12 de abr de 2016

Vale o vazado? Temer imporia ‘muitos sacrifícios’ e calaria sobre corrupção

Michel Temer e a foto que ele tenta derrubar da parede
Foto Kleyton Amorim/UOL
No ensaio de discurso para a eventual iminência de se tornar presidente da República, Michel Temer pronunciou três vezes a palavra “sacrifícios”.

“Muitos sacrifícios”, enfatizou, na gravação distribuída por celular (aqui).

É o cenário que espera os brasileiros caso Dilma Rousseff venha a ser deposta por meio de impeachment.

Sabe quantas vezes apareceu a palavra “corrupção” no áudio conhecido ontem?

Nenhuma.

Se vale o vazado, um possível governo Temer sacrificaria a vida dos cidadãos — como sempre, sofreriam mais os mais pobres.

E deixaria para trás o tema da corrupção. Mais propriamente, o combate a ela.

Num aspecto, o dos sacrifícios, inexistiria maior novidade em relação ao segundo mandato de Dilma (Dilma-Temer, a rigor).

A presidente impõe sacrifícios a quem, por 12 anos (2003-2014), conseguiu amenizar a miséria e a pobreza atávicas.

O que o vice aspirante a titular indica é que apertará ainda mais o arrocho impiedoso que atende pelo eufemismo de “ajustes”.

O silêncio sobre a corrupção representaria regressão se comparado a Dilma, que reiteradamente trata do assunto.

Temer não citou a Operação Lava Jato.

Seria falar em corda na casa de enforcado. Os líderes da conspiração pelo impedimento de Dilma são investigados, suspeitos, denunciados ou réus em processos de corrupção.

Eis a receita do “governo de união nacional” almejado por Michel Temer: “muitos sacrifícios” e o esquecimento da corrupção que maltrata o Brasil.

O discurso apressado do vice pode ser observado de várias maneiras.

É uma pena que seu conteúdo, tão revelador, venha sendo minimizado.

Mário Magalhães

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