4 de abr de 2016

Panamá Papers




Vamos analisar conjunturas sobre The Panama Papers e “tudo isso que está aí”:

— Denuncia-se em todos os grandes jornais do mundo — capas de sites — que Vladimir Putin (Rússia) tem 2 bi de dólares escondidos em paraísos fiscais;

— O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, está sofrendo um processo de impeachment por [supostamente] ter reformado sua casa particular com 16 mi de dólares não devolvidos aos cofres públicos;

— No vazamento supracitado entrega-se membros do PC chinês, mais exatamente do “ninho do dragão” (quem dá as ordens mesmo!), que teriam valores em offshores;

— Há uma série de nomes e empresas transnacionais indianas envolvidas na operação, políticos, empresários, dentre outros;

— Jogaram no ventilador nomes como Cunha, Joaquim Barbosa, outros envolvidos na Lava Jato — o que é perfeitamente salutar. No entanto, a República de Curitiba tenta a todo custo ligar o nome do Lula com a empresa, mas nessa lista ele não aparece. Lembro-me que no primeiro trabalho que o ICIJ fez sobre o “HSBC leaks”, seguraram um monte de dados de figurões interessados no impeachment (mídia, bancos, empresários, artistas) e só saiu para o cidadão da Folha, que fez um agrado aos patrões. Até o momento não vazou nada da Globo, confirmada por aqui como dona de offshore;

— A FIFA está fora do vazamento. Por sinal é um dos últimos redutos nos quais o governo norte-americano não interfere diretamente. Ele dita as regras na ONU, mas não faz isso na FIFA, onde temos muitas empresas concorrentes com as americanas. Os EUA têm obtido excelentes resultados com sua liga de futebol, entretanto a influência dela na FIFA, se comparada com as ligas europeias e sul-americanas, é quase nula;

— O primeiro ministro britânico aparece nos Panama Papers, no momento em que faz o referendo para sair da UE, o que desagrada boa parte da Europa ocidental e a Alemanha;

— O jornal que divulgou, Süddeustche Zeitung, segundo o Wikipedia foi o primeiro jornal a circular em Munique depois da Segunda Guerra, com permissão “especial dos aliados”; no site da embaixada da Alemanha, identifica-se como “liberal-esquerdista” (fiquei curioso em saber como é isso);

Observe que o vazamento não tem uma empresa norte-americana sequer, nem um figurão (que eles chamam de power player), mas em todos os lugares tidos como “problemáticos” pela diplomacia americana aparecem citados, especialmente nos BRICs. Ou este pessoal dos Estados Unidos usa outras offshore ou são extremamente honestos desde o ano de fundação da Mossack&Fonseca, em 1977. Não é estranho, nenhuma citação sequer? A pulga está atrás da orelha…

Ricardo Costa, no Viomundo



Panama Papers: vazamento de milhões de documentos revela paraísos fiscais de ricos e poderosos


Um grande volume de documentos confidenciais vazados revelou a forma que algumas das pessoas mais ricas e poderosas do mundo usam paraísos fiscais para ocultar fortunas.

Os 11 milhões de documentos pertecem ao escritório de advocacia panamenho Mossak Fonseca e mostram como a empresa ajudou clientes a evitar sanções e o pagamento de impostos e a lavar dinheiro.

O escritório afirma que opera há 40 anos legalmente e que nunca foi acusado de nenhum crime.

Os documentos mostram ligações com 72 chefes de Estado atualmente no poder ou que já ocuparam o cargo, incluindo ditadores acusados de saquear seus próprios países.

Os dados envolvem pessoas ligadas às famílias e sócios do ex-presidente do Egito Hosni Mubarak, o ex-líder líbio Muammar Gaddafi e o presidente da Síria Bashar al-Assad.

Também levantam a suspeita de haver um esquema de lavagem de diheiro comandado por um banco russo e pessoas muito próximas ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o primeiro-ministro da Islândia, Sigmundur Gunnlaugsson.

Eles foram obtidos pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung e compartilhados com o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês).

O programa BBC Panorama está entre as 107 organizações de mídia que vêm analisando os documentos. A BBC não conhece a identidade da fonte que os forneceu.

Gerard Ryle, diretor do ICIJ, diz que os documentos tratam do cotidiano de negócios do Mossack Fonseca nas últimas quatro décadas. "Acredito que o vazamento será o maior golpe que o mundo de empresas offshore já sofreu por conta da dimensão dos documentos", afirmou.

Esse nome é dado a empresas abertas por pessoas e empresas em um país diferente do que se reside, normalmente com condições fiscais mais favoráveis.

Os documentos indicam a existência de 107 empresas offshore ligadas a pessoas envolvidas na Operação Lava Jato, segundo o portal UOL, que integra o ICIJJ. No Brasil, essa prática não é ilegal se tiver sido declarada à Receita Federal.

Acordos suspeitos

Os documentos lançam suspeitas sobre as atividades do Bank Rossiya, ao qual a União Europeia e os Estados impuseram sanções após a anexação da Criméia pela Rússia, em 2014. Eles apontam pela primeira vez como o banco opera.

Dinheiro teria sido movimentado por meio de empresas offshore, duas das quais tem como dono um dos amigos mais próximos de Putin. Eles indicam que as companhias Sonnete Overseas, International Media Overseas, Sunbarn and Sandalwood Continental lucraram com transações falsas, serviços de consultoria inexistentes e a compra de ativos suspeitas.

A International Media Overseas e a Sonnette Overseas são de propriedade de do violoncelista Sergei Roldugin, amigo de infância do presidente russo e padrinho da sua filha, Maria. Segundo os documentos, Roldugin faturou milhões de dólares em acordos suspeitos.

Mas documentos das empresas de Roldugin afirmam: "A companhia é uma barreira corporativa criada principalmente para proteger a identidade e confidencialidade do verdadeiro beneficiário da companhia".

Conexão islandesa

Os dados da Mossack Fonseca também mostram que o premiê da Islândia, Sigmundur Gunnlaugsson, tinha um interesse não revelado nos acordos de ajuda financeira fechados com bancos do país.

Gunnlaugsson é acusado de esconder milhões de dólares em investimentos aplicados nestes bancos por meio de empresas offshore. Documentos mostram que ele e sua mulher, Anna Sigurlaug Pálsdóttir, compraram a empresa Wintris em 2007.

Ele não declarou sua participação na empresa quando assumiu como primeiro-ministro em 2009 e vendeu 50% da companhia para sua mulher por US$ 1 (R$ 3,6) oito meses depois.

Uma empresa offshore também foi usada para investir milhões de dólares ganhos com herança, segundo um documento assinado por sua mulher em 2015.

Agora, Gunnlaugsson enfrenta pedidos para que renuncie. O premiê diz que não infringiu nenhuma regra e que ele e Pálsdóttir não se beneficiaram financeiramente das decisões tomadas à frente do cargo.

Protocolos

A Mossack Fonseca diz ter sempre cumprido os protocolos internacionais e tomado as medidas necessárias para garantir que as empresas que auxilia não sejam usadas para evasão fiscal, lavagem de dinheiro, terrorismo financeiro e outros propósitos ilícitos e lamenta qualquer uso indevido de seus serviços.

"Há 40 anos, a Mossack Fonseca opera acima de qualquer suspeita em nosso país e em outras jurisdições onde temos operações. Nossa empresa nunca foi acusada de cometer ou ter conexão com um crime", afirma a companhia.

"Se detectamos uma atividade suspeita ou ato indevido, o relatamos rapidamente às autoridades. Assim como, quando as autoridades nos trazem evdiências de uma possível conduta errada, cooperamos totalmente."

Mossack Fonseca diz que empresas offshore existem em todo o mundo e são usadas para uma série de fins legítimos.

No BBC

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