15 de mai de 2016

A recusa de Marília Gabriela em se juntar ao governo simboliza a morte moral do governo Temer

Como ela se associaria a um governo golpista e ilegítimo?
O governo Temer nasceu tecnicamente morto.

Ele não anda — se arrasta.

O ministério da “Salvação Nacional” é o retrato acabado disso.

Temer dissera que ia montar um ministério de “notáveis”.

Ora, ora, ora.

Que notável quer sujar sua imagem num governo como este golpista, liderado por um zé mané traidor e nascido de um gangster como Eduardo Cunha?

Que notável quer ser chamado de golpista nos aeroportos do país, como tem se visto com frequência?

Que notável quer pertencer a um governo do PMDB, o que existe de mais putrefato na política nacional?

Deu no que tinha que dar. Em vez dos notáveis, implicados na Lava Jato.

Para coroar tudo, nenhuma mulher, algo que não acontecia desde o general Geisel, na ditadura militar.

E então aparecem as tentativas de consertar esse erro. Acaba de vir a público o fracasso da missão confiada a Marta Suplicy de levar uma mulher para Brasília.

O site Glamurama, de Joyce Pascovitch, informou neste final de semana que Marta tentou convencer Marília Gabriela a ir para a Secretaria Nacional da Cultura.

A resposta foi não.

Marília Gabriela teria que responder a um certo Mendonça Filho, aquele que foi recebido sob gritos de golpista pelos funcionários do Ministério da Cultura.

Mendonça Filho é conhecido por ter criticado ferozmente um dos maiores acertos do PT na educação, o Prouni. É um programa que levou jovens excluídos às universidades em número inédito neste paraíso da desigualdade.

Imaginar que Marília Gabriela entraria numa fria dessas é o triunfo da obtusidade delirante.

Ela tem uma imagem a preservar.

Não chega a surpreender que Marta Suplicy tivesse aceitado a encomenda fracassada. Marta vive num universo paralelo desde que a inveja a transformou num monstro moral e numa golpista descarada.

Marta saiu do PT, movida pelo ódio, e foi dar nos braços do PMDB de Cunha dizendo bravatas hipócritas anticorrupção.

Traiu, com seu voto pelo golpe, os milhões de eleitores que a fizeram senadora. Nenhum deles a pôs no Senado para fazer o que fez.

Marília Gabriela se saiu bem do convite ao recusá-lo. Marta Suplicy se saiu terrivelmente mal ao formulá-lo.

E o governo Temer teve mais uma demonstração de que acabou antes de começar.

Num vídeo que está viralizando neste momento, o jornalista Jorge Pontual, correspondente da Globo em Nova York, admite num programa da GloboNews que a imprensa internacional se ergueu contra Temer e as circunstâncias obscuras do golpe, para não dizer sinistras.

O mundo vai vendo o que os brasileiros informados sabiam faz tempo. Nada daquilo — Lava Jato, Moro, campanha da Globo e da Veja — foi contra a corrupção. Foi contra Lula, Dilma e o PT.

O objetivo, longe de ser o de acabar com a corrupção, é poder continuar com ela sem consequências, como sempre ocorreu.

No mesmo ministério sem mulheres acotovelam-se sete investigados da Lava Jato.

Seria incrível que, nestas circunstâncias, Marília Gabriela topasse se juntar a um governo infame, ilegítimo e marcado para morrer num mar de vergonha nacional e mundial.

Paulo Nogueira
No DCM

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