23 de abr de 2016

Temer defende Eduardo Cunha em entrevista ao NYTimes


Com o título "Vice-Presidente do Brasil, impopular e sob escrutínio, se prepara para liderar", o NY Times traz entrevista feita por Simon Romero com o vice-presidente Michel Temer. A entrevista foi feita em São Paulo, na casa do vice e, na rua, manifestantes escreveram "quartel do golpe". Foi neste endereço. Na porta, conforme relato, a polícia guardava a casa do vice.

A matéria começa lembrando que em recente pesquisa, somente 2% dos brasileiros votariam no vice. Ele está em investigação por conta de vazamentos de delações premiadas. Lembra ainda que o Supremo Tribunal Federal determinou que o Congresso deve considerar um processo de impeachment contra ele.

Romero avisa que Michel Temer, vice-presidente do Brasil, está se preparando para assumir o comando do Brasil no próximo mês, se assim o Senado decidir, colocando a presidente Dilma Rousseff em julgamento. Necessitando só de maioria simples, o Senado já a suspenderia por seis meses, enquanto Dilma luta contra a criminalização dos movimentos orçamentários, as tais "pedaladas fiscais".

A decisão deixaria Temer no comando "do maior país da América Latina", e que também lida com a sua pior crise econômica em décadas, uma epidemia de Zika, a discórdia política ferve e os Jogos Olímpicos estão prestes a acontecer. Tudo ao mesmo tempo.

"Eu não quero que pareça que estou conspirando para assumir", disse Temer na entrevista, insistindo ainda que não estava planejando um golpe de Estado, como Dilma tratou de nomear em inúmeros pronunciamentos. Até então, Temer, do alto de seus 75 anos, tão raramente nos holofotes da ribalta nacional, ficou em evidência por causa de sua mulher Marcela, de 32 anos e ex-participante de concurso de beleza, com seu nome tatuado na nuca.

Segundo o jornalista, os brasileiros estão começando a conhecer melhor o Temer conforme a batalha do impeachment se desloca para o Senado. Chamado pelos rivais como "mordomo de filme de terror", por sua postura formal e comportamento enigmático, Temer está procurando levar a situação, sob sua ótica, à nação, mais fortemente agora.

O jornal evidencia que ele parece bem preocupado por Dilma ter ido denunciar a campanha para derrubá-la como ilegal, e esta seria a posição adotada frente as Nações Unidas, onde a presidente poderá transmitir suas reivindicações para o mundo.

A presidente Dilma condenou seu vice-presidente, chamando-o de traidor. Mas Temer, cujo partido político fez parte do governo de coalizão, disse que foi tratado de "forma terrível pela presidente" durante os momentos no gabinete dela. Disse ainda que eles nunca foram amigos, basicamente se cumprimentando cerimoniosamente, disse Temer. E, segundo ele, a última vez que se falaram foi no último mes de janeiro.

"Eu passei quatro anos condenado a um absoluto ostracismo", disse Temer, que foi professor de direito consitucional. "Nós não éramos amigos, porque ela não se considerava minha amiga", declarou ele ao NY Times.

Lutando para montar um gabinete, caso assuma, Temer está enfrentando uma série de desafios, evidencia o jornalista, incluindo os depoimentos que o implicam, e aos principais aliados para a tomada de poder, em um escândalo em torno da Petrobras; a questao de fomentar o desemprego durante o pior da crise econômica; e crescentes críticas de que a campanha para acusar a presidente eleita Dilma Rousseff, conduzida por legisladores que mascaram seus próprios escândalos de corrupção, é ilegítima.

Ao jornalista, Temer se diz muito preocupado com as intenções da presidente em dizer que o Brasil é alguma república secundária onde "os golpes são realizados". Ele afirma que ela também está lutando contra acusações, separadas das suas, de que as campanhas receberam financiamento ilegal e mais, que ela tentou obstruir a investigação da Petrobras. Na outra ponta, Dilma afirma que seu impeachment é o equivalente à "fraude política".

Temer, que assumirá a presidência caso a presidente eleita Dilma Rousseff vá a julgamento, diz que ele "não está conspirando para assumir", pois que ela chamou este esforço conjunto de golpe. Na entrevista por telefone, ele refutou estas alegações argumentando que "impeachment é permitido sob a Constituição do Brasil". Disse ainda que não iria barrar ou anular as investigações de corrupção no escândalo da Petrobras, mesmo desestabilizando seu próprio partido, o PMDB, centrista, se ele tomar posse.

Temer se defende como também aos seus aliados que estão sob uma nuvem de acusações no esquema. Ele manifestou apoio a Eduardo Cunha, que conduz o esforço de impeachment no Congresso, dizendo que não iria perguntar a Cunha se vai renunciar. Cunha será o próximo na fila para a presidência, caso Temer assuma.

"Essa é uma questão para o Supremo Tribunal Federal decidir", disse ele, referindo-se ao julgamento de Cunha, acusado de embolsar até US$ 40 milhões em subornos no esquema em torno da Petrobras.

O jornalista lembra que Temer também terá que explicar seus próprios problemas legais. Delcídio do Amaral, senador que barganhou seu testemunho, apontou o dedo para a elite política brasileira, dizendo que Temer tem sido o responsável pela obtenção de cargos executivos na Petrobras para negociar com figuras que já estão sentenciadas na prisão com acusações que incluem suborno, lavagem de dinheiro e fraude.

Na entrevista, o vice disse que é inocente de qualquer acusação, sendo que suas conexões com antigos executivos da Petrobras se deram por suas responsabilidades burocráticas como líder do PMDB. O partido serve como uma âncora para a coalizão que permitir que a presidente Dilma, do PT, governasse por tanto tempo.

Tanto Temer como seu partido estão no escândalo da Petrobras e ele está lutando contra o ressentimento crescente dos brasileiros com o momento político brasileiro. Enquanto 61% dos brasileiros apoiam o impeachment de Dilma, 58% também quer o vice-presidente cassado, conforme pesquisa de opinião feita este mês pelo Datafolha.

Não bastasse, Temer tem apenas 2% das intenções de voto dos brasileiros para as eleições de 2018, conforme apurou o Datafolha, colocando-o bem atrás de potenciais candidatos como Lula e Jair Bolsonaro, um congressista ultraconservador do Rio.

Formar um governo tem sido um desafio para Temer, diz Simon Romero. Armínio Fraga, um respeitado ex-presidente do Banco Central, deixou claro que não quer um posto no gabineto do governo de Temer. A oposição social-democrata têm impedido que se forje uma coalizão, mesmo esperando também que se derrube Dilma.

"Visões pessimistas de Michel Temer e o seu eventual governo entre os vencedores estão crescendo com velocidade supreendente", escreveu Janio de Freitas, colunista da Folha.

Temer, o caçula de oito crianças em uma família Cristã Maronita que veio do Líbano para São Paulo na década de 1920, disse que permanece esperançoso de que ele promoverá a catarse em reuniões, conseguindo um "governo de unidade nacional".

O vice citou como inspiração Juscelino Jubitscheck, presidente que ordenou a construção da capital futurista, Brasília, no final da década de 1950, dizendo que queria criar um "governo de otimismo". Mencionou também sua admiração por presidentes americanos, como Theodore Roosevelt e Franklin D. Roosevelt, enfatizando pretender melhorar as relações com os Estados Unidos.

"É necessário que a esperança venha de novo para a luz", teria dito ele, acrescentando que o problema mais urgente no Brasil é o desemprego. Depois disso, e ao final de tudo, Temer avaliou que a luta contra a corrupção "está sendo travada como deveria".


Tradução e adaptação Equipe GGN

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