7 de abr de 2016

Pingos no is sobre o neopenteconstitucionalismo jurídico de Janaína Paschoal


1) Nenhum meme, GIF, paródia que eu vi sobre a performance de Janaína transformando a São Francisco num púlpito de igreja midiática (detalhe para a balança da Justiça que parece uma cruz invertida) teve tons machistas. Todos, que zeraram a internet hoje eram ótimos, um melhor que outro: exorcista, banda Calypso, Iron Maiden, pastor peão da casa própria, enfim, sensacionais.

2) Wagner Iglecias está coberto de razão, transcrevo-o:

"As críticas a essa senhora (que deve ter causado vergonha a muitos de nós seus colegas de USP) não tem nada que ver com o fato dela ser mulher. O discurso e a estética usados por ela nesse episódio são usados por homens como Malafaia e Feliciano há anos. A luta feminista é extremamente relevante, mas não é de gênero que se trata a questão. E sim do fato de que um conjunto grande de homens e mulheres querem derrubar uma presidente legitimamente eleita e sobre a qual não há crime de responsabilidade."

3) Não se pode esquecer quem é a advogada, professora, com essa estética neopentecostal da Justiça:

A) Ela é a autora de um pedido de impeachment sem qualquer crime de responsabilidade para uma presidenta eleita com 54, 5 milhões de votos;

B) É a advogada que defendeu o promotor fundamentalista, Douglas Kirschner, que espancou e manteve durante 5 meses em cárcere privado a própria esposa.

C) O ódio de Janaína ao PT, Lula, Dilma, ao projeto de inclusão é um ódio de classe, seu argumento em defesa de Mayara Petruso, aquela que em 2010 queria afogar nordestinos que votaram em Dilma, é revelador, culpa a vítima pelo algoz violentá-la. A mesma conversa fiada da direita estilo Kamel que culpa governantes que aplicam princípio de isonomia tratando de modo diferente os desiguais, os que mais precisam do Estado (política de renda mínima, política de cotas, por exemplo, argumentando que tais governantes e políticas criam conflito social). Kamel, Demétrio Magnoli, por exemplo chegam ao cinismo de dizer que políticas compensatórias como a política de cotas raciais criam a racialização como se o racismo secular do Brasil já não houvesse racializado a sociedade.

4) Finalmente, é esse tipo de gente que quer tomar o poder no tapetão!

Reproduzo o comentário de um juiz federal defensor da Lava Jato:

"Janaína é a pá de cal que faltava para enterrar de vez o Golpe. A figura desamparada de Hélio Bicudo fornece a moldura perfeita, mas é acessória.

A advogada é fake em estado bruto. Está tão tomada pela ira divina quanto o pastor que jamais esquece de passar a máquina de cartão de débito entre os fiéis depois do exorcismo.

Não tem nada de loucura. Janaína é puro método.

O discurso das Arcadas do Largo de São Francisco entra, sem escalas, para o ranking dos memes que zeram a Internet.

Antes que descambemos todos — e será inevitável — para a gozação franca e declarada, convém lembrar que o Congresso está prestes a decidir o futuro da República a partir do pedido de Impeachment formulado por esta pessoa que gira bandeiras e bate cabelo. A pressão sobre deputados e senadores tende a se tornar insuportável nos próximos dias. Já há um caixa da FIESP para a compra de votos. A mídia venal empenhou todo o seu cacife nesta operação. A parcela afascistada da classe média quer receber pelo serviço prestado.

Não é brincadeira. Não vai ter graça nenhuma a Janaína no Poder. Muito menos os interesses que ela representa."

Maria Frô

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