8 de mai de 2016

A picadura da mosca azul e a microcefalia jornalística

Tempos de epidemias – dengue, chikungunya, zika e golpe. Doenças tropicais provocadas pela presença de mosquitos e ratazanas infestando o ambiente sociopolítico. E agora mais essa.


A perfeita idiotia latino-americana ou, simplesmente, midiotia.

A doença afeta o sistema nervoso central produzindo confusão mental e forte deficiência cognitiva. Uma espécie de microcefalia que ataca adultos e é transmitida pela picadura da mosca azul, inseto por vezes confundido com abelhas.

O mal, que já está presente em boa parte da população branca de classe-média, e que parecia ter se estabilizado, ainda que em patamares elevados de incidência, voltar a fazer vítimas. Uma parte considerável da redação da Folha de São Paulo, levando-se em conta a edição de 08 de maio de 2016.

Os sintomas são bastante claros.

A começar pelos dois editoriais.

Caça ao privilégio — já pelo título, que nos remete ao “caçador de marajás”, boa coisa não pode ser. Da crítica aos incentivos à indústria aos indefectíveis ataques ao Bolsa Família e à aposentadoria por tempo de serviço, nada escapa da Folha. Que desce a detalhes quase de paranoia. Meia-entrada para estudantes e medidas de incentivo à produção cultural seriam responsáveis pelo déficit orçamentário.

Típica confusão mental, se um governo não existe para fomentar a economia e a cultura e proteger velhos e economicamente vulneráveis, um governo existiria para quê?

Para cobrar impostos e com eles pagar juros a banqueiros e comprar assinaturas de jornais?

A idiotia gera conclusões insólitas: “todos… deveriam perder um pouco em nome do bem coletivo que é a recuperação do crescimento e dos empregos”.

Se todos perdem, qual é o bem coletivo?

Quem se apropriará dos resultados do crescimento econômico? Recuperação de empregos basta? Durante os quatro séculos de escravidão, os escravos tiveram pleno emprego.

Perguntas para as quais estágios avançados de idiotia não produzem respostas. Daí a passar a editoriais determinando a renúncia da presidente ou a considerar-se Napoleão Bonaparte é um pulo.

Régua e compasso — propõe que o ensino básico seja inteiramente controlado através de uma padronização completa que dispensaria a ação pedagógica dos professores. Com todo conteúdo previamente definido segundo o único modelo não ideológico de ensino — o ideário conservador. As aulas seriam transformadas em algo próximo a um telecurso. Talvez a Fundação Roberto Marinho assumisse o Ministério da Educação.

É delírio de idiotia.

Nos dois casos, o tratamento envolve silêncio e meditação. Leituras sobre socialdemocracia e planejamento político-pedagógico nas escolas ajudam muito.

Passando-se para o quadro de colunistas, começa-se a perceber a devastação intelectual que a picadura provoca.

Carlos Heitor Cony — milionário, latinista e católico fervoroso. Nenhuma dessas características pessoais o protegeu da picadura. Passou a confundir São Dimas com Eduardo Cunha e a se declarar devoto do bom ladrão.

Elio Gaspari — se submeteu a um teste psicotécnico e respondeu que:

1 — O PT derrubou FHC com a campanha pelo impeachment conhecida como “Fora FHC”. 2 — Eduardo Azeredo foi julgado pelo STF e cumpriu pena junto com Dirceu na Papuda. 3 —  Paulo Preto foi parar na cadeia. 4 — Empresários da Camargo Correia colaboraram com a “Operação Castelo de Areia”. 5 — A Alemanha ganhou a Copa de 2002 vencendo o Brasil por 2 a 0.

Completamente confuso, não consegue distinguir as diferenças do tratamento dado pela imprensa e pelo Judiciário ao PT e ao PSDB quando cada um desses partidos está no governo.

É caso para internação.

Clovis Rossi — com os mesmos sintomas de Elio Gaspari e a mesma recomendação de tratamento. Afirma que Lula nasceu na Turquia e que, quando ministro de Dilma, forçou-a a sair do governo assumindo o poder em seu lugar.

Claramente confunde Lula com Michel Temer. Ainda que Temer seja vice-presidente e sírio-libanês.

Paula Cesarino Costa — entomologista, o que a levou a ter contato com a mosca azul, mas não a ser capaz de reconhecê-la, nem a seus riscos.  Nomeada ombudsman da Folha, ainda não assumiu. Está em crise existencial temendo que um jornal possa ser manipulado e vir a defender interesses político-partidários. Para evitar agravamento do quadro, a família não revelou a ela que o jornal onde trabalha já patrocinou dois golpes.

Finalmente, uma nota de pesar que nada tem a ver com a crise de picadura que afeta a Folha.

Angeli — após sessões de regressão orientadas pelo Dr. Drauzio Varella, concluiu que seu nome verdadeiro é Gregor Samsa e que transformou-se em uma barata. Deixou o quadro de cartunista da Folha e passará agora a viver em uma gaveta do seu estúdio.

Sem dúvida uma perda.

Força, Angeli.

Um grande abraço que peço que lhe seja transmitido por aquela senhora simpática que substituiu o Laerte.

PS1.: o mestre Janio de Freitas continua lúcido e saudável. Alguns creem ser ele possuidor de uma resistência genética à doença, outros creem ser sua imunidade função da presença de alguma substância na água que ele bebe.

PS2: vacinas podem ser obtidas nesta Oficina e também no endereço Golpe Nunca Mais.

Sérgio Saraiva
No Oficina de Concertos Gerais e Poesia

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