesmo sendo o maior partido de oposição, ocupa a terceira posição entre os partidos com mais cargos de confiança e comissionados sob o governo do PT.

A turma de Aécio, FHC, Aloysio Nunes, Cássio Cunha Lima, Carlos Sampaio etc tem mais espaço no governo Dilma (com 9,64% de filiados empregados) do que o PDT (6,56% ), aliado do PT desde que o partido assumiu a presidência, em 2003, que tem 6,56%. Segundo o relatório, o PT ocupa 13,6% dos cargos comissionados disponíveis nos três poderes da República. O PMDB, 10,9%.

Portanto, antes de os correligionários tucanos falarem em ‘boquinha’ no governo do PT, é bom saber que o PSDB, mesmo na oposição, sempre ocupou grande número de cargos políticos dentro do governo do PT.

Além disso, os números sobre a presença do PT no governo federal ficam muito abaixo do que resultou dos oitos anos de governo Aécio em Minas Gerais. Dados publicados no jornal O Estado de S. Paulo em 2011, mostraram que, com Aécio Neves (PSDB), os tucanos comissionados no governo estadual cresceram 30,9% durante o período, passando de 268,4 mil cargos ocupados em novembro de 2003, para 351,5 mil em novembro de 2010.

Tetos de vidro

Escalado por Temer para investigar a gestão petista, Vital do Rêgo, que já foi senador pelo PMDB da Paraíba, é investigado na operação Lava Jato (leia documento). O ex-presidente da Andrade Gutierrez Otávio Marques Azevedo afirmou em sua delação premiada que Vital e o ex-senador Gim Argello (PTB-DF), preso desde abril, pediram R$ 30 milhões como “contribuição especial” a um “grupo de políticos”, em junho de 2014.

A propina, paga em forma de doações eleitorais, seria para que Marques Azevedo não fosse convocado para depor na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da Petrobras, que tinha Rêgo como presidente e Argello como vice.

Helena Sthephanowitz
No RBA

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